É a consequência óbvia de ser o último a jogar. O Sporting entrava em campo ao início da noite de domingo, horas depois de o FC Porto vencer na Madeira e dois dias depois de o Benfica ganhar nos Açores, e já sabia que estava obrigado a somar três pontos para manter as distâncias para dragões e encarnados. Ou seja, jogava com uma mochila de bagagem adicional às costas.
Durante a semana, porém, a preocupação de Rui Borges terá sido outra. O Clássico de segunda-feira contra o FC Porto, para além de ter terminado com um empate que não permitiu ao Sporting ficar a um ponto da liderança dos dragões, culminou com o quinto cartão amarelo de Luis Suárez — ou seja, culminou com a suspensão do avançado colombiano que tem 30 golos em todas as competições e que tinha sido utilizado em todos os jogos dos leões na atual temporada.
Ficha de jogo
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Sporting-Famalicão, 1-0
22.ª jornada da Primeira Liga
Estádio José Alvalade, em Lisboa
Árbitro: David Silva (AF Porto)
Sporting: Rui Silva, Iván Fresneda (Rafael Nel, 76′), Gonçalo Inácio, Diomande, Ricardo Mangas (Geny Catamo, 62′), Morita (Daniel Bragança, 76′), Hjulmand, Luis Guilherme (João Simões, 86′), Pedro Gonçalves (Vagiannidis, 86′), Maxi Araújo, Trincão
Suplentes não utilizados: João Virgínia, Faye, Flávio Gonçalves, Eduardo Quaresma
Treinador: Rui Borges
Famalicão: Lazar Carevic, Gustavo Garcia, Tom van de Looi, Sorriso (Roméo Beney, 86′), Simon Elisor (Rudi Almeida, 77′), Justin de Haas, Gustavo Sá (Marcos Peña, 86′), Gil Dias (Antoine Joujou, 64′), Pedro Bondo, Ibrahima Ba, Pedro Santos (Gonzalo Pastor, 64′)
Suplentes não utilizados: Ivan Zlobin, Léo Realpe, Rafa Soares, Otar Mamageishvili
Treinador: Hugo Oliveira
Golos: Daniel Bragança (82′)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Pedro Gonçalves (45+4′), a Pedro Santos (52′), a Maxi Araújo (90′), a Gonzalo Pastor (90′), a Vagiannidis (90+2′)
“Reféns do Luis Suárez? É natural que se possa pensar dessa forma. Ele tem sido muito importante nos golos, mas também os consegue devido ao grande coletivo que temos, não é apenas devido ao individual. É uma peça importante e acabará sempre por fazer falta, mas também só faz falta quem está. Vou focar-me nos onze que vou colocar em campo e nos que colocarei no banco para sermos competentes e não fugirmos ao que temos sido. Manter uma boa qualidade de jogo e uma dinâmica muito própria para ganharmos”, atirou o treinador leonino na antevisão da receção deste domingo ao Famalicão, que entrava na jornada com a possibilidade de se aproximar do quinto lugar do Sp. Braga depois da derrota dos minhotos contra o Gil Vicente.
Assim, em Alvalade e sem referência ofensiva clara por também não ter o lesionado Ioannidis, Rui Borges apostava num ataque móvel com Pedro Gonçalves como falso ‘9’, Trincão nas costas, Luis Guilherme na direita e Maxi Araújo na esquerda, já que Ricardo Mangas surgia como lateral. Geny Catamo, que chegou a estar em dúvida por problemas físicos, estava no banco. Do outro lado, sem contar com o castigado Mathias De Amorim, Hugo Oliveira tinha Simon Elisor no ataque.
⏱️ 20 mins
???? Sporting 0 – 0 Famalicão ????◉ Fama continua a preocupar Alvalade, tendo até mais posse (53%) nos primeiros 20 minutos de jogo#SCPFCF #SportingCP pic.twitter.com/YLyH4KNa4W
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O Famalicão começou melhor e surpreendeu o Sporting nos primeiros minutos: a equipa de Hugo Oliveira aparecia em Alvalade com as linhas subidas, a querer ter bola e a jogar no meio-campo contrário, pressionando alto e obrigando os leões a várias perdas de posse em zona perigosa. Gustavo Sá teve o primeiro remate do jogo, que Rui Silva defendeu (4′), e Ibrahima Ba conseguiu mesmo marcar com um pontapé forte de fora de área que não deu hipótese ao guarda-redes português (8′) — depois de chamado pelo VAR ao ecrã, porém, David Silva acabou por marcar falta do senegalês sobre Maxi Araújo e anulou o golo.
O Sporting ficou perto de abrir o marcador pouco depois, com um pontapé de primeira de Maxi Araújo que Lazar Carevic defendeu (15′), mas demorou a reagir de forma consistente à entrada positiva do Famalicão. A equipa de Rui Borges perdia muitas vezes a bola na primeira fase de construção, não conseguia ligar o meio-campo ao ataque e a única exceção à desinspiração algo generalizada era Luis Guilherme, que causava problemas sempre que acelerava na direita.
⏱️ 44 mins
???? Sporting 0 – 0 Famalicão ????◉ Os remates da primeira tempo, perto do intervalo, com Hjulmand a rivalizar com Elisor no desperdício, os protagonistas das duas maiores ocasiões#SCPFCF #SportingCP pic.twitter.com/h3m8JQgycH
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À medida que o relógio foi avançado, porém, a superioridade do Sporting tornou-se mais evidente e o Famalicão acabou por ficar mais conformado com a ideia de que preferia atacar em transição e oferecer a iniciativa aos leões. Trincão quase marcou com um remate em jeito que passou ao lado (29′), Ricardo Mangas acertou no poste (30′) e Luis Guilherme obrigou Carevic a uma defesa atenta (34′) — sendo que, pelo meio, Simon Elisor falhou uma das melhores oportunidades da primeira parte ao atirar ao lado na cara de Rui Silva depois de ficar isolado (34′).
Hjulmand ainda teve uma boa ocasião para marcar na ponta final da primeira parte, ao cabecear por cima após livre na direita (42′), mas o jogo chegou mesmo ao intervalo ainda empatado sem golos: por ineficácia do Sporting, até certo ponto e por não ter conseguido concretizar nenhuma das várias oportunidades criadas, mas também por mérito do Famalicão, que soube transformar uma entrada assertiva em estabilidade posicional sem nunca perder a organização defensiva.
⚽️ INTERVALO ????
???? Sporting 0 – 0 Famalicão ????◉ Não há golos ainda em Alvalade mas a bola já entrou (grande tiro de Ba, do Fama) mas o árbitro anulou, num lance que sinalizou a excelente entrada minhota no jogo
◉ Leão assumiu a iniciativa a meio da 2ª parte mas Elisor… pic.twitter.com/XtD8BEw8GO
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Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e a segunda parte demorou a arrancar: o Sporting tinha mais bola, mas estava demasiado longe da grande área do Famalicão, que se mantinha muito concentrado e ligado às ocorrências. Os leões construíram a primeira situação de perigo através de Ricardo Mangas e Trincão, com o primeiro a atirar contra um adversário na área e o segundo a rematar para defesa de Carevic na recarga (54′), e Pedro Gonçalves também ficou perto de marcar logo a seguir e com um pontapé em jeito que passou ao lado (55′).
O ascendente do Sporting tornou-se progressivamente mais evidente, com o Famalicão a abdicar de atacar para o fazer apenas em situações de contra-ataque e com espaço para explorar, mas o menor protagonismo de Luis Guilherme depois de uma primeira parte muito agradável na direita ia retirando clarividência ao ataque da equipa e oferecendo maior preponderância a um lado esquerdo menos expedito.
Em 19 golos, ????????Daniel Bragança marca o 1.º golo de cabeça da carreira (sénior). pic.twitter.com/S1kwxPSbzY
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Rui Borges mexeu já depois da hora de jogo, trocando Ricardo Mangas por Geny Catamo e colocando Luis Guilherme na esquerda, com Maxi Araújo a recuar para lateral. A ansiedade que se ia acumulando nas bancadas depressa chegou ao relvado e os leões perderam capacidade para chegar à baliza do Famalicão, com o jogo a enrolar-se em faltas, paragens e decisões erradas. Daniel Bragança e Rafael Nel entraram já no último quarto de hora, com o jovem avançado a estrear-se no Campeonato e o médio português a precisar apenas de escassos instantes para fazer a diferença.
Já dentro dos derradeiros dez minutos, na sequência de um canto na direita, Daniel Bragança apareceu ao primeiro poste a saltar mais alto do que todos os outros para cabecear e abrir o marcador (82′). Já nada mudou e o Sporting venceu o Famalicão em Alvalade, regressando aos triunfos e mantendo-se a quatro pontos da liderança do FC Porto, para além de continuar com mais três pontos do que o Benfica e ter conseguido responder aos triunfos anteriores dos dois principais rivais.
⚽️ FINAL ✅
???? Sporting 1 – 0 Famalicão ????◉ Leão sofre sem Suárez mas o "talismã" chamado Daniel Bragança saltou do banco para um (improvável) golo de cabeça e um (cada vez mais provável) golo tardio a acalmar o sofrimento das bancadas leoninas
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