Depois da pesada derrota com a França era preciso quase um “milagre”, após o empate com a Noruega ficou a ser necessário mais do que um “milagre”. A inglória igualdade de Portugal na penúltima jornada da main round frente aos escandinavos deitou por terra a possibilidade de chegar ainda às meias-finais do Europeu mas, dentro de uma conjugação certa de resultados, e perante essa oportunidade que ficou em aberto com o surpreendente deslize de França diante da Espanha, havia ainda uma pequena esperança de chegar à terceira posição do grupo I para discutir um histórico quinto lugar na prova. Sabia a pouco perante tudo aquilo que os Heróis do Mar conseguiram fazer e tiveram oportunidade de alcançar, podia saber a muito no final de uma competição com altos e baixos a vários níveis. No entanto, e mais do que nunca, não havia “margem”.
“O empate frente à Noruega soube a vitória, tendo em conta também alguns condicionalismos que tivemos para preparar o jogo, sem podermos contar a 100% com dois atletas [Francisco Costa e Luís Frade] que são jogadores chave para a nossa equipa. Um deles fez um jogo fantástico, mesmo com alguns condicionalismos, e depois o Kiko também, quando entrou. Portanto, se calhar por um lado soube um bocadinho a pouco, nós jogámos mesmo bem. Este é o Portugal que nós gostamos de ver e queremos, mas depois existem pequenos detalhes que fazem com que a vitória caia para um lado ou para o outro”, comentara Paulo Jorge Pereira depois dessa igualdade a 35 frente à Noruega, num encontro em que Diogo Valério engatou na baliza na segunda parte, Portugal chegou a ter três golos de vantagem mas não conseguiu depois segurar o avanço.
A CLOSE GAME till the end! ???????????????????? Norway and Portugal tie in Herning.????
Goal-machine today, Luís Frade is the @grundfos Player of the Match ⭐
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— EHF EURO (@EHFEURO) January 26, 2026
Por aí, soube a pouco. Pela reação da equipa após o eclipse na derrota com a França, pelos condicionalismos que não impediram que Luís Frade terminasse o encontro esgotado mas com o prémio de MVP entre os 11 golos e pela réstia de esperança que sobrou ainda para a derradeira jornada, tinha o seu valor. Um valor que, esta quarta-feira, teria de ser confirmado frente à Espanha, uma equipa também em renovação que perdeu por margens curtas contra Alemanha, Noruega e Dinamarca antes de surpreender os atuais campeões em título, a França. A eliminação já estava garantida, a Roja soltou-se das “amarras” e era nesse contexto que tentava também fechar a participação no Europeu vingando os desaires recentes com a Seleção.
The last day of the main round has come. ✊
Brace yourselves for no less than 6⃣ important matches today. ????#ehfeuro2026 #puregreatness pic.twitter.com/uTfCdP3jHp
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“Vêm com tanta vontade de nos vencer como nós temos vontade de vencer. É uma rivalidade histórica entre Portugal e Espanha. Temos amigos cá fora mas lá dentro nós esquecemos disso. Queremos muito, muito, muito ganhar. Eles fizeram excelentes resultados na história recente, em que até ganharam dois Europeus. É uma seleção muito forte, experiente e vai ser um hino à modalidade. O Euro é tradicionalmente muito forte, sobretudo este grupo. São só equipas que nos últimos anos foram campeãs europeias, mundiais, que ganharam títulos ou medalhas. Nós somos os únicos que estamos muito próximos disso acontecer e estamos a bater-nos, dia após dia, com eles. Tem sido uma montanha russa de emoções e de resultados”, apontara o ponta do Sporting Diogo Branquinho antes do reencontro com três companheiros de equipa em Alvalade, Natan Suárez, Jan Gurri e Victor Romero, além do pivô Javier Rodríguez, que joga no Benfica.
Lutar até ao fim porque ainda há caminho por desbravar. ???????????????????? ????????????????́???????? ???????? ????????????! ????????????#PorMaresNuncaDantesNavegados #HeroisDoMar #PureGreatness pic.twitter.com/MA5M62m3eG
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Eles não gostaram de perder em casa, obviamente, e nós gostámos de lhes ganhar na preparação porque são sempre bons indicadores. Mas vão ser dois jogos completamente diferentes, ou seja, não quer dizer nada termos ganho num torneio de preparação. Estamos preparados”, frisou.
???????? Denmark qualified for the semi-finals. ???????????????? France and Germany will face each other on Wednesday for a decisive match. ????????#ehfeuro2026 #puregreatness pic.twitter.com/lbXjO75ITD
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Branquinho recordava o último duelo com os espanhóis, num torneio internacional realizado em Pamplona antes do Europeu, em que Portugal conseguiu pela terceira vez em quatro jogos bater a Espanha. Ao longo de muitos anos, a Seleção nunca soube o que era ganhar frente ao rival ibérico mas, de 2021 para cá, a realidade mudara, com triunfos não só em jogos particulares mas também oficiais, como aconteceu no Mundial do ano passado. Agora, os Heróis do Mar mostraram mais uma vez que aquilo que era uma exceção se tornou uma regra, com nova vitória num jogo onde só não esteve na frente nos minutos iniciais que mantém esse sonho de chegar ao top 5 mediante os resultados no Alemanha-França e no Dinamarca-Noruega. Tão ou mais importante, mostraram que este Campeonato da Europa após o último Mundial é só o início e não um fim. E com esse “pormenor”: essa esperança foi carimbada com o triunfo mais folgado de sempre frente à Espanha.
???????? Portugal conclude the main round with a win ????
They now have to wait to find out whether they will play the 5/6 placement match.Martim Costa is the @grundfos Player of the match ????#ehfeuro2026 #puregreatness #handball @RFEBalonmano @AndebolPortugal pic.twitter.com/vTdMk5aqVB
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O jogo começou de forma incaracterística, com a Espanha a ter algumas falhas técnicas e remates falhados e Portugal a explorar as situações de pivô com Luís Frade para ganhar sete metros convertidos por António Areia. No entanto, e um pouco à semelhança do que acontecera em alguns momentos das partidas com a Alemanha e a Noruega, a Seleção não aproveitou na totalidade esse arranque titubeante dos espanhóis, com Sergey Hernández a ter três grandes defesas inclusive a situações de 1×0 e a falta de rotação entre defesa e ataque a não se propriamente proveitoso para o conjunto nacional. O que valia? A organização defensiva do conjunto de Paulo Jorge Pereira, que permitiu uma vantagem inicial de dois golos nos dez minutos iniciais (5-3). Diogo Valério também não quis ficar atrás do antigo guarda-redes do Benfica agora no Magdeburgo, com percentagens baixas de eficácia no ataque mas com Portugal a vencer por 7-4 com 13 minutos de jogo.
Cheeky spin from Javier Rodríguez ????????????#ehfeuro2026 #puregreatness @RFEBalonmano pic.twitter.com/tTx8GVf4BI
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Diogo Valério is on fire ????????????
43% save efficiency after 25 minutes ????#ehfeuro2026 #puregreatness @AndebolPortugal pic.twitter.com/LEx6AGSfb2
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Jordi Ribera teve de parar a partida para “acalmar” a Espanha, demasiado precipitada e a cometer mais erros do que fizera por exemplo com a França também por ter essa pressão de jogar por uma vaga no quinto/sexto lugares mas continuou a ser a Seleção Nacional a dominar a partida, com Diogo Valério com uma eficácia de 50% na baliza a contribuir para um parcial de 4-0 que colocou o resultado em 9-4 aos 15 minutos, altura em que os espanhóis mudaram o sistema defensivo para um 3:2:1 com Ian Barrufet na frente a “bloquear” Rui Silva e marcações mais subidas aos irmãos Costa. Problema? Quando mais subida estava a defesa, maiores problemas de organização existiam mas mais espaço sobrava para Francisco Costa, que foi somando golos para manter e consolidar o avanço de Portugal entre a diferença de 7-4 nas perdas de bola. O intervalo chegou com uma vantagem de quatro golos (16-12) e Kiko a levar seis golos (mais quatro de Martim).
ONCE AGAIN, Sergey Hernández DELIVERS for Spain ???????????? ????#ehfeuro2026 #puregreatness @RFEBalonmano pic.twitter.com/XKwR0owYDx
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????????????????-???????????????? ⚡️ ???????? 12:16 ????????
Entertaining game in Herning. Portugal have the lead at the break. ????#ehfeuro2026 #puregreatness @AndebolPortugal @RFEBalonmano pic.twitter.com/YXuPB93yYg— EHF EURO (@EHFEURO) January 28, 2026
A segunda parte começou com pontos de contacto com o primeiro tempo. Gurri continuava a ser a melhor solução ofensiva da Espanha, os ataques rápidos eram uma arma para Portugal para desmontar as variações defensivas contrárias. A Seleção chegou mesmo a um avanço de seis golos numa fase em que Víctor Romero cumpria exclusão (22-16), teve depois um momento mais complicado quando Rui Silva foi excluído por dois minutos já com a margem por apenas quatro golos (23-19) mas foi conseguindo manter esse avanço, com a Espanha a falhar três ataques consecutivos por erros técnicos ou remates ao lado e João Gomes a ter mais uma grande finta de corpo para recolocar o avanço no cinco golos. Gustavo Capdeville entrou também para a baliza, numa fase de menor fulgor de Valério, e os 45′ chegaram com essa vantagem segura de 26-21.
Always FOCUS ???? Just like Leonel Fernandes ????????????#ehfeuro2026 @AndebolPortugal pic.twitter.com/VRVMluurLm
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Portugal dependia apenas de si não só para assegurar a vitória mas também para minimizar o saldo negativo de golos que tinha (134-142), muito por culpa da pesada derrota frente à França e antevendo as contas para as partidas que se seguiriam no Europeu, nomeadamente o Alemanha-França e o Dinamarca-Noruega. Paulo Jorge Pereira parava de novo o encontro com o avanço nos cinco golos a dez minutos do fim, experimentando situações ofensivas de 7×6 que permitiam ataques mais longos e “controlados” com esse risco de não haver guarda-redes na baliza. Victor Iturriza assumiu nesse período um maior protagonismo, conseguindo marcar o 30-23 que deu pela primeira vez sete golos de vantagem a Portugal, com a partida a fechar com a vitória por 35-27 com sete golos de Kiko, seis de Martim e António Areia e grandes percentagens de eficácia não só de Diogo Valério (28%) mas também de Gustavo Capdeville (38%). Agora, é esperar que a Alemanha ganhe à França e que a Noruega não vença a Dinamarca. Assim, Portugal ainda pode lutar por mais…
Enjoy one more time Spain's future: Marcos Fis ????????????@RFEBalonmano #ehfeuro2026 #puregreatness pic.twitter.com/2HRLcETBRT
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©️ Eva Manhart / Jure Erzen / kolektiff#PorMaresNuncaDantesNavegados #HeroisDoMar #PureGreatness pic.twitter.com/fXP9dBSv9G— Federação de Andebol de Portugal (@AndebolPortugal) January 28, 2026