Bernardo Fontes. Foi o nome que se evidenciou no Benfica-Tondela da primeira volta. Voltou a ser o nome em destaque na visita do Sporting ao Estádio João Cardoso. Repetiu a façanha aquando da viagem do FC Porto à zona centro. E, como não podia deixar de ser, reapareceu no reencontro deste domingo frente às equipas. Nesses quatro jogos, o Tondela não conseguiu vencer nenhum foi goleado em dois e só pontuou no duelo desta 20.ª jornada. Ao todo, sofreu oito golos, mas conseguiu um notável registo de 34 defesas nos jogos do Campeonato frente aos grandes. Na visita deste domingo a Tondela, José Mourinho voltou a lançar Daniel Banjaqui e António Silva no seu onze e acabou por dominar um jogo equilibrado em termos de oportunidades, embora as águias tenham desequilibrado a balança na etapa complementar. Ainda assim, ninguém conseguiu superar o guarda-redes brasileiro, que segurou um importante ponto para os auriverdes (0-0).

Não há Trubin que salve uma águia que teima em esbarrar na Fonte(s) depois das noites de gala (a crónica do Tondela-Benfica)

Antes de uma jornada que pode ser decisiva nas contas finais desta Primeira Liga, as águias voltaram a claudicar e podem terminar a ronda a 12 pontos do líder FC Porto, sendo certo que vai acabar a cinco pontos do Sporting, deixando, assim, de depender de si para entrar nos lugares de acesso à Liga dos Campeões. Este foi o segundo nulo do Benfica nesta edição do Campeonato, algo que não acontecia há 12 jornadas, desde o clássico do Dragão. Há 17 anos que a equipa da Luz não tinha tantos empates (sete) ao cabo de 20 jornadas. Para além disso, os encarnados levam agora oito pontos perdidos frente a quatro dos últimos seis classificados (Santa Clara, Rio Ave, Casa Pia e Tondela). Em termos individuais, Bruma voltou aos relvados sete meses depois de se ter lesionado. Foi a primeira vez que os tondelenses pontuaram frente ao Benfica no Estádio João Cardoso, ao cabo de oito jogos.

“Aquilo que receava era precisamente uma ressaca emocional do jogo de quarta-feira, com falta de concentração ou alguma sobranceria, mas foi exatamente o contrário. A equipa fez tudo para ganhar e merecia outro resultado. Como disse aos jogadores, não acuso ninguém de falhar golos… foi a única coisa negativa que fizemos. Criámos muito, mas falhámos demasiado. Fizemos de tudo para vencer e não conseguimos. Nos minutos finais, o nervosismo é natural, até porque, hoje em dia, qualquer jogo vai quase sempre para sete ou oito minutos de compensação e hoje [domingo] havia motivos para mais. O Luís Godinho deu cinco minutos, que nem chegaram a ser cinco. Alterámos o perfil da equipa nesses últimos minutos. O miúdo [Anísio Cabral] entrou bem, deu presença na área, jogou de costas para a baliza e foi uma boa referência, mas não resultou. Não gosto muito de falar em sorte ou azar… faltou eficácia”, começou por dizer José Mourinho na flash-interview da sport tv.

“A equipa continua a jogar bem, como já joga há várias semanas. O facto de ficarmos mais longe dos rivais não afeta o nosso trabalho diário. A nossa seriedade não muda. Vamos continuar o nosso caminho, com a tristeza natural de um resultado negativo. Pontos perdidos? Tem peso. Chegámos a este momento sem nenhuma derrota, mas estes empates são pontos perdidos. Pode haver nota de culpa em alguns jogos, em que entregámos pontos. Hoje, sinceramente, não consigo apontar o dedo aos jogadores”, concluiu o Special One.