É um daqueles jogos em que pouco importa a diferença pontual, os resultados das últimas jornadas ou até a motivação de um lado e de outro. Quando o apito inicial é ouvido num El Clásico, o passado e o futuro ficam suspensos durante 90 minutos — ali, seja em Barcelona ou em Madrid, só interessa o presente. E a ideia de que tudo pode acontecer no que é quase universalmente considerado o maior jogo de futebol do mundo.
Este domingo, em Camp Nou, Barcelona e Real Madrid disputavam o primeiro clássico da temporada — ou seja, José Mourinho disputava o primeiro clássico desde que regressou ao Bernabéu. Separados por seis pontos na La Liga, com vantagem para a liderança dos catalães e ainda com o Atl. Madrid à frente dos merengues, os dois eternos rivais encontravam-se numa fase positiva das duas equipas. Mas com uma nuance que até parecia favorecer o conjunto do treinador português.
O ambiente e equipas no relvado ????
???? Barcelona x Real Madrid, domingo às 20h00, na DAZN.
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Por um lado, o Real Madrid aparecia na Catalunha vindo de quatro vitórias consecutivas, duas na Liga dos Campeões e duas no Campeonato, sendo que o dérbi perdido para o Atl. Madrid há cerca de um mês foi mesmo o único jogo que não ganhou nos últimos oito. O arranque de temporada aos trambolhões abriu uma brecha para a liderança da classificação, mas José Mourinho não tinha dúvidas de que o resultado deste domingo podia encurtar distâncias.
“As pessoas que há uma semana pensavam que o Barcelona nos poderia golear agora pensam o mesmo. Não creio que essa ideia venha a mudar. O facto de se falar bem do Barça é algo que não me afeta. Para ser sincero, há jogos em que, obviamente, merecem que se fale muito bem deles porque fazem coisas muito boas. No nosso caso somos vistos como um produto acabado. Os produtos acabados no futebol são difíceis. Se falarmos de nós numa fase avançada do processo… Estamos a trabalhar há três meses. Se tirarmos a pré-temporada, a pausa para os jogos das seleções… Trabalhámos um mês e meio. Longe de ser um produto acabado, é um produto inicial, em que nos encontramos numa fase inicial, em que o treinador está a conhecer, a analisar… Os jogadores também estão a conhecer-me. Comparar uma equipa assim com outra que tem mais anos de existência não me parece justo”, disse o treinador português, que surpreendeu ao aparecer com a barba por fazer na conferência de imprensa.
Por outro lado, o Barcelona surgia em Camp Nou com nove vitórias em nove jornadas da La Liga e com outras duas vitórias em três jornadas da Liga dos Campeões. Ou seja, acabado de sofrer a primeira derrota da temporada, contra o PSG e em Paris, num jogo que foi uma espécie de final antecipada e que deixou bem claro que, apesar da hegemonia interna, a equipa de Hansi Flick ainda tem de crescer na hora de enfrentar adversários da craveira dos bicampeões europeus.
A receção ao Mourinho ????
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“Falámos com os jogadores, analisámos o encontro. Fizemos coisas muito bem, mas há situações que devemos melhorar. Temos de crescer. Amanhã jogamos contra uma das melhores equipas do mundo, é uma oportunidade para crescer como equipa. Sabemos os pontos fortes do Real Madrid e nos lances de estratégia é uma das melhores equipas. Também são fortes fisicamente. É preciso defender melhor do que em Paris, comentámo-lo hoje. O importante é posicionarmo-nos bem com e sem bola e ter uma boa distância entre futebolistas, pressionar o jogador com bola. Se fizermos tudo bem será fácil defender os lances do Real Madrid”, atirou o técnico alemão, que ainda fez muitos elogios a José Mourinho e disse ter “o maior respeito” pelo português.
Ora, este domingo, Mourinho não contava com Thibaut Courtois, que foi baixa de última hora devido a uma gripe, e lançava Andriy Lunin na baliza. Com Vinícius ainda castigado, Yan Diomande era titular com Arda Güler e Jude Bellingham no apoio a Kylian Mbappé, sendo que Bernardo Silva se mantinha no meio-campo com Tchouaméni. Já Hansi Flick, que não tinha os lesionados Dani Olmo e Jules Koundé, apostava em Anthony Gordon, Fermín López, Lamine Yamal e Raphinha no ataque, com Karim Adeyemi a começar no banco e João Cancelo na esquerda da defesa.
Numa primeira parte discutida e equilibrada, não foi preciso esperar muito para perceber que o Barcelona iria procurar o ataque mais posicional, com Lamine Yamal a dar muito trabalho a Marc Cucurella na direita, e o Real Madrid iria procurar o ataque mais direto, com Yan Diomande e Mbappé sempre prontos para acelerar no espaço. Sem que tenham existido enormes oportunidades até ao golo, Arda Güler teve a primeira situação de perigo com um remate que passou por cima (5′), Anthony Gordon obrigou Lunin às primeiras intervenções (7′ e 15′) e Raphinha assustou os merengues com um pontapé potente que passou ao lado (22′).
Mbappé e o golo esquisito ????
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Hansi Flick foi forçado a fazer a primeira substituição à passagem da meia-hora, com Xavi Espart a lesionar-se e a obrigar à entrada de Alejandro Balde, e as duas equipas continuaram a dividir situações de perigo e lances mais contundentes sem que nenhuma tivesse propriamente um verdadeiro ascendente. Já perto do fim da primeira parte, porém, a sorte sorriu aos merengues: Yan Diomande fugiu na esquerda e cruzou, Pau Cubarsí aliviou, mas contra Mbappé, que acabou por abrir o marcador (41′). Yamal ainda teve uma ocasião gigantesca para empatar, atirando ao lado quando só tinha Lunin pela frente (44′), e o Real Madrid foi mesmo para o intervalo a vencer o Barcelona em Camp Nou.
Nenhum dos treinadores mexeu no início da segunda parte e o Barcelona não demorou a mostrar que não queria esperar muito pelo empate. O Real Madrid regressou dos balneários já em modo gestão, procurando resguardar a vantagem que levava do primeiro tempo, mas o empate dos catalães acabou mesmo por aparecer à passagem da hora de jogo, com Raphinha a rematar cruzado na área, após enorme assistência de Pedri, para bater Lunin (61′).
Raphinha está de volta ????
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Mourinho fez a primeira substituição logo a seguir, trocando Fede Valverde por Denzel Dumfries, e Arda Güler teve a primeira grande situação dos merengues na segunda parte com um remate enquadrado que Joan García defendeu (63′). O Barcelona insistiu cada vez mais à medida que o relógio foi avançando, passando a atuar por inteiro no meio-campo contrário, e Hansi Flick procurou dar critério com Frenkie de Jong ao mesmo tempo que Mourinho procurou dar músculo com Eduardo Camavinga.
Gabriel Jesus e Adeyemi entraram para os derradeiros instantes, mas o xeque-mate apareceu do outro lado: Jude Bellingham brilhou no meio-campo e soltou Camavinga em velocidade, o francês fez um passe atrasado na cara de Joan García e Mbappé, vindo de trás e com a baliza vazia, encostou para bisar e garantir a vitória (87′). O Real Madrid venceu o Barcelona em Camp Nou no primeiro El Clásico da temporada e José Mourinho, no regresso ao maior jogo de futebol do mundo, voltou a contar com a saída à francesa do costume na véspera da gala da Bola de Ouro que parece cada vez mais pertencer mesmo ao avançado dos merengues.
MBAPPÉ BISA E VOLTA A COLOCAR O REAL NA FRENTE ????
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