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Canali: a marca italiana de luxo que veste Obama, Clooney e Seguro

Este artigo tem mais de 6 meses

Com mais de 90 anos de história, sempre sob gestão da mesma família, a marca ganhou projeção internacional depois da eleição de Barack Obama em 2008. Também foi a escolha do Presidente eleito.

António José Seguro vestiu um blazer Canali na noite do passado domingo, quando venceu as eleições presidenciais
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▲António José Seguro vestiu um blazer Canali na noite do passado domingo, quando venceu as eleições presidenciais

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

▲António José Seguro vestiu um blazer Canali na noite do passado domingo, quando venceu as eleições presidenciais

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

No passado domingo, ao reconhecer a vitória presidencial, António José Seguro acenou ao público com o blazer aberto, deixando à mostra um detalhe que só os mais atentos repararam — a etiqueta. Em 2008, quando venceu a sua primeira eleição presidencial nos Estados Unidos da América, Barack Obama teve o mesmo gesto despreocupado, que acabou por colocar no mundo o nome da Canali, uma marca familiar italiana de luxo que já circulava nos bastidores de Hollywood, e que agora é o Presidente português que toma posse a 9 de março a vestir.

Um ano antes de Obama, George Clooney já usava fatos por medida da marca de luxo italiana para o filme Michael Clayton – Uma Questão de Consciência. “Existe uma lista de celebridades de Hollywood que compram na loja de Rodeo Drive, mas ninguém revela nomes. (Então, eu vou revelar. Tom Hanks queria usar Canali em O Código Da Vinci, mas, como o seu personagem é um professor, os fatos foram considerados elegantes demais. Posso também revelar que Bill Clinton tem fatos Canali, mas George Bush não.)”, escrevia a jornalista de moda e antiga editora da Vogue Australia, Marion Hume, em 2009, num artigo em que define a marca italiana como “feita para os líderes”.

De acordo com Marion Hume, Obama comprava peças da marca anos antes de se tornar Presidente, e tinha pedidos específicos: “gosta do seu tamanho 46 cortado mais comprido”. “Lembre-se de que o formato de um casaco, de um fato, é o formato que fica melhor em um homem”, diz Stefano Canali, o CEO da marca, em entrevista ao The Times em 2023. “A modelagem evolui, a construção fica mais leve, os tecidos podem se tornar tecidos técnicos. Mas um blazer de malha ainda tem fundamentalmente o mesmo formato [que um de lã] — apenas é interpretado de uma maneira diferente. Um homem de fato simplesmente fica melhor.”

A marca italiana foi fundada há 92 anos pelos irmãos Giovanni e Giacomo Canali. Desde então, permaneceu na família, sendo gerida atualmente pela terceira geração. A produção, 100% italiana, divide-se entre os cinco centros de manufatura no país, que depois distribuem para os mais de mil pontos de venda em mais de 100 países em todo o mundo. A marca sobreviveu a crises como a Segunda Guerra Mundial e a pandemia, permanecendo sempre nas mãos da família, o que o CEO e neto de um dos fundadores orgulha-se. “Para uma empresa com mais de 90 anos é muito difícil continuar a evoluir e crescer, e há o risco de ser complacente e permanecer parado. Vemos a nossa herança como uma fundação sobre a qual devemos continuar a construir”, diz Stefano Canali numa entrevista recente à Forbes Índia, em que garante ainda não estar “obcecado pelas gerações mais jovens, porque acredito que não se pode fazer uma marca para todos. Devemos estar focados em passar uma mensagem de credibilidade e ter uma oferta de credibilidade”, diz. “Vestimos consumidores que tem atitudes específicas, apesar da sua idade.”

▲ A etiqueta fica visível nesta imagem captada pela RTP, nas Caldas da Rainha, onde Seguro celebrou a vitória

Um modelo parecido ao que foi usado por Seguro na noite da vitória, com corte clássico e na cor preta, em versão pronto a vestir, custa 1650 euros na loja online da marca, um valor que representa quase a metade de preços praticados por marcas de luxo conhecidas no ramo, como Zegna ou Brunelo Cucinelli. “Na Canali, sempre nos esforçamos para preçar os nossos produtos corretamente, e muitos dos nossos clientes retalhistas acreditam que este é o nosso momento, a oportunidade de aproveitar ao máximo a situação atual. Para muitas outras marcas de luxo, introduzir novos preços ou novos produtos com preços mais baixos poderia ser um problema, mas, felizmente, esse não é o caso da Canali”, assinala o CEO da marca.

Contudo, Canali pondera. “Acredito que existe uma espécie de ‘vergonha do luxo’ que surgiu por diferentes razões em diferentes países”, afirma o CEO da marca. “Muitos consumidores, independentemente da sua riqueza, sentem que não faz sentido comprar artigos com preços exorbitantes; acreditam que certos preços se tornaram absurdos e não conseguem associar o valor recebido ao preço.”

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