A primeira batalha sorriu, ainda que de forma ténue, a Juan Ayuso. Na primeira etapa com chegada em alto desta Volta ao Algarve, a decisão ficou guardada para a mítica subida ao Alto da Foia que, pela primeira vez, foi feita por uma vertente mais acentuada e extensa que o habitual. Ainda assim, os ataques do espanhol da Lidl-Trek, de João Almeida (UAE Team Emirates-XRG) e de Paul Seixas (Decathlon CMA CGM) só surgiram nos últimos quilómetros, com o francês a levar de vencido os dois favoritos e a somar a sua primeira vitória enquanto profissional. Assim como Tadej Pogacar fez em 2019, Seixas, que é descendente de portugueses, conquistou a sua primeira vitória em Portugal, na mesma corrida, na mesma etapa e no mesmo local.
“A sensação foi incrível. Sinto que fiz progressos desde o ano passado. Sinto-me em boa forma, demos tudo para preparar da melhor maneira o início da época e ganhar algumas corridas. Conseguir a minha primeira vitória profissional aqui é qualquer coisa. Estava curioso para ver como me sairia. O trabalho da equipa tornou-o ainda melhor. Estiveram o dia todo a proteger-me muito bem. Foi um dia de loucos. Tenho muitas grandes corridas pela frente, mas é incrível ganhar aqui. Penso que pelo momento, o próximo objetivo é conseguir uma boa classificação geral nesta corrida… talvez ganhar. Veremos amanhã [sexta-feira] como corre o contrarrelógio. Ainda estou na luta. Neste momento vou focar-me nisso. Sinto-me super bem. É o meu segundo dia de competição e consegui a minha primeira vitória”, partilhou o francês no final da etapa.
Já o português de 27 anos assumiu que a subida para a Foia “foi dura” e “muito explosiva”, e lamentou a queda de Brandon McNulty na aproximação, numa altura em que a Emirates tinha o maior número de ciclistas no grupo principal, dado que António Morgado também estava presente. “O Brandon estava na frente comigo e definitivamente teríamos jogado [taticamente] melhor. Foi azar. No final tentei atacar, mas não consegui fazer descolar os rapazes. Faltou-me um bocadinho no final, depois desses ataques. Ainda assim, foi bastante bom e agora vou-me focar no contrarrelógio”, apontou o Bota Lume.
Against the clock in Vilamoura. The specialists take the stage! ⏱️
Contra o relógio em Vilamoura. Os especialistas entram em cena! ⏱️
???? 13h11 | Marina de Vilamoura (Primeira partida)
???? 16h05 | Av. Eng. João Meireles (Última partida)#VoltaAlgarve pic.twitter.com/52AEhO6PI7— Volta ao Algarve (@VoltAlgarve) February 20, 2026
A segunda de três batalhas pela geral aconteceu esta sexta-feira, com o contrarrelógio de Vilamoura a ser determinante para fazer novas diferenças entre os principais corredores. Com partida na Marina e chegada na Avenida Engenheiro João Meireles, o esforço contra o cronómetro teve 19,5 quilómetros e apenas 147 metros de desnível acumulado, o que favorecia os ciclistas mais potentes. Ainda assim, os primeiros dois quilómetros apresentavam troços mais técnicos, seguindo-se a parte mais explosiva e potente. Entre os especialistas, Jakob Söderqvist (Lidl) foi o primeiro a ir para estrada e a consolidar-se, naturalmente, com o melhor tempo (22.01,663 minutos), mas Filippo Ganna (Ineos Grenadiers) veio logo a seguir e superou o registo em sete segundos, sendo o primeiro atleta a baixar dos 22 minutos (21.53,663).
Top Ganna in Vilamoura! ????????????
Top Ganna em Vilamoura! ????????????#VoltaAlgarve pic.twitter.com/ofROHNlS9c
— Volta ao Algarve (@VoltAlgarve) February 20, 2026
Para o fim ficou, naturalmente, reservada a luta pela geral, com António Morgado a terminar o contrarrelógio a 55 segundos do italiano, tendo feito a prova acima dos 51 km/h. Em sentido inverso, o seu companheiro Brandon McNulty voltou a sofrer uma contrariedade, tendo sido forçado a trocar de bicicleta nos instantes iniciais. Por sua vez, Thymen Arensman (Ineos) voltou a superar-se num contrarrelógio e saltou para o terceiro lugar, a 22,841 de Ganna. Curiosamente, Juan Ayuso saiu para a estrada com o equipamento habitual da Lidl-Trek, num momento inusitado que, segundo o Eurosport espanhol, só foi possível por conta de uma “exceção dos comissários”. No primeiro ponto intermédio, o espanhol começou a marcar o ritmo e superou o tempo de Filippo Ganna por um segundo, com um notável registo de 12.30,511 minutos. Nessa fase, Paul Seixas era terceiro a seis e João Almeida nono a 21.
Juan Ayuso is the only one who can beat Pippo Ganna today, he did it before in flat ITT and even shorter. But you never know with him. The organizers allowed him to race in team skinsuit btw, not in Yellow Jersey. #VoltaAlgarve pic.twitter.com/NwgbsXI0aW
— Mihai Simion (@faustocoppi60) February 20, 2026
Na chegada, o português chegou a 42 segundos de Ganna, no oitavo lugar (22.36,428 minutos) e, logo a seguir, o francês conquistou o terceiro melhor tempo, a 12 segundos do italiano. Faltava apenas o motor espanhol, que entrou na reta final à beira de destronar Filippo Ganna, mas a vitória não fugiu ao Ineos, com Ayuso a terminar a apenas cinco segundos. Feitas as contas da etapa, Ganna estreou-se a vencer em 2026 e chegou à vitória 37 da sua carreira. Apesar do contrarrelógio aquém, Almeida terminou no 10.º lugar. Na “nova” geral, Juan Ayuso deixou de estar empatado com Paul Seixas, embora tenha “apenas” sete segundos de vantagem, com João Almeida a manter-se no terceiro lugar, agora a 44. Kévin Vauquelin (Ineos) subiu ao quarto lugar, a 57, com Thymen Arensman a fechar o top 5, a 1.01 minutos.
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Juan Ayuso se queda a cinco segundos del tiempo de Ganna en meta, pero aumenta su renta con Paul Seixas y Joao Almeida tras la crono: 7 y 37 segundos mejor respectivamente.
????♂️ Lo has visto en @Eurosport_ES y @StreamMaxES. #VoltaAlgarve pic.twitter.com/Yupi7OeAGW
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) February 20, 2026