Era a hora de voltar a superar um obstáculo para continuar a fazer história. O Sp. Braga partiu para os oitavos de final da Liga Europa como favorito a ultrapassar o Ferencváros, atual heptacampeão da Hungria, por conta do percurso que fez na primeira fase da Liga Europa, onde conseguiu o apuramento direto para esta fase da segunda prova europeia de clubes, consolidando-se entre as oito melhores equipas da competição na fase de liga. Ainda assim, os guerreiros do Minho tiveram uma entrada em falso na visita a Budapeste, na qual acabou por ser derrotado (2-0). Agora era a hora dos minhotos voltarem a mostrar a sua força em Braga e de conseguirem regressar aos quartos de final da Liga Europa quatro anos depois da última presença.

A música de Lenny desafinou os cantares do Minho: Sp. Braga perde com o Ferencváros e está em desvantagem

A partida da Hungria acabou por ser a última que o Sp. Braga disputou antes de voltar a medir forças com o Ferencváros, já que os arsenalistas tiveram de remarcar o seu jogo do Campeonato Nacional, frente ao Casa Pia (fora). O principal motivo para esse adiamento passou pela marcação desta segunda mão para um dia e uma hora impróprias no que toca à Liga Europa (quarta-feira, 15h30), devido aos regulamentos da UEFA, que não permitem a FC Porto e Sp. Braga jogarem em casa no mesmo dia (os dragões têm vantagem porque terminaram à frente dos bracarenses na fase de liga). Na receção às águias verdes, Carlos Vicens não podia contar com os lesionados Adrian Barisic, Alaa Bellaarouch e Vítor Carvalho, precisando de uma exibição praticamente perfeita da sua equipa para seguir em frente.

“Temos falado muito com os jogadores sobre as coisas que aconteceram no último jogo. Temos de melhorar. A equipa tem de ter mais eficácia em muitas coisas, tem de oferecer um nível e uma mobilidade mais alto. Temos de ser sólidos com e sem bola e transmitir um nível de intensidade e agressividade mais altos. Estamos preparados para fazer um jogo melhor do que na semana passada e temos de estar convencidos que vamos consegui-lo. Temos de ter um equilíbrio emocional muito alto. Temos de estar vivos e presentes ao longo de todo o jogo para conseguir o objetivo. Já apresentei as soluções aos meus jogadores. Com a pressão alta que nos colocaram, temos de estar mais concentrados e marcar mais presença no nosso meio-campo ofensivo, estando atentos às transições. Foi assim que sofremos o segundo golo na Hungria”, assumiu o treinador espanhol.

Carlos Vicens manteve o 4x2x3x1, com Víctor Gómez e Bright Arrey-Mbi nos corredores laterais e Sikou Niakaté e Gustaf Lagerbielke no centro da defesa, à frente Lukás Hornícek. No meio-campo, Florian Grillitsch e Gorby Baptiste trataram de equilibrar a equipa, permitindo a mobilidade ofensiva de Rodrigo Zalazar, Ricardo Horta e Gabri Martínez, bem como do ponta de lança Pau Victor. No Ferencváros, que também adiou o seu jogo, frente à Puskás Akadémia, Robbie Keane não contou com o suspenso Kris Zachariassen, lançando Júlio Romão no seu onze, sendo que o brasileiro foi a única novidade em relação à primeira mão.

Com Pedro Proença e Reinaldo Teixeira, presidentes da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga Portugal, ao lado de António Salvador, o Sp. Braga entrou com tudo nesta segunda mão e, logo nos minutos iniciais, ameaçou o primeiro golo, com Gómez a cabecear ao lado do poste direito da baliza de Dávid Gróf (8′). No lance seguinte, Víctor baixou e atraiu os centrais húngaros, servindo de apoio para Zalazar que, depois de ser lançado em velocidade, cruzou rasteiro para o remate certeiro de Horta ao segundo poste (11′). Os arsenalistas continuaram com fome de golo e, volvidos quatro minutos, empataram a eliminatória, ainda no primeiro quarto de hora da partida: Horta e Zalazar voltaram a desbloquear antes da defesa do Ferencváros afastar o perigo, mas a bola sobrou para a entrada da área, onde Grillitsch apareceu a rematar de primeira para o 2-0, com Gróf a ficar bastante mal na fotografia (15′).

Apesar do empate, o jogo continuou intenso e com a turma portuguesa por cima e perto do terceiro, mas o chapéu do capitão acabou por sair demasiado longo (23′). Pouco depois, o empate acabou por ser desfeito, numa grande jogada coletiva do Sp. Braga que começou com um passe de Grillitsch para a direita, onde Pau Victor voltou a aparecer, servindo depois Martínez que, isolado, cavalgou para a área e fez o terceiro, dando seguimento a uma entrada de alto nível da equipa de Vicens (34′). A partir daí e até ao intervalo, os guerreiros do Minho assumiram uma postura mais conservadora, optando por gerir a posse de bola e baixar o ritmo da partida. Por outro lado, as águias verdes pouco conseguiram fazer, mostrando poucos argumentos para inverter a supremacia portuguesa (3-0).

Na etapa complementar mantiveram-se os 22 protagonistas e o fulgor ofensivo do Sp. Braga que, num canto de Ricardo Horta, criou a primeira ocasião de perigo, com Niakaté a cabecear por cima (49′). Logo a seguir, Pau Victor ganhou à defensiva do Ferencváros dentro da área e colocou atrasado para Víctor Gómez que, solto de marcação, cruzou rasteiro e atrasado para a entrada da área, onde Ricardo Horta apareceu desmarcado a desferir um fantástico remate, de primeira, para o golo da tarde, com a bola ainda a desviar no poste antes de entrar (53′). Curiosamente, o capitão bracarense só tinha um golo nesta edição da Liga Europa, tendo dobrado o registo só no jogo desta quarta-feira. Na resposta ao golo, Dele Yusuf apareceu com perigo dentro da área, mas o remate acabou nas mãos de Hornícek (57′).

Já com Franko Kovacevic no lugar de Mohammed Abu Fani, o jogo baixou em termos de intensidade, com o Sp. Braga a entrar em ritmo de gestão poucos dias antes de receber o FC Porto. Carlos Vicens respondeu com Gabriel Moscardo, que rendeu Gorby no meio-campo, naquele que foi o melhor período húngaro no jogo, que teve Romão a desferir um remate forte, de fora da área, para uma grande estirada de Lukás Hornícek (68′). Seguiu-se a troca de Lenny Joseph por Zsombor Gruber e nova intervenção do checo, a remate rasteiro de Gabi Kanichowsky (72′). Para a reta final, o espanhol voltou a mexer, colocando Diego Rodrigues, Mario Dorgeles e João Moutinho em campo, nos lugares de Florian Grillitsch, Gabri Martínez e Ricardo Horta, o que levou a equipa baixar ligeiramente em momento defensivo. Nos húngaros entraram Cadu Lopes e Naby Keïta, saindo Yusuf e Kanichowsky, ao passo que Fran Navarro foi o último a sair dos bancos, rendendo Pau Victor.

Feitas as contas, o Sp. Braga está pela quarta vez nos quartos de final da Liga Europa, fase que atingiu em 2021/22, 2015/16 e 2010/11. Nas últimas duas participações no top 8, os guerreiros do Minho foram eliminados por Rangers (2-3, a.p.) e Shakhtar Donetsk (1-6). O objetivo é repetir a presença de 2011 nas meias-finais, num ano em que o Sp. Braga chegou à final de Dublin, que perdeu para o FC Porto depois de deixar o Benfica pelo caminho. O próximo adversário é o Panathinaikos ou o Betis, equipas que se defrontam na quinta-feira (gregos venceram 1-0 em casa). A primeira mão acontece em Braga, a 9 de abril, podendo ser alterada por conta do apuramento dos dragões.