A primeira fase da Liga Europa do Sp. Braga foi quase perfeita. Os minhotos venceram em cinco das oito jornadas, empataram duas vezes e só perderam com o Genk, somando 17 pontos e garantindo o apuramento direto para os oitavos de final da Liga Europa. Esta quinta-feira, o sonho continuava — e a ambição, naturalmente, era desmedida.

O Sp. Braga regressava às competições europeias depois de um empate com o Sporting na Pedreira, sendo que antes tinha somado quatro vitórias em cinco jogos, e visitava os húngaros do Ferencváros na primeira mão dos oitavos de final. O adversário parecia acessível, com pouco historial europeu e muito longe da final da Liga Europa que os minhotos chegaram a disputar em 2010/11, mas Carlos Vicens era o primeiro a pedir cautela.

“É uma equipa com espírito competitivo muito alto, que se adapta a diferentes estilos de jogo, que consegue ser agressiva, mas também sabe jogar e tomar o controlo quando isso é necessário. Pode apostar nos extremos e se precisar de jogar mais direto vai conseguir fazê-lo, ganhando duelos e segundas bolas. São duros quando precisam de apostar no um contra um. E é também um rival forte nas bolas paradas. Vimos todos os perigos. É óbvio que não esperávamos chegar aos oitavos de final e ter uma eliminatória fácil… Nesta fase só enfrentas quem merece aqui estar. Tentaremos mostrar a nossa melhor versão, com vontade de fazer uma grande eliminatória, fazer o nosso jogo”, disse o treinador espanhol na antevisão da partida.

Assim, em Budapeste, Carlos Vicens lançava Ricardo Horta e Rodrigo Zalazar no apoio a Pau Víctor, com Mario Dorgeles, Florian Grillitsch e João Moutinho no meio-campo, deixando Fran Navarro no banco. Do outro lado, num Ferencváros que afastou o Ludogorets no playoff e vinha de cinco vitórias consecutivas, o mítico Robbie Keane tinha Lenny Joseph e o ex-Estoril Dele Yusuf no ataque, com o ex-Liverpool Naby Keita a começar no banco.

Os húngaros mostraram desde logo que queriam discutir a eliminatória e Mohammad Abu Fani, nos instantes iniciais e na sequência de um erro de Pau Víctor, rematou ao lado (3′). O Sp. Braga tinha mais bola, mas era o Ferencváros a causar perigo sempre que acelerava em transições rápidas e aproveitando o espaço que os minhotos acabavam por deixar. Mariano Gómez cabeceou ao lado (19′), Abu Fani obrigou Lukáš Horníček a uma dupla intervenção (22′) e, já depois de Zalazar rematar para Dávid Gróf defender (26′), o golo apareceu mesmo.

Recuperação de bola em zona adiantada, tudo muito simples entre a autêntica cratera criada na defesa minhota e Gavriel Kanichowsky recebeu de Lenny Joseph para rematar rasteiro à entrada da grande área e abrir o marcador (32′). Os húngaros ainda poderiam mesmo ter aumentado a vantagem até ao fim da primeira parte, com o mesmo Kanichowsky a rematar para defesa de Horníček (45+1′), mas já nada aconteceu e o Sp. Braga foi para o intervalo a perder com o Ferencváros em Budapeste.

Nenhum dos treinadores fez alterações no início da segunda parte e a lógica mantinha-se: o Sp. Braga tinha bola, o Ferencváros tinha as oportunidades. Carlos Vicens fez as primeiras substituições à passagem da hora de jogo, lançando Gabri Martínez e Gabriel Moscardo, mas a eficácia calculista dos húngaros voltou a aparecer. A cerca de 20 minutos do fim, Cebrail Makreckis acelerou sem oposição na direita e cruzou atrasado já perto da linha de fundo, com Lenny Joseph a atirar forte para aumentar a vantagem (68′). 

O treinador minhoto ainda lançou Gorby, Fran Navarro e Diego Rodrigues, mas já nada mudou. O Sp. Braga perdeu com o Ferencváros em Budapeste e está em desvantagem nos oitavos de final da Liga Europa, tendo agora de dar a volta à eliminatória na segunda mão na Pedreira — com essa pressão adicional de, nas outras três ocasiões em que chegou a esta fase da competição europeia, ter conseguido sempre seguir em frente.