A véspera tinha sido marcada pela notícia da morte de Fernando Mamede que deixou o Sporting de luto pela perda de um dos maiores símbolos do ecletismo verde e branco, a manhã apareceu com várias notícias vindas de Itália que davam conta de um reforçar de interesse do Nápoles em Alisson Santos. E as premissas eram claras: os leões tinham recusado uma primeira investida que apontava para um mero empréstimo, o conjunto italiano preparava uma nova incursão com uma opção de compra obrigatória logo depois dos seis meses de cedência, os valores podiam superar os 20 milhões de euros (dez vezes mais do que custou há meio ano), o brasileiro estaria aberto à saída percebendo que podia ter menos espaço em Alvalade. Quase por destino, foi o antigo ala que jogava em Leiria (num dia em que foi o distrito que mais sofreu com a depressão Kristin) que entrou a três minutos dos 90′, nunca deixou de acreditar e ofereceu a vitória em Bilbau aos 90+4′.

Pedro continua a ser a melhor bússola do Casio de 20 euros que ganhou à Mamede (a crónica do Athl. Bilbao-Sporting)

Alisson só sabe marcar na Liga dos Campeões, tendo “pago” e com muitos juros à mistura os dois milhões de euros que a SAD verde e branca investiu com um golo ao Kairat que aumentou a expressão da goleada, um golo que decidiu a receção ao Marselha e mais um golo que voltou a dar a vitória frente ao Athl. Bilbao. Foi a terceira vitória consecutiva dos leões aos 90′ ou descontos, depois dos triunfos com PSG e Arouca, mas foi sobretudo uma vitória que tão cedo não será esquecida tendo em conta o peso histórico que teve.

Por um lado, e 18 jogos depois, o Sporting conseguiu ganhar pela primeira vez em Espanha, “vingando” aquilo que sido o desaire em San Mamés de 2012 que impediu que os leões chegassem à final da Liga Europa. Por outro, carimbou aquela que é já a temporada com mais vitórias do conjunto de Alvalade na Liga dos Campeões, num total de cinco (com 110 jogos distribuídos por várias épocas). Por fim, regressou também aos oitavos da Liga dos Campeões quatro anos depois, tornando-se a primeira equipa portuguesa a furar o domínio das principais ligas para assegurar uma posição no top 8 neste novo formato da competição iniciado em 2024 com o segundo encontro em solo espanhol em que conseguiu marcar três ou mais golos.

Para coroar uma noite épica de festa rija no relvado e no balneário, o Playmakerstats destaca outro feito histórico conseguido pelo Sporting: 17 golos numa só edição da Liga dos Campeões, num registo que baixa um pouco em relação ao que tem na Primeira Liga mas não deixa de ter mais de dois golos/jogo na Europa.

“Antes de mais, quero deixar uma palavra de agradecimento aos milhares de sportinguistas que estiveram em casa, hoje sentimos essa energia e a força deles para vencermos e criarmos algo histórico para o Sporting e para o país. Não há palavras para os meus jogadores, eles são incríveis. São uma grande equipa e um grande coletivo. Conquistámos o nosso objetivo e é extraordinário, não há palavras para falar sobre o que eles trabalham. Apesar de todos os contratempos, a malta continuou a acreditar até ao fim. Quantas vezes olhei para o meu Casio? Olhei algumas vezes… Mas foi porque acreditava que a equipa ia conseguir virar o jogo. A atitude competitiva mudou da primeira para a segunda parte, a malta que entrou desde o banco também ajudou. Não há palavras para falar sobre a grandeza destes jogadores”, destacou Rui Borges.

“Substituições? Faltava-nos um bocadinho de energia. Ao intervalo, para retificar em termos defensivos, não tinha de retificar nada. O Athletic criou perigo através de passes falhados e bolas perdidas. Em nível ofensivo é que tínhamos de ser mais fortes. A malta percebeu o que tinha de fazer e fê-lo bem. Até onde vai o nosso sonho? Não sei. O sonho é disputar o próximo jogo. Ganhámos algum respirar no nosso calendário, que é importante também. Agora é focar no Nacional, depois olhamos para Champions. Independentemente de quem for, vamos querer bater e competir. Seja quem for. O apuramento direto para os oitavos é algo extraordinário. Para além de ganhar, mostraram a qualidade que existe no Sporting. São enormes e só uma grande equipa consegue fazer estes feitos”, concluiu ainda o treinador leonino em declarações à SportTV.

“Tivemos personalidade do início ao fim. Faltou-nos proatividade com bola, porque é uma equipa muito intensa e coesa na pressão. Faltou-nos provocar mais a profundidade. Estávamos presos no pensamento, com e sem bola. Estávamos pouco proativos, não sei se foi por sofrermos um golo na etapa inicial, num grande ambiente. Quando melhorámos um bocadinho, tivemos a perda do Inácio, depois sofremos logo golo. Na segunda parte melhorámos alguns comportamentos simples. As substituições também entraram bem. O Morita não se esconde, antecipa decisões, o Pote é um jogador acima da média, é extraordinário e a equipa fica diferente com ele, não há como fugir. O Diomande também estava a fazer um bom jogo e o Edu [Quaresma] quando entrou percebeu o que a equipa estava a precisar. Eles sabem que são importantes e os companheiros confiam. O Alisson entrou bem porque neste tipo de jogos dá-nos isto: 10/15 minutos em que é fortíssimo, tem mais espaços. Tem de crescer noutras coisas, se calhar nos jogos internos, onde não tem tanto espaço no 1×1. Nestes jogos tem sido um jogador importantíssimo”, apontou depois na conferência.

“Se o segredo é a ambição? A ambição da equipa, a amizade, o respeito que têm uns pelos outros enquanto equipa. Foi o coletivo que nos trouxe aqui. Foi o coletivo que ganhou o jogo hoje. Acima de tudo, é o coletivo, a ambição que têm. Não se cansam de ganhar. Não se satisfazem só com o ganhar, têm a ambição de ganhar, mas de mostrar sobretudo que merecem ganhar. Daí eu dizer que não tenho palavras para descrever o orgulho que tenho em todos os jogadores”, concluiu Rui Borges na sala de imprensa do San Mamés.

[Esta é a história de como dezenas de portuguesas se juntaram a mulheres de vários outros países e se tornaram seguidoras de uma seita controlada por um guru manipulador. Recrutadas numa escola de yoga em Lisboa, muitas acabaram em casas de massagens eróticas ou a serem filmadas em cenas de sexo e orgias. “Os segredos da seita do yoga” é o novo Podcast Plus, do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]