Cinco pessoas foram esta quinta-feira retiradas de um prédio na freguesia lisboeta de São Vicente após a queda de um talude devido ao mau tempo, revelou a Proteção Civil de Lisboa, contabilizando 820 ocorrências desde domingo, sem feridos a registar.

Entre domingo (01 de fevereiro) e as 12h desta quinta-feira, a cidade de Lisboa registou um total de 820 ocorrências, sobretudo inundações, com 402 situações, e quedas de árvores, com 195, “um pouco por toda a cidade”, em particular na zona ribeirinha, indicou o diretor do Serviço Municipal de Proteção Civil, André Fernandes, em declarações à agência Lusa.

“Neste momento, não há registo de feridos. Tivemos aqui uma situação também pontual na freguesia de São Vicente, onde tivemos de retirar cinco pessoas do edifício […], mas nada que saia daquilo que é o contexto excecional das ocorrências”, afirmou André Fernandes.

Sobre a retirada destas pessoas, que ocorreu pelas 10h desta quinta-feira, o responsável da Proteção Civil disse que se trata de “um conjunto de habitações, duas habitações, portanto um prédio com algumas frações”, que devido à queda de um talude tiveram de ser retiradas por precaução, estando já assegurado o realojamento temporário em articulação com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Relativamente ao mau tempo na cidade, André Fernandes afirmou que, “neste momento, a situação está controlada dentro daquilo que é a normalidade e o expectável para o estado do tempo que se faz sentir”.

Questionado sobre a preocupação quanto à subida do nível da água do Rio Tejo, o diretor do Serviço Municipal de Proteção Civil disse que “essa preocupação existe sempre que há maré cheia” e que a situação está a ser acompanhada e já foram feitos “alguns cortes e limitações de estacionamento” na zona ribeirinha.

“Tem havido, pontualmente, um ou outro galgamento do rio em situação de maré cheia e, portanto, essa é uma situação que nos preocupa. Mantemo-nos atentos e a monitorizar essa situação”, adiantou André Fernandes, reforçando o alerta para que as pessoas não se aproximem da zona ribeirinha, evitem essas deslocações, bem como o estacionamento dos veículos, para minimizar ao máximo situações de risco.

O responsável da Proteção Civil reforçou que todos os serviços da câmara “estão no terreno a responder às ocorrências e a preparar também esta nova leva previsível para este fim de semana” relativamente às condições meteorológicas adversas, inclusive com chuva forte.

“Estamos já a preparar também todo o dispositivo e a fazer todas as limpezas e a acautelar todos os níveis de escoamento, tanto dos sumidouros e das sarjetas, para garantir o máximo de escoamento possível da precipitação expectável, para minimizar ao máximo aquilo que é o impacto desta nova passagem, desta frente de pressão que vem durante o fim de semana”, adiantou.

André Fernandes referiu que “não há declaração de alerta dentro daquilo que é o município de Lisboa”, mas o concelho está a cumprir com as determinações da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), com o dispositivo operacional em estado de prontidão especial no nível máximo (nível 4).

Na quarta-feira, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), apelou a que se evitem, até domingo, deslocações desnecessárias, tendo em conta as previsões de chuva intensa.

“Deixava aqui alguns conselhos importantes para os lisboetas: o primeiro é evitar deslocações desnecessárias, o segundo é evitar tudo o que são as zonas ribeirinhas e o estacionamento nessas zonas ribeirinhas”, aconselhou o autarca, recomendando também o teletrabalho se possível.

Devido ao mau tempo, o autarca de Lisboa ordenou o fecho dos jardins municipais.

Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.