O curling começou ainda na passada quarta-feira, o hóquei em gelo e o snowboard tiveram início logo no dia seguinte, a patinagem artística também arrancou esta sexta-feira. À semelhança do que aconteceu no Verão, os Jogos Olímpicos de Inverno têm algumas modalidades que, por força do calendário, das competições e do número de jogos, são colocadas ainda antes da cerimónia de abertura. Foi isso que aconteceu até esta noite, altura em que Milão, Cortina d’Ampezzo, Livigno e Predazzo foram as anfitriãs do primeiro espectáculo da competição que atravessou quatro cidades. Todos esperavam que corresse bem, correu ainda melhor – e com o foco principal centrado nos atletas, em todas as delegações e nos principais nomes internacionais que iam atuar, como Mariah Carey, Andrea Bocelli, Laura Pausini, Pierfrancesco Favino ou Sabrina Impacciatore, apesar da presença do ICE em território transalpino tal como o vice-presidente dos EUA, JD Vance.
???????? THE GAMES HAVE BEGUN! ????
WHAT A THRILL! WHAT A SIGHT!#MilanoCortina2026 #OpeningCeremony #Olympics pic.twitter.com/HsGRHyUEYa
— Milano Cortina 2026 (@milanocortina26) February 6, 2026
O primeiro teste estava superado, muitos outros chegarão nos próximos dias até 22 de fevereiro. E um deles não demorou a tornar-se notícia um pouco por todo o mundo, não apenas pelo insólito da situação mas pela ideia que deixa transparecer de uma alegada finta às regras que levou a organização a tomar posição, mesmo estando em causa algo que não está especificado na lista de produtos e substâncias proibidas.
The Games hadn’t even begun when Milan was plunged into absurdity—by speculation about ski jumpers injecting themselves below the belt to enhance their performance. https://t.co/zMtGYm8H85
— The Wall Street Journal (@WSJ) February 6, 2026
Tudo começou com rumores que se foram espalhando nas últimas semanas, ganhou outro peso quando foi tratado como assunto na comunicação social e saltou para o principal foco na sequência da primeira reação oficial sobre o tema. Expliquemos: houve informações que foram apontando para a possibilidade de alguns dos principais saltadores de esqui aplicarem ácido hialurónico no seu pénis para ganharem volume e com isso tirarem benefícios em prova, depois alguns jornais começaram a abordar a questão como se fosse algo real sob suspeita e, na antecâmara da cerimónia de abertura dos Jogos, a organização quis marcar uma posição através da Agência Mundial Antidopagem (AMA), que emitiu declarações sobre esse tema.
It's reported that this would increase the surface area of their suits during competition, theoretically leading to extended flight times.
World Anti-Doping Agency chiefs have said they will investigate if a complaint is made. pic.twitter.com/uDP56U5fXu
— BBC Sport (@BBCSport) February 5, 2026
“Não conhecemos os detalhes de como esta técnica poderá melhorar o desempenho nos saltos de esqui mas, se surgirem provas conclusivas, iremos analisá-las para determinar que medidas poderemos tomar. Até à data, não abordámos qualquer método [não dopantes] como este para melhorar o desempenho”, apontou o diretor da AMA, Olivier Niggli, durante uma conferência de imprensa em Itália. Mas faria sentido? No plano científico e na modalidade em causa, existe pelo menos uma explicação científica: quanto maior for o relevo no fato dos saltadores, maior superfície de resistência é conseguida, mais sustentação aerodinâmica ganha e maior facilidade em ganhar centímetros no final do salto tem. Não é por acaso que o regulamento prevê uma margem de tolerância de dois a quatro centímetros que, de acordo com um estudo que foi feito pela revista científica Frontiers há dois meses e meio, poderá render depois mais de cinco metros no salto.
Winter Olympics officials tackle ski jumper acid injection claims. Read more: https://t.co/zjKKJ81n2a pic.twitter.com/qQ9KEyoHhi
— Complex (@Complex) February 6, 2026
Também a Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS) quis evitar qualquer tipo de finta ao que é suposto, fazendo no início de cada uma das temporadas um scan tridimensional a todos os atletas a partir do qual são desenhados depois todos os fatos para a temporada – e é aqui que surge a questão, tendo em conta que alguns dos atletas poderiam fazer recurso ao tal ácido hialurónico para conseguirem essa ajuda “extra” sem que nenhum dos elementos ou comissários da organização reparasse. O El País recorda aquilo que se passou nos últimos Mundiais, em março, quando cinco dos saltadores da seleção anfitriã da Noruega foram suspensos por alterarem as costuras dos seus fatos, negando inicialmente qualquer irregularidade até surgir um vídeo onde era possível acompanhar todas essas operações numa máquina de coser. Marius Lindvik e Johann Andre Forfang, que já foram campeões olímpicos, foram dois dos sancionados.
Todos os centímetros no fato contam. Se o teu fato ocupar uma percentagem de 5% a mais do que é suposto, vais conseguir voar mais”, referiu Sandro Pertile, diretor de provas, à BBC Sport.
Os rumores desse tipo de práticas continuam a surgir pelo menos na imprensa alemã, via Bild, que assegura haver casos destes entre os atletas qualificados para a competição nestes Jogos Olímpicos de Inverno que arranca este sábado. Já o The Guardian quis saber o verdadeiro rendimento extra que poderá haver neste tipo de atos, numa espécie de fact check dos eventuais benefícios com isso. Conclusões: 1) é necessária uma grande quantidade de ácido hialurónico; 2) existem vantagens reais em aumentar essa zona do fato tendo em conta a modalidade e o impacto que tem no ganho de metros antes da aterragem; 3) uma má técnica de uso ou uma dose errada poderá ter impacto na saúde para o atleta com vários efeitos secundários.