A chegada a Tavira serviu para a Volta ao Algarve conhecer o seu primeiro líder. Com partida em Vila Real de Santo António, a 52.ª edição da corrida portuguesa mais mediática terminou, como habitual, ao sprint, com Paul Magnier (Soudal Quick-Step) a tornar-se no primeiro líder da prova. Antes da chegada a uma das principais cidades nacionais do ciclismo, a etapa inaugural foi marcada por uma fuga de nove elementos e pelo primeiro quilómetro de ouro da história da Volta ao Algarve. Nessa fase, o grande destaque foi Juan Ayuso (Lidl-Trek), que bonificou três segundos e colocou-se de imediato no top 5, à frente de João Almeida (UAE Team Emirates-XRG), que deverá ser o principal adversário na luta pela vitória.
“Está a ser um grande arranque de época, tive um bom inverno. Hoje [quarta-feira], foi verdadeiramente a primeira vez que corri com uma equipa tão forte e com um ‘comboio’ tão bom. Conseguimos entender-nos bem e tomei as decisões certas, juntamente com a equipa, no final. Estou muito contente por ter vencido, as pernas estão verdadeiramente bem. Espero poder ter uma nova oportunidade no sábado. Penso que, em termos de leque de sprinters, é a minha vitória mais importante. Permitiu mostrar que estou em forma. A equipa fez um excelente trabalho, é algo positivo para o futuro. Percebi que o [Jasper] Philipsen estava a demorar um pouco a lançar-se e decidi ir pela esquerda. Foi um pouco cedo, mas sentia-me muito forte e este era um final que realmente me assentava bem. Foi perfeito. Ainda não tínhamos vencido, tivemos muitos lesionados este inverno, sobretudo o Tim [Merlier]. Penso que vai motivar toda a equipa”, explicou o jovem francês no final da etapa.
No que toca ao português que lidera a Emirates, equipa que tem o principal bloco desta Volta ao Algarve, no qual estão ainda integrados António Morgado e os irmãos Ivo e Rui Oliveira, os últimos dias foram divididos entre a preparação para a corrida portuguesa, que é o seu primeiro objetivo da temporada, e a apresentação do “seu” livro João Almeida e a Montanha Mágica, que foi escrito pelo jornalista Gonçalo Moreira. “Nunca tinha pensado que isto ia acontecer na minha vida. Se inspirar qualquer criança, para mim já é uma vitória”, disse o Bota Lume na apresentação que decorreu no Algarve. O livro, que já está à venda nas principais livrarias, tem cerca de cem páginas e destina-se a um público infantil, entre os sete e os 14 anos, segundo o autor.
Destination: Fóia. The GC battle starts now! ⛰️
Destino: Fóia. A batalha pela geral começa agora! ⛰️
???? 12h45 | Portimão
???? 16h25 | Foia (Monchique)#VoltaAlgarve pic.twitter.com/2dXfIbsmm1— Volta ao Algarve (@VoltAlgarve) February 19, 2026
Ao segundo dia, a Volta ao Algarve voltou a apresentar, como tem sido habitual na última década, a Foia. A segunda etapa teve partida em Portimão e chegada àquele célebre local da Serra de Monchique 147,2 quilómetros depois, com o pelotão a enfrentar uma jornada com mais de 3.100 metros de desnível acumulado e a primeira chegada em alto desta edição, no caso de primeira categoria. Antes, o percurso continha três contagens de terceira categoria, com a subida de Casais (dois quilómetros com 7,7% de inclinação média) a abrir as hostilidades no final da etapa. Em 2026, a organização decidiu tornar mais dura a subida do Alto da Foia, fazendo-a por uma nova vertente, com 8,8 quilómetros a 6,2% e fases em que as rampas chegam aos 14%. Em 2025, Jan Christen foi o mais rápido no ponto mais alto do Algarve, depois de João Almeida ter deixado para trás Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) e “oferecido” a vitória ao companheiro.
Esta quinta-feira, Gorka Sorarrain (Caja Rural-Seguros RGA), Enzo Leijnse (Anicolor-Campicarn), Iker Bonillo (Feira dos Sofás-Boavista), Nicolás Tivani e Tomas Contte (Aviludo-Louletano-Loulé), Leangel Linarez (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua), Hugo Nunes (Credibom-LA Alumínios-Marcos Car) e Alexandre Montez (Feirense-Beeceler) foram os fugitivos da jornada, com o pelotão a controlar a desvantagem desde cedo e a anular a fuga a 15 quilómetros da meta, quando a Lidl aumentou o ritmo na busca de bonificar nos dois sprints do ponto quente desta etapa, onde Ayuso conseguiu retirar mais um segundo ao seu tempo. Pouco depois, na aproximação ao início da subida final, Tiago Antunes (Efapel) caiu numa curva, ficando para trás. A equipa alemã tratou de acelerar no início da Foia, com Filippo Ganna (Ineos Grenadiers) a ficar arredado da discussão logo no início.
O espanhol abriu as hostilidades a quatro quilómetros da meta, encontrando resposta de João Almeida e Paul Seixas (Decathlon CMA CGM), e depois de Brandon McNulty (Emirates) ter caído. O francês com ascendência portuguesa aumentou o ritmo logo a seguir, deixando o português para trás que, ainda assim, reentrou depois de ter encontrado o seu ritmo. Já dentro do penúltimo quilómetro, Matthew Riccitello (Decathlon) e Oscar Onley (Ineos) juntaram-se ao trio, com Almeida a atacar à entrada no último quilómetro. Ainda assim, o grupo voltou a reagir bem, com o português a insistir uns metros mais à frente. Com a discussão a ser levada para a linha de chegada, Seixas lançou o sprint e encontrou resposta à altura de Ayuso, mas chegou mesmo à vitória, a sua primeira enquanto profissional. O ciclista de A-dos-Francos foi terceiro, a um segundo.
???? MAIS T'ES TELLEMENT GRAND PAUL !
Paul Seixas s'offre sa 1e victoire professionnelle devant Juan Ayuso, au sommet de l'Alto da Foia pic.twitter.com/g97uGBiTdx
— Eurosport France (@Eurosport_FR) February 19, 2026
Na classificação geral regista-se um “empate” entre Juan Ayuso e Paul Seixal, a pender para o espanhol por conta dos critérios de desempate. Logo a seguir surge João Almeida, que vai partir para o contrarrelógio de Vilamoura a sete segundos do espanhol e do francês. Oscar Onley, a 14 segundos, e Matthew Riccitello, a 16, completam o top 5.