Scott Adams, cartoonista criador da banda desenhada “Dilbert”, morreu esta terça-feira aos 68 anos, vítima do cancro da próstata que lhe tinha sido diagnosticado em maio de 2025. O anúncio foi feito pela sua mulher, Shelly Miles, no programa diário que mantinha no YouTube e na plataforma de streaming Rumble. “Infelizmente, não tenho boas notícias. Ele já não está entre nós”, afirmou Miles no início do programa.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, lamentou numa publicação na Truth Social a morte do cartoonista que sempre o apoiou, tendo lhe chamado de “o Grande Influenciador”.
“Ele era um tipo fantástico, que gostava de mim e respeitava-me quando isso não era moda. Lutou corajosamente uma longa batalha contra uma doença terrível. As minhas condolências à sua família e a todos os seus muitos amigos e ouvintes. Sentiremos muito a sua falta. Deus o abençoe, Scott”, lê-se no post.
Dilbert, uma banda desenhada focada na personagem homónima e as suas vivências no escritório onde trabalha, estreou-se em 1989 e esteve mais de 30 anos nas páginas de vários jornais norte-americanos, incluindo o Washington Post e o Los Angeles Times. Em Portugal, a tira foi publicada nos anos 90 no Diário de Notícias e em várias coletâneas, pela editora Asa.
Em 1997, Adams recebeu o Prémio Reuben para Cartunistas em Destaque do Ano da National Cartoonists Society. No mesmo ano, Dilbert tornou-se na primeira personagem fictícia a entrar na lista da revista Time dos norte-americanos mais influentes.
“Estamos a torcer por ele, porque é o porta-voz das lições que acumulámos — mas temos muito medo de expressar — no nosso esforço para evitar o homicídio ‘cubicular’ [em referência aos postos de trabalho em cubículos, que há em escritórios de várias empresas]”, escreveu a revista na altura.
Além dos livros e jornais, Dilbert chegou também à televisão, com uma série de animação na qual o ator Daniel Stern, um dos ladrões de “Sozinho em Casa”, dava voz à personagem principal.
Porém, em 2023, todos os órgãos onde surgia o cartoon deixaram de o publicar, reagindo a comentários racistas feitos pelo próprio Adams no seu programa no Youtube. O cartoonista, que se dedicava ao comentário político da direita norte-americana, reagia a uma sondagem que indicava que 26% das pessoas negras discordavam da frase “É ok ser branco”, um slogan associado à supremacia branca, segundo a NBC News.
“Eu diria que, com base na forma como as coisas estão a correr atualmente, o melhor conselho que eu daria aos brancos é que se afastassem dos negros… porque não há como resolver isto”, afirmou então, acrescentando que os que discordavam da frase eram “um grupo de ódio”. Apesar do cancelamento da publicação, a tira continuou a ser publicada como webcomic no site do criador.