Todas as equipas que lutam por títulos têm momentos melhores ou menos conseguidos, todas as equipas vão conseguindo perceber as red flags quando as coisas começam a correr pior. No caso do Real, sobretudo neste ano civil de 2026, a realidade quase passou a ser feita por red flags. A vitória na eliminatória do playoff da Liga dos Campeões frente ao Benfica ainda teve o condão de ludibriar o óbvio mas a derrota seguinte para a Liga no Santiago Bernabéu recolocou os merengues numa espiral de crise com poucas soluções à vista – a não ser uma, ganhar. O teste em Vigo frente ao Celta era complicado mas tinha mais em discussão do que os três pontos. Era o espírito de resiliência da equipa que estava em xeque, era a capacidade de inverter o atual rumo com Álvaro Arbeloa que estava em xeque, era um projeto desportivo que estava em xeque. A fronteira entre a redenção e o abismo aparecia como algo demasiado curto perante os desafios seguintes, até pela primeira mão dos oitavos da Champions frente ao Manchester City que heverá também na quarta-feira.
É complicado perceber onde tudo começou, é demasiado fácil perceber onde foi parar. A goleada sofrida no dérbi com o Atl. Madrid no Metropolitano, no final de setembro, foi um sinal de que nem tudo eram rosas, o desaire no Santiago Bernabéu frente ao Celta Vigo deixou evidente a desconfiança dos adeptos na equipa, a reação de Vinícius Jr. após ser substituído no clássico ante o Barcelona mostrara que a mão de Xabi Alonso no balneário começava a escorregar – e escorregou tanto que, após a derrota na final da Supertaça de novo com os catalães, o grupo seguiu as indicações de Kylian Mbappé e nas ordens do treinador quando chegou o momento de entrega de medalhas aos vencedores. Florentino Pérez, que antes não quisera intervir ao ver um barco cheio de rombos, detonou a “bomba atómica”, despediu o treinador e apostou em Álvaro Arbeloa.
A mudança no comando técnico trouxe tudo menos uma varinha mágica para inverter a realidade. Logo no jogo de estreia, o Real Madrid acabou por ser eliminado da Taça do Rei pelo modesto Albacete. Na partida seguinte, o Bernabéu deu a sentença antes de o caso ter sido “formulado”: assobios a tudo e todos antes e durante o encontro que terminou com uma vitória frente ao Levante, do treinador a jogadores como Vinícius Jr. ou Jude Bellingham, passando pelo próprio presidente, Florentino Pérez. Ainda houve triunfos importantes a evitar um naufrágio maior entre o adensar da lista de pacientes no departamento médico do clube, mas as duas derrotas seguidas na Liga com Osasuna e Getafe deixaram expostos todos os problemas de uma equipa que perdeu jogos, perdeu referências e não tem sequer uma identidade em campo. Nada parecia ajudar o clube em 2025/26, época onde caiu por terra o sonho utópico (que nunca passou disso mesmo) da Superliga Europeia, onde Florentino Pérez admitiu a entrada de capital externo até um máximo de 5%, onde começou a “guerra interna” pela sucessão e onde se mantém o impasse em torno da possibilidade de haver concertos no Santiago Bernabéu, receita prevista aquando da remodelação que continuava “congelada”.
Mais recentemente, não tanto pela grave lesão contraída por Rodrygo que vai tirar ao avançado o resto da temporada e o Campeonato do Mundo mas pelo problema de Mbappé no joelho, o departamento médico e a preparação física da equipa ficaram em xeque. De acordo com o El Mundo, a direção do Real Madrid terá até pedido a Niko Mihic, chefe do departamento médico, e Antonio Pintus, responsável pela preparação física, dois nomes da máxima confiança de Florentino Pérez, pare reverem os planos de treino dos atletas em Valdebebas e também com os seus respetivos personal trainers. Mais do que as sete roturas do ligamento cruzado desde agosto de 2023, são as queixas musculares que mais preocupam os responsáveis merengues. O El Mundo cita fontes internas para dizer que vários jogadores colocaram em causa daquilo que são as tomadas de decisão da área médica, dos diagnósticos aos programas/prazos de recuperação. É isso que estará a fazer com que alguns elementos tenham procurado opiniões fora do clube sobre os seus problemas.
La celebración de Thibaut Courtois y Fede Valverde con Pintus.
MI EQUIPO ????????????pic.twitter.com/N4UGGCaGP5
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Mbappé foi mais um desses casos, continuando de fora numa lista onde constavam também Eder Militão, Bellingham, Dani Ceballos, David Alaba e Rodrygo além dos castigados Álvaro Carreras, Dean Huijsen e Mastantuono. Em contrapartida, a convocatória para Vigo tinha muito sangue novo da equipa secundária, com Lamini Fati, Diego Aguado, César Palacios, Manuel Ángel, Cestero, Thiago, Mestre e Álvaro. O encontro não tinha margem de erro mas estava longe de ter a melhor versão do Real para evitar esse “erro”.
“Vai ser uma deslocação complicada, contra uma grande equipa e um treinador que está a fazer um trabalho magnífico. O Celta é uma equipa muito bem trabalhada, está com confiança e a jogar bem. Estamos com uma série de duas derrotas seguidas na Liga e num clube como o Real isso é complicado de gerir pela exigência mas estamos conscientes do que temos pela frente e de que temos de ganhar. O passado já não existe. Adeus à Liga com nova derrota? Ficam 16 jogos ainda por fazer, estamos com quatro pontos de atraso… Depois de duas derrotas o ambiente pode não ser o mais positivo mas o balneário está consciente de que vamos lutar pela conquista do título e que falta ainda muito Campeonato”, apontara Arbeloa antes da partida, sempre numa atitude “politicamente correta” que carecia depois do mais importante: o resultado. E foi isso que voltou a aparecer no epílogo do encontro, com Valverde a “resgatar” a equipa da atual lei de Murphy.
????️ Álvaro Arbeloa: "No hay mejor manera que celebrar los 124 años del mejor club del mundo que hacerlo de esta manera luchando contra TODOS, tenemos que celebrar como han peleado todos los jugadores." pic.twitter.com/AuQiu9YfkO
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Depois de uma primeira parte que terminou com um empate a um, entre o golo de Tchouaméni (11′) e uma resposta quase pronta de Borja Iglesias (25′), o Real cresceu na segunda parte, esteve mais perto da vantagem e teve o mérito de nunca deixar de acreditar, chegando ao 2-1 final no quarto minuto de descontos num lance que começou com os galegos a pedirem falta a meio-campo sobre Fernando López antes da jogada que passou pelos três corredores e que terminou com um remate do médio uruguaio que sofreu ainda um desvio e traiu o guarda-redes Ionut Radu, carimbando o regresso aos triunfos dos merengues que ficam assim à condição a um ponto do líder Barcelona, que joga este sábado em Bilbau com o Athletic.
Tchouaméni pegou-lhe bem ????
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Borja Iglesias encosta para o empate ????
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Aquí se ve mucho mejor la falta previa al 1-2 del Real Madrid. Otro robo más. pic.twitter.com/rVH7xT1CPH
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Valverde no último minuto ????
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