No espaço de quatro dias, há cerca de duas semanas, o Sp. Braga viveu um verdadeiro pesadelo. De 10 a 14 de janeiro, os minhotos perderam a final da Taça da Liga para o V. Guimarães e foram eliminados da Taça de Portugal pelo Fafe, atirando pela janela aqueles que são sempre dois dos principais objetivos da temporada. A única maneira de ultrapassar aqueles quatro dias, portanto, era voltar a ganhar.

Depois da vitória do fim de semana em Tondela, com um golo de Rodrigo Zalazar nos descontos e em inferioridade numérica, o Sp. Braga voltava à Liga Europa — onde os ânimos eram francamente mais animados. Os minhotos recebiam o Nottingham Forest na Pedreira e sabiam que bastava um ponto para garantir o playoff de acesso aos oitavos de final da competição, deixando ainda aberta a possibilidade de assegurar a qualificação direta na última jornada e contra o Go Ahead Eagles dos Países Baixos.

“O que mais precisávamos era de uma vitória para a equipa renascer dessas duas derrotas. Chegou de uma forma um pouco agónica, mas tem que servir para limpar essa energia negativa. É um adversário muito difícil. Ainda há poucos dias conseguiu o empate contra uma equipa que está numa das melhores formas do futebol europeu, que é o Arsenal. Conseguiu não perder e competir. Sabemos que nos vão pôr as coisas muito difíceis. A energia da equipa é suficientemente alta para estar consciente de que vai precisar da melhor versão”, disse Carlos Vicens na antevisão da partida desta quinta-feira.

Assim, no Minho e sem o castigado Zalazar, o treinador espanhol lançava Gabri Martínez e Ricardo Horta no apoio mais direto a Fran Navarro, com Florian Grillitsch e Gorby no meio-campo e João Moutinho a começar no banco. Do outro lado, num Nottingham Forest que tinha menos dois pontos do que os minhotos mas que já venceu o FC Porto nesta Liga Europa, Sean Dyche apostava em Morgan Gibbs-White e Dan Ndoye no ataque, com o ex-Benfica Morato a aparecer no eixo defensivo, e não contava com o lesionado Igor Jesus.

Numa primeira parte sem golos e com poucas oportunidades, sempre muito amarrada e algo calculista, o Nottingham Forest não deixou de esboçar alguma superioridade. Os ingleses tiraram a bola ao Sp. Braga e impediram que os minhotos saíssem de forma organizada, chegando ao intervalo com ascendente. Ocasiões de golo, porém, foram escassas: Gibbs-White forçou Lukáš Horníček a uma boa defesa na sequência de um livre direto (10′) e Gabri Martínez cabeceou ao lado após cruzamento na direita (37′). No fim da primeira parte, Sp. Braga e Nottingham Forest estavam ainda empatados na Pedreira.

Carlos Vicens mexeu logo ao intervalo e trocou Niakaté por Vitor Carvalho, com os minhotos a entrarem com outra velocidade e a desenharem desde logo uma oportunidade de golo que teve Ricardo Horta a atirar por cima após cruzamento na esquerda (48′). Logo a seguir, Horníček voltou a ser herói: Gabri Martínez fez falta sobre James McAtee no interior da grande área, o árbitro assinalou grande penalidade e o guarda-redes checo parou o remate de Gibbs-White (53′), mantendo o nulo.

Um nulo que se manteve por meros segundos. No lance seguinte, com o Nottingham Forest ainda de cabeça algo perdida, Ricardo Horta apareceu na área e procurou cruzar, com Ryan Yates a desviar para a própria baliza quando tentava intercetar (54′). Os ingleses reagiram e ficaram perto do empate em três ocasiões em poucos minutos: Yates cabeceou por cima (56′), Gibbs-White atirou por cima na cara do guarda-redes (58′) e Ola Aina, de longe, atirou em cheio na trave da baliza (61′).

Carlos Vicens respondeu a partir do banco e lançou João Moutinho e Pau Víctor, com o avançado espanhol a rematar ao poste instantes depois de entrar (66′). Sean Dyche apostou em Callum Hudson-Odoi, Neco Williams e Elliott Anderson, três habituais titulares, Gibbs-White e Yates tiveram oportunidades para marcar (78′ e 83′), mas já nada mudou até ao fim — e Anderson até acabou expulso já nos descontos, com cartão vermelho direto e por palavras dirigidas ao árbitro.

O Sp. Braga venceu o Nottingham Forest na Pedreira, somou a quinta vitória em sete jornadas da Liga Europa e garantiu que no pior dos cenários estará no playoff de acesso aos oitavos de final, podendo chegar diretamente à próxima ronda consoante o resultado do último encontro.