Os deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM aprovaram esta quinta-feira o requerimento de reserva de imagem de Edi Vieira da Luz Gomes, diretora do Departamento de Gestão de Recursos Humanos do INEM, antes de dar início à audição que a antecedia.

O requerimento aprovado por PSD, PS e Chega fez com que a imagem da depoente não fosse transmitida pelo canal do Parlamento, a ARTV, que apenas divulgou o som da audição em direto. Contudo, antes da audição de Edi Gomes, esse pedido levou à saída do jornalista do Observador que acompanhava os trabalhos na sala — o único membro da imprensa presente.

A decisão foi tomada numa outra votação em que todos os partidos, à exceção do Chega, votaram pela saída do jornalista que estava a cobrir a CPI e que não tinha qualquer equipamento de captação de imagem. A presidente da mesa, Marta Silva, do Chega, sensibilizou os elementos da CPI para esse facto, afirmando que deste modo a sua presença não era contrária ao requerimento de reserva de imagem da depoente.

“A depoente não invoca uma sessão privada. Não vejo por que fechar a porta à comunicação social”, sublinhou o deputado do Chega Pedro Frazão. Contudo, o PSD recordou uma situação semelhante de ausência de jornalistas na sala devido a reserva de imagem dos depoentes, durante a comissão parlamentar de inquérito ao caso das gémeas luso-brasileiras, que terminou em 2025. “Temos precedente das gémeas. A comunicação social não estava na sala”, notou Miguel Guimarães.

Durante a CPI mencionada por Miguel Guimarães, o requerimento de reserva de imagem de Carla Silva, antiga secretária de Lacerda Sales, foi votado dias antes. Na altura, a depoente pediu que a audição fosse à porta fechada, mas acabou por ser determinado que se respeitaria apenas a reserva de imagem e os jornalistas acabaram por não se deslocar ao local. Porém, por momentos, a imagem de Carla Silva foi transmitida pela ARTV.

Esta quinta-feira, o PS votou a favor da saída do jornalista. “Estamos apenas a tentar respeitar o pedido da depoente”, disse por sua vez a deputada socialista Sofia Andrade. “O Chega é totalmente transparente face à comunicação social na sala”, reforçou Pedro Frazão.

A votação sobre o assunto acabou com PSD e PS a manifestarem-se pela saída do jornalista e o Chega a favor da permanência. O jornalista do Observador abandonou a sala e seguiu a audição através da ARTV.