Depois do brilho intenso que iluminou a Seleção na sequência do histórico triunfo frente à Dinamarca em Herning, naquele que foi o resultado mais surpreendente de todo o Europeu que confirmou todos os elogios feitos no plano internacional ao conjunto nacional, a entrada na main round foi apagando essa luz com o passar dos encontros. Houve um eclipse total na pesada derrota com a França, houve momentos sombrios nas partidas com Alemanha e Noruega em forma de pormenores que impediram resultados bem diferentes do que a derrota e o empate, respetivamente. O sonho de voltar às meias-finais de uma grande competição como acontecera no último Mundial acabou por ruir, a possibilidade de se agarrar ainda ao que estava em causa mesmo dependendo de terceiros não foi renegada. Os Heróis do Mar foram… Heróis do Mar.

No primeiro de três obstáculos numa conjugação quase cósmica para ter ainda a oportunidade de discutir o quinto lugar no Campeonato da Europa, que seria a melhor participação de sempre da Seleção na prova na sequência da inédita quarta posição no Mundial, Portugal apresentou a sua melhor versão defensiva contra a Espanha, contou com dois guarda-redes com elevadas percentagens de eficácia para a média nos seis jogos anteriores e conseguiu a vitória mais folgada de sempre no duelo ibérico, naquele que foi também o quarto triunfo nos últimos cinco compromissos (oficiais e particulares) diante da formação espanhola. Esse primeiro passo estava dado, com a equipa a tomar banho e a ficar depois à espera do que traria o destino.

Segundo passo: o confronto histórico entre Alemanha e França. As duas equipas estavam na luta por uma vaga nas meias-finais com vantagem de dois pontos para os germânicos, sendo que um empate valeria como uma derrota para os gauleses tendo em conta que cairiam para a discussão da quinta e sexta posições neste Europeu. Era o encontro grande da última jornada, acabou como maior espectáculo da última jornada… e com Portugal a sorrir com o resultado final: Andreas Wolff até teve uma noite menos inspirada com apenas quatro defesas (tantas como o suplente David Späth mas com mais remates), Dika Mem e Hugo Descart fizeram juntos 20 golos mas a recuperação dos até hoje campeões em título, que saíram a perder por 19-15 ao intervalo e chegaram a estar com cinco golos de atraso até chegarem ao 27-26, acabou por chocar com a melhor exibição de Juri Knorr neste Europeu, marcando dez golos para o triunfo por 38-34.

O grupo I ficava com as contas mais claras: a Alemanha estava nas meias-finais, a Dinamarca tinha de vencer a Noruega para passar na primeira posição do grupo, a campeã França saía sem glória de Herning com um modesto sétimo posto, Portugal continuava à espera para saber quem acabava em terceiro daquele que todos chamavam de “grupo da morte” tendo em conta o currículo de todas as equipas presentes em comparação com o que se passava com o grupo II, que entretanto apurara a Croácia (vitória por 27-25 com a Hungria) e a Islândia (triunfo por 39-31 diante da Eslovénia) relegando a Suécia para o terceiro posto ainda antes do jogo que fechava essa poule que se realiza em Malmö frente à já eliminada Suíça. Tudo ficava mais perto…

Tinha sido uma jornada marcada pelas dificuldades. As lesões de Diogo Rêma e Miguel Espinha que tiveram o condão de reduzir e muito as opções para a baliza (foram chamados Gustavo Capdeville, Diogo Valério e Pedro Tonicher), as ausências de elementos importantes como Miguel Martins ou Alexandre Cavalcanti, um novo passo na renovação da equipa com elementos que foram vice-campeões mundiais Sub-21 no último ano mas que necessitam de tempo para se consolidarem na equipa A, o vermelho a Victor Iturriza que afastou o pivô da partida com a Alemanha, os problemas físicos que assolaram Francisco Costa e Luís Frade antes do duelo com a Noruega. Apesar de tudo isso, Portugal estava próximo de discutir o top 5 da prova.

Faltava esse último passo que, na teoria e para quase toda a imprensa internacional, já não deveria sequer “existir”. Porquê? Porque, em condições normais, a Dinamarca estaria apurada com 100% de triunfos, algo que não aconteceu porque Portugal voltou a escrever uma página histórica ainda na fase inicial com um 31-29 que acalentou a esperança nacional. Ao todo, a Seleção fechou a main round com um total de três vitórias, dois empates e duas derrotas, sendo que para aquilo que “contava” chegou aos cinco pontos. Era isso que, agora, podia valer o acesso à partida pelo quinto lugar na sexta-feira às 14h. E a festa começou cedo.

A Dinamarca não deu qualquer hipótese à Noruega, saindo a ganhar por três golos de vantagem ao intervalo antes de disparar de forma confortável no resultado para uma goleada por claros 38-24 com outra exibição monstruosa de Emil Nielsen na baliza e sete golos cada do inevitável Mathias Gidsel e Emil Jakobsen. Assim, os dinamarqueses vão defrontar a Islândia nas meias-finais, ao passo que Croácia e Alemanha vão discutir a outra vaga na decisão. Já Portugal continua em Herning em busca de (mais) história, neste caso com 60 minutos pela frente para poder desafiar a Suécia (34-21 à Suíça) em busca do quinto lugar no Euro.

[Esta é a história de como dezenas de portuguesas se juntaram a mulheres de vários outros países e se tornaram seguidoras de uma seita controlada por um guru manipulador. Recrutadas numa escola de yoga em Lisboa, muitas acabaram em casas de massagens eróticas ou a serem filmadas em cenas de sexo e orgias. “Os segredos da seita do yoga” é o novo Podcast Plus, do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]