Serena Williams sempre teve a capacidade de utilizar as palavras a seu favor. Em 2022, quando escreveu a carta publicada na revista Vogue onde anunciou que iria deixar os courts, recusou utilizar a palavra “retirada”. Preferiu “evolução”. E é essa nuance, preparada, ponderada e estratégica, que permite continuar a sonhar com um mundo em que Serena Williams volta a pegar numa raquete.

Esta quinta-feira, esse mundo parece um pouco mais próximo — ainda que sempre com as indefinições do costume e, mais uma vez, com cada palavra pensada ao milímetro. No “Today Show” da NBC, um insuspeito programa matinal da televisão norte-americana, Serena Williams foi confrontada com a possibilidade de voltar a competir. E, mais uma vez, voltou a não ser totalmente clara. 

“A sério? Estás mesmo a perguntar-me isto no ‘Today Show’? Oh meu Deus”, começou por responder. “Estou só a divertir-me e a aproveitar a minha vida, neste momento. Isso não é um sim nem um não. Não sei. Vou ver o que acontece, apenas. Tenho duas filhas. Sou mãe a tempo inteiro. No outro dia preenchi um formulário e onde perguntava qual era a minha ocupação escrevi ‘dona de casa'”, atirou a tenista de 44 anos.

Ainda assim, a apresentadora Savannah Guthrie não desistiu e lembrou o facto de, ainda no passado mês de dezembro, Serena Williams ter dado um aparente primeiro passo rumo ao regresso aos courts: reentrou na lista antidoping da Agência Internacional para a Integridade no Ténis, ou seja, mostrou-se disponível para realizar testes antidoping em dias aleatórios e sem aviso prévio. Aparentemente, a norte-americana parecia querer dizer ao mundo que estava a preparar-se para voltar a competir.

“Mal falei sobre isto com o meu marido, é um tabu.” 23 Grand Slams depois, Serena Williams vai terminar a carreira após o US Open

Na altura, face ao caos mediático que rapidamente foi criado, a tenista foi muito rápida a reagir nas redes sociais e afastou a ideia. “Oh meu Deus, malta, eu NÃO vou voltar. Este incêndio é louco”, escreveu. Agora, pouco mais de um mês depois e face à insistência de Savannah Guthrie, não foi tão clara. “Reentrei na lista? Não sei se cheguei a estar fora. Ouçam, não posso discutir isto”, sublinhou.

Serena Williams despediu-se do ténis profissional no US Open de 2022, quando perdeu na terceira ronda com Ajla Tomljanovic, e um eventual regresso à competição tem sido muito associado ao novo modelo de pares mistos do Grand Slam norte-americano — que na edição de estreia, em agosto e setembro do ano passado, juntou Carlos Alcaraz a Emma Raducanu, Belinda Bencic a Alexander Zverev, Gael Monfils a Naomi Osaka ou Casper Ruud a Iga Swiatek. Além disso, existe sempre a possibilidade de a tenista recuperar a bem sucedida dupla com a irmã mais velha, Venus, que ainda compete.

Aos 44 anos, Serena Williams é ainda o grande nome da história recente do ténis feminino, tendo conquistado 23 Grand Slams — ficando apenas a um do recorde ainda vigente de Margaret Court, que jogou antes da era Open. Liderou o ranking WTA durante 319 semanas, o terceiro maior registo de sempre, e ao lado de Venus Williams carimbou outros 14 Grand Slams em pares, sendo a única tenista da história a vencer os quatro majors em singulares e duplas. Pelo meio, foi ainda campeã olímpica em Londres, em 2012, e também venceu o ATP Finals em cinco ocasiões.

Também esta quinta-feira, pouco depois de vencer Elina Svitolina para chegar à final do Open da Austrália, Aryna Sabalenka foi questionada sobre a possibilidade de Serena Williams regressar à competição. “Ouvi dizer que ela tem estado a aproveitar a vida. O que a fizer feliz também me deixa feliz por ela. Se ela quiser regressar, a decisão é dela. Vai ser divertido vê-la de volta ao Tour. Ela tem personalidade e é divertida. Vai ser fixe”, atirou a tenista bielorrussa, que vai defrontar a cazaque Elena Rybakina na final do próximo sábado em Melbourne.