O pior já passou, mas a cautela deve manter-se. Com a tempestade Kristin a deixar um rasto de destruição, sobretudo no centro do país, e a fazer já seis mortos, Luís Montenegro quis deixar alertas para os próximos dias e garantir que o Governo já está mobilizado no terreno — até porque tem de avaliar e decidir se declara ou não estado de calamidade em Leiria, como o autarca Gonçalo Lopes pediu.
Dada a gravidade da situação, Luís Montenegro deslocou-se ao lado da ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, à sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil para ouvir o ponto de situação a meio da tarde. Depois falou aos jornalistas para assegurar que tem estado em contacto com as autoridades durante todo o dia, também para haver uma “preparação para os próximos dias”.
Isto porque, embora não se antecipem momentos tão dramáticos como os que levaram às ocorrências mais graves desta madrugada, vai continuar a haver “precipitação, ventos fortes e agitação marítima”, alertou, pelo que todas as recomendações devem ser acatadas para que não haja novas consequências. O facto de os terrenos estarem muito saturados e de os impactos da tempestade ainda não estarem “normalizados” faz com que mesmo um fenómeno menos extremo possa levar ainda assim a uma “elevada preocupação”.
Sobre o pedido de Leiria para que seja declarado o estado de calamidade, o primeiro-ministro frisou este que está a ser avaliado e que não exclui nada, mas também não vai tomar medidas “sem a devida fundamentação”. Essa decisão deve ser tomada quando, ainda esta quarta-feira, o Governo for avaliar várias localidades no terreno — para Leiria serão destacados Rui Rocha, secretário de Estado da Protecção Civil, e Silvério Regalado, secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território.
Já questionado sobre as capacidades do hospital de Leiria para se manter em funções (já limitadas) com recurso a gerador, o primeiro-ministro disse ter estado desde a primeira hora atento às necessidades de serviços públicos como este, garantindo que estão a ser tomadas todas as diligências para que não haja problemas no fornecimento de energia.
Montenegro quis ainda reiterar o lamento e pesar pelas vítimas mortais e registar a “prontidão” com que as ocorrências foram enfrentadas pelo sistema de proteção civil, “que começou a operar ainda antes do evento, com todas as ações preventivas”.
Quanto a possíveis compensações pelos danos causados pela tempestade Kristin, ainda não há novidades: o primeiro-ministro esclareceu que repor a normalidade é a preocupação prioritária, estando em contacto com as autarquias e fazendo depois o levantamento dos danos. Espera-se depois o “desenrolar de mecanismos” de compensação (primeiro os seguros normais, depois “eventuais medidas de política pública para que a vida continue com o menor impacto possível”).
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