Apareceu o suspeito improvável na noite de todas as decisões. Na passada quarta-feira, o Estádio da Luz viveu um dos pontos mais altos da secular história europeia do Benfica. Tudo começou com o reencontro com o Real Madrid mais de seis décadas depois do último jogo oficial entre os gigantes de Portugal e Espanha. Continuou com mais uma vitória frente à poderosa equipa madrilenha, num resultado que começou a ser construído na reta final da primeira parte e prosseguiu no arranque da segunda. Apesar de Kylian Mbappé ainda ter reduzido, a vitória encarnada parecia praticamente certa na reta final do jogo. Contudo, faltava um golo para assegurar o apuramento para a fase a eliminar da Liga dos Campeões. Foi aí que Anatoliy Trubin apareceu para fazer o 4-2 na última jogada da partida e dar aos mais de 60 mil benfiquistas presentes na Luz um momento para recordar durante toda a vida. Agora, no que respeita à principal prova europeia de clubes, segue-se novo embate com os blancos.
Quatro dias depois daquela memorável noite, a bitola vermelha e branca voltava a virar-se para as provas nacionais, onde a equipa de José Mourinho tem mostrado uma irregularidade que lhe custou o terceiro lugar, a dez pontos do líder FC Porto, no arranque da segunda metade do Campeonato Nacional. Antes da visita à zona centro do país, que tem estado em destaque nos últimos dias pelos piores motivos, o Benfica vinha numa sequência de duas vitórias seguidas, tendo apontado quatro golos nesses dois jogos. Apesar do desgaste do jogo frente aos merengues, perspetivavam-se poucas mudanças no onze do Special One, que voltava a contar com Sidny Lopes Cabral nas suas opções. Enzo Barrenechea era outro dos nomes que podia entrar na equipa inicial lisboeta.
“O dia seguinte [à vitória frente ao Real Madrid] foi livre, algo que não tinham há muito tempo. Foi importante para acabar com esse jogo. Tivemos mais um dia para pensar e reviver, meter na gaveta, e agora é pouco tempo de trabalho, mas os três dias entre jogos é o que consideramos o mínimo ideal para podermos responder bem. O jogo com o Tondela vai ser em condições difíceis. C campo não estará famoso, mas temos de ir. É um adversário que vai lutar pelos seus objetivos, como nós pelos nossos. Estão numa situação difícil, mas que conhecem bem. As equipas que são promovidas, normalmente, no primeiro ano, têm sempre épocas difíceis e lutam até aos últimos jogos. Vimos os jogos que o Tondela realizou em sua casa, principalmente o último com o Sp. Braga em que podiam ter ganhado, mas tiveram a infelicidade de falhar um penálti. Vão ser competitivos e merecem todo o nosso respeito”, antecipou o treinador setubalense à BTV.
Ficha de jogo
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Tondela-Benfica, 0-0
20.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio João Cardoso, em Tondela
Árbitro: Luís Godinho (AF Évora)
Tondela: Bernardo Fontes; Bebeto, Christian Marques, Brayan Medina, Nor Maviram (Tiago Manso, 63’); Yaya Sithole, Cícero Alves, Joe Hudge (Pedro Maranhão, 66’); Rodrigo Conceição, Makan Aïko e Jordy Siebatcheu (João Afonso, 90+2’)
Suplentes não utilizados: Lucas Cañizares; Hélder Tavares, Xabi Huarte, Arjen van der Heide; Juan Rodríguez e Hugo Félix
Treinador: Cristiano Bacci
Benfica: Anatoliy Trubin; Daniel Banjaqui (Sidny Lopes Cabral, 62’), António Silva, Nico Otamendi, Samuel Dahl; Leandro Barreiro, Fredrik Aursnes; Gianluca Prestianni (Anísio Cabral, 82’), Giorgi Sudakov (Bruma, 82’), Andreas Schjelderup (Rafa Silva, 62’); Vangelis Pavlidis
Suplentes não utilizados: Diogo Ferreira; Enzo Barrenechea, Franjo Ivanovic, Manu Silva e Tomás Araújo
Treinador: José Mourinho
Golos:
Ação disciplinar: cartão amarelo a Sithole (36’), Maviram (42’), Christian (60’), Cañizares (72’) e Conceição (80’)
A formação tondelense partiu para esta 20.ª jornada em situação bastante distinta, já que ocupava o 17.º e penúltimo lugar, com apenas 12 pontos. Para além disso, o Tondela vinha de três derrotas consecutivas, sem ter marcado um único golo, e tinha perdido seis dos últimos sete jogos. O ataque tem sido, precisamente, um dos problemas da equipa de Cristiano Bacci, que tinha marcado apenas 12 golos. “Vimos de uma derrota, de um jogo que não foi positivo, sobretudo na segunda parte. Faltou garra, compromisso e atitude. Como já disse, não é pelo adversário que vamos mudar o comportamento durante a semana. Complicámos a vida ao FC Porto e ao Sp. Braga. Vamos encarar o Benfica da mesma forma, sem medo, tentando jogar o nosso futebol, mas com respeito pelo Benfica. Sabemos que é uma equipa muito forte, que está na luta pelo título de campeão. Vamos jogar o nosso futebol”, explicou o italiano.
A nossa casa ????????????#SóTondela #CDTSLB pic.twitter.com/HTPSBxOKYr
— CD Tondela (@CDTondela1933) February 1, 2026
Como seria de esperar, José Mourinho apresentou duas novidades no onze inicial do Benfica, ambas no centro da defesa, com o campeão do mundo de Sub-17, Daniel Banjaqui, a repetir a titularidade da última jornada, com Amar Dedic a sair para a bancada, por conta de uma “sobrecarga muscular na coxa esquerda”. No centro da defesa, António Silva voltou a fazer dupla com Nico Otamendi, com Tomás Araújo a sair para o banco. No Tondela, Cristiano Bacci fez, igualmente, duas alterações em relação à jornada anterior, com Brayna Medina a render João Afonso e a juntar-se a Christian Marques no centro da defesa. No polo oposto, Jordan Siebatcheu voltou ao onze para ser a referência ofensiva, com Pedro Maranhão a saltar para o banco.
Num Estádio João Cardoso bastante composto, debaixo de uma enorme chuvada que dificultou a missão dos protagonistas, os auriverdes entraram com mais intensidade e a tentar surpreender os encarnados com o seu compacto 4x4x2 sem bola, com Joe Hudge a juntar-se a Siebatcheu na primeira linha de pressão. Nesse sentido, a primeira oportunidade saiu dos pés de Bebeto, que cruzou para a zona do primeiro poste, onde o ponta de lança apareceu sozinho para finalizar, mas Anatoliy Trubin estava atento, antecipou-se e socou o perigo (3′). Pouco depois, Gianluca Prestianni desequilibrou pelo corredor central e isolou Vangelis Pavlidis que, perante a saída de Bernardo Fontes, não conseguiu finalizar em condições, com Medina a ajudar na cobertura ao seu guarda-redes (9′). A partir daí, o jogo continuou equilibrado, com o Benfica com mais bola e quase a marcar por Prestianni, com Bernardo a agarrar junto ao relvado (21′).
Com o passar dos minutos, o guarda-redes brasileiro começou a agigantar-se na baliza tondelense e a ser preponderante no ataque. Numa jogada que parecia inofensiva, Fontes bateu para a frente, Samuel Dahl falhou a abordagem ao lance e permitiu que Rodrigo Conceição recuperasse junto à linha de fundo e cruzasse atrasado para o primeiro poste, onde Jordan Siebatcheu voltou a aparecer com perigo e desviou, com um primoroso toque de calcanhar, para a baliza, acertando em cheio no poste esquerdo da baliza de Trubin (25′). Na outra baliza, António Silva rasgou linhas com um passe pelo chão, Pavlidis baixou e abriu o espaço para o extremo argentino romper, só que o remate de Prestianni foi travado por uma grande intervenção do brasileiro (33′), que parou mais um remate logo a seguir, de Andreas Schjelderup (34′). A fechar a primeira parte, as águias beneficiaram de um penálti de Bebeto, mas o lance acabou revertido por Luís Godinho, que foi consultar as imagens (41′). No último lance de perigo, Banjaqui quase aproveitou um corte incompleto da defesa do Tondela, só que o seu remate, de fora da área, esbarrou em novo voo de Bernardo (43′). Assim, o nulo continuou a prevalecer (0-0).
A etapa complementar abriu na mesma toada que a primeira, com Rodrigo Conceição a ganhar espaço no corredor direito e a cruzar para o primeiro poste, onde Jordan Siebatcheu se voltou a antecipar aos centrais encarnados e desviou para fora (50′). No outro lado, uma bola bombeada para o ataque acabou por sobrar para Andreas Schjelderup, que deixou para Gianluca Prestianni, mas o remate colocado do argentino terminou em mais uma intervenção de Bernardo Fontes (54′). Pouco depois, o Benfica desequilibrou pela direita, Daniel Banjaqui combinou com Prestianni que, sozinho, desferiu um cruzamento-remate, mas a bola esbarrou na defesa (58′). No lance seguinte, as águias desequilibraram pelo meio, Fredrik Aursnes ganhou de cabeça e isolou Schjelderup, mas Bernardo fez bem a mancha e defendeu. Na recarga, o médio norueguês tentou finalizar, mas Cícero Alves impediu o golo com um corte clamoroso (59′).
Já para lá da hora de jogo, José Mourinho mexeu pela primeira vez, colocando Sidny Lopes Cabral e Rafa Silva nos lugares de Banjaqui e do extremo norueguês. Cristiano Bacci aproveitou a ocasião e trocou o amarelado Nor Maviram por Tiago Manso, com Conceição a passar para o lado esquerdo da defesa. Nessa condição, Sidny desequilibrou pela direita depois de um passe vertical de Rafa, cruzou para o primeiro poste e, de cabeça, Vangelis Pavlidis desviou para fora (65′). Seguiu-se a entrada de Pedro Maranhão por troca com Joe Hodge, com Cristiano Bacci a não desarmar na tentativa de chegar aos três pontos. Prestianni continuou a procurar o golo e, numa jogada de insistência, desferiu mais um remate em arco, desta feita de pé esquerdo, para fora (68′). Na sequência de novo cruzamento do cabo-verdiano, Aursnes recebeu completamente sozinho na pequena área, mas Fontes voltou a sair rapidamente dos postes e travou o remate do médio (74′).
⏱️ 65 mins
???? Tondela 0 – 0 Benfica ????◉ Dificuldades em penetrar: o Benfica já soma 39 acções na área mas, dos 14 remates que tentou, apenas 6 sairam enquadrados e somente 3 destes foram feitos em zona interior da área auriverde#CDTSLB #SLBenfica pic.twitter.com/yZDWJAisVY
— GoalPoint (@_Goalpoint) February 1, 2026
Na reta final da partida, Bernardo Fontes voltou a aparecer para travar um remate cruzado de Aursnes, bem como a sua recarga, que ia para a cabeça de Pavlidis (82′). Com o fim cada vez mais próximo, Mourinho lançou Bruma e Anísio Cabral no ataque, retirando Prestianni e Sudakov. Na sequência de um canto, o recém-entrado extremo português tentou de fora da área, mas o seu remate forte esbarrou novamente na defesa (89′). No tempo de compensação, Samuel Dahl aproveitou uma bola perdida, em zona central, para desferir um remate rasteiro, para fora (90+2′). Já com João Afonso a reforçar a defesa beirã, a última ocasião do encontro saiu de um lançamento longo de Sidny e de um desvio de cabeça de Nico Otamendi, com a bola a sobrar para os pés de Anísio que, à meia-volta, rematou para defesa de… Bernardo Fontes, a grande tónica deste jogo (90+5′).