Pela primeira vez, a elite europeia do ciclismo de pista rumou à Turquia. A partir deste sábado e até à próxima quinta-feira, Konya recebe a 17.ª edição do Campeonato da Europa de ciclismo de pista, com o velódromo local, que é, desde que foi inaugurado em 2021, o primeiro e único velódromo moderno da Turquia. Apesar de toda a pomposidade que um evento desta magnitude merece, esta edição dos Europeus tem uma particularidade que acabou por afastar algumas das estrelas: ainda não conta para a qualificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, embora seja importante para a definição das quotas de qualificação para o Campeonato do Mundo de Xangai, que se realiza em outubro e é a prova que abre o ciclo olímpico.

Nesse sentido, e depois de ter conseguido, em Heusden-Zolder-2025, a melhor participação de sempre (dois ouros, duas pratas e dois bronzes), Portugal partiu para Konya com uma comitiva composta por três ciclistas masculinos, uma corredora feminina e o selecionador Gabriel Mendes, que optou pela juventude e pela rotatividade, no sentido de “encontrar” alternativas aos nomes mais badalados, como é o caso de Iúri Leitão (Caja Rural-Seguros RGA), Maria Martins e dos gémeos Ivo e Rui Oliveira. Ainda assim, Iúri é um repetente face à edição passada e o “capitão” desta nova versão da Seleção Nacional, que conta ainda com Daniela Campos (sem equipa), Diogo Narciso (Credibom-LA Alumínios-Marcos Car) e Miguel Salgueiro (APHotels & Resorts-Tavira-SC Farense). Beatriz Roxo (ODL Team-Kiwi Atlantico-Craega) e João Martins (Credibom) foram escolhidos como “suplentes”, mas dificilmente marcarão presença na pista, a menos que aconteça alguma anormalidade.

“O nosso objetivo passa por obter o máximo de pontos para o ranking UCI de pista da nação e individual, pontos importantes na luta pelas quotas de qualificação para o próximo Campeonato do Mundo de Pista, e marca o início das provas que fazem parte da qualificação olímpica para Los Angeles 2028. Além disso, queremos dar continuidade ao trabalho de preparação de médio-longo prazo da Seleção de Elite, dando oportunidades de desenvolvimento e capacitação aos atletas com menos experiência internacional. Não fazemos prognósticos antecipados de resultados. Sabemos que num Campeonato da Europa de Elite estão os melhores de cada nação para dar o melhor de si e nós vamos fazer o mesmo, sempre com elevado grau de compromisso e responsabilidade com o processo de trabalho, procurando representar dignamente Portugal, com uma visão clara dos objetivos que perseguimos para a nação”, antecipou o selecionador nacional.

Neste primeiro dia de competição, que ficou marcado pelas provas de velocidade e resistência, quis o destino que houvesse um português a abrir as hostilidades, com o ciclista de 26 anos do Tavira a estrear-se em Europeus, logo pela manhã, na primeira sessão de qualificação da eliminação. Inicialmente conhecido como Carlos, Salgueiro tem feito carreira na modalidade através do seu segundo nome próprio (Miguel), dividindo-se entre a estrada e a pista desde 2020, ano em que despontou na L.A. Aluminios-L.A. Sport, atual Credibom. No ano passado foi sexto classificado no prólogo de abertura da Volta a Portugal, na Maia, e, no passado fim de semana, consagrou-se campeão na perseguição individual e no madison, com Narciso, no Campeonato Nacional de Pista. Este domingo, o lisboeta começou o dia a fugir aos últimos dois lugares e apurou-se para a final da eliminação com o sexto lugar da primeira manga.

À tarde, a final que teve apenas três ciclistas do top 10 da edição de 2025, a começar pelo campeão Tim Torn Teutenberg (Alemanha) e por Jules Hesters (Bélgica), que foi terceiro classificado, atrás de Rui Oliveira. O outro “repetente” foi o turco Ramazan Yilmaz, que partiu atrás do alemão. A prova começou com o campeão francês, Donavan Grondin, eliminado, com Salgueiro a dar boa resposta na fase inicial, permanecendo nos lugares cimeiros. Depois da sétima eliminação, a corrida foi neutralizada depois de uma queda de Bor Ebner (Eslovénia) e Ilya Savekin (neutro). A meio da corrida, o português assumiu a dianteira e pautou o ritmo, mas acabou por cair aos dez minutos, num incidente bastante aparatoso “provocado” por Yanne Dorenbos (Países Baixos). Para a história fica o 11.º lugar de Miguel Salgueiro na sua estreia neste patamar, que acabou por sair de maca e está, à data da publicação deste artigo, a ser avaliado pelos serviços médicos da organização. No retomar da prova, Tobias Hansen (Dinamarca) ficou com o ouro, depois de ter batido Teutenberg. O bronze ficou com Hesters.

Antes, a única representante feminina esteve em ação no scratch, prova na qual Tata Martins conseguiu o bronze há um ano e as duas primeiras de 2025, Martina Fidanza e Lorena Wiebes, não estiveram presentes. Com 40 voltas e dez quilómetros de extensão, Noruega, Países Baixos e Itália concentraram o favoritismo numa prova em que Daniela Campos começou por se concentrar na parte detrás do pelotão, que seguiu praticamente intacto até ao fim, com Hélène Hesters a partir a corrida a sete voltas da meta. A jovem belga de 21 anos acabou por conseguir manter a vantagem e deu ao seu país um título inédito na categoria. Aline Seitz (Suíça) e Lena Reissner (Alemanha) completaram o pódio. A portuguesa entrou bastante mal na última volta e não conseguiu ir além do 18.º posto.

Portugal vai tentar somar os primeiros pontos para o ranking esta segunda-feira, no segundo dia do Europeu de pista, com Diogo Narciso a estrear-se nesta edição na corrida por pontos, que acontece às 15h43 (hora de Portugal continental). Por outro lado, Daniela Campos estará em ação na eliminação, a partir das 16h56.