O domingo foi perfeito, com uma vitória no El Clásico contra o Barcelona. A segunda-feira foi mais triste, com Kylian Mbappé a perder a Bola de Ouro para Harry Kane. Este domingo, porém, o Real Madrid tinha de voltar a correr atrás do prejuízo — e parte disso passava por ganhar, responder aos triunfos dos catalães e do Atl. Madrid e continuar a perseguir os lugares cimeiros da La Liga.

E o adversário, na verdade, podia ajudar. Os merengues visitavam um Racing Santander com apenas três vitórias em dez jornadas, a tentar fugir à zona de despromoção, e tinham a possibilidade de chegar ao sexto triunfo consecutivo. José Mourinho não escondia a importância da vitória contra o Barcelona há uma semana, mas lembrava que a única maneira de conquistar o Campeonato era ganhar todos os jogos e não apenas os confrontos com os principais rivais.

Mourinho e a saída à francesa que joga muito à Bola e vale Ouro: Real vence Barça em Camp Nou com dois golos de Mbappé

“O nosso objetivo não é ganhar um jogo ao Barcelona, é ganhar o Campeonato. Se não ganharmos a vitória no clássico não terá o mesmo significado. É obviamente um jogo perigoso. Todos os jogos o são, em casa ou fora. Mas é evidente que nos jogos fora temos de acrescentar o fator do público adversário. As equipas adversárias sentem-se mais confortáveis a jogar perante os seus adeptos e o Racing ainda não perdeu em casa. Vai ser difícil, mas é aí que entra a nossa resiliência e a nossa vontade de sermos inteligentes”, disse o treinador português, que criticou a organização do calendário, já que os merengues enfrentam quatro jogos consecutivos fora de casa entre La Liga e Liga dos Campeões.

Assim, este domingo e ainda sem Vinícius, que continua castigado, José Mourinho lançava Yan Diomande, Arda Güler e Jude Bellingham no apoio a Kylian Mbappé, com Bernardo e Tchouaméni no meio-campo e, para surpresa de muitos, Trent Alexander-Arnold na direita da defesa. Do outro lado, numa equipa que vinha de duas vitórias seguidas, José Alberto tinha Yassir Zabiri como referência ofensiva e deixava André Almeida, médio português emprestado pelo Valencia, no banco de suplentes.

Numa primeira parte em que o sentido único foi praticamente uma constante, Kylian Mbappé abriu o marcador de grande penalidade e depois de ele próprio ser carregado em falta por Matteo Prati na grande área (11′). Jude Bellingham aumentou a vantagem pouco depois, aproveitando uma triangulação perfeita para aparecer na cara do guarda-redes, contorná-lo e atirar para a baliza deserta (22′), e Yan Diomande ainda marcou com um grande pontapé de fora de área na sequência de um canto (36′). Ao intervalo, portanto, o Real Madrid estava a vencer o Racing Santander de forma clara. 

Nenhum dos treinadores mexeu no início da segunda parte e o Real Madrid regressou dos balneários algo adormecido, permitindo um ascendente pouco expectável do Racing Santander e uma oportunidade em que Yassir Zabiri, com um remate por cima ao primeiro poste depois de um cruzamento na direita (53′), até poderia ter feito mais estragos.

Os merengues acordaram à passagem da hora de jogo, com Mbappé (60′) e Jude Bellingham (62′) a obrigarem Julen Agirrezabala a duas defesas importantes, e José Mourinho procurou navegar essa onda com a entrada de Brahim Díaz. O árbitro da partida chegou a assinalar uma grande penalidade por mão na bola de Tchouaméni, mas o VAR reverteu, e o treinador português decidiu colocar Eduardo Camavinga para ganhar algum músculo no meio-campo.

Já nada mudou até ao fim, com André Almeida e Endrick a terem ainda alguns minutos e Bellingham a ter ainda um golo anulado nos descontos por fora de jogo (90+1′), e o Real Madrid venceu o Racing Santander graças ao resultado alcançado na primeira parte, chegando ao sexto triunfo consecutivo em todas as competições e mantendo-se a um ponto do Atl. Madrid e a três da liderança do Barcelona. Numa semana em que teve de se defender e muito depois de comentários sobre Mao Tsé-Tung que não agradaram à China, Kylian Mbappé deixou bem claro que nenhuma polémica o afetou e voltou a ser crucial para José Mourinho.