Gonçalo Reis acusou os partidos de esquerda de “arrogância” por exigirem explicações sobre as nomeações de novas administrações para o Museu do Aljube e Teatro do Bairro Alto. O vice-presidente da Câmara de Lisboa lembrou a sua experiência à frente da RTP para criticar os pedidos de “duplas explicações” ao executivo municipal pela não continuidade de Rita Rato e Francisco Frazão nas direções dos equipamentos municipais. “Aquilo que nunca vi, nomeadamente quando a esquerda esteve no poder, foi darem explicações sobre quem sai. Nunca vi. Dêem-me, por favor, exemplos concretos.”
O número dois de Carlos Moedas afirmou esta terça-feira na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa que a EGEAC tem atenção a critérios de “equilíbrio e pluralidade” nas suas nomeações e lembrou que a empresa municipal é responsável por mais 20 equipamentos culturais com uma “abrangência” de administrações diferentes. Gonçalo Reis defendeu-se ainda das críticas relativamente à nomeação sem concurso de Anabela Valente e Miguel Loureiro, que substituem no Aljube e no TBA, respetivamente, diretores que tinham sido nomeados após concurso.
“Cada autarquia tem o direito de escolher as pessoas para os equipamentos culturais”, sentencia. Reis lembra que, por exemplo, na semana passada Ana Abrunhosa, eleita nas listas do PS, decidiu não reconduzir o programador José Maçães de Carvalho de um equipamento cultural do seu município. “Porque é que em Coimbra se faz isto e não abaixo-assinados nem manifestos de intenções contra o presidente da Câmara? Eu acho que lá está normal, aqui é que se está a fazer demais.”
“Mesmo uma equipa que está a fazer muito bem pode ser uma opção válida para substituir e deixar quem nós achamos que vai fazer muito, muito bem”, disse, defendendo que esta é uma prática corrente “em qualquer parte do mundo civilizado”. Gonçalo Reis mostrou-se contra soluções “únicas e totalitárias” na área da Cultura, acrescentando que “vale a pena não eternizarmos as pessoas nos lugares”, apesar de elogiar determinados administradores que se mantêm nos cargos há mais de 10 anos.
O vice-presidente da CML também respondeu às críticas sobre a acumulação de funções de Miguel Loureiro à frente do TBA e do Teatro São Luís, defendendo que “em determinadas circunstâncias essa é a boa prática”. Lembra o exemplo de Joaquim René que é simultaneamente administrador do Capitólio e do Teatro Variedades, equipamentos que acredita não terem ficado “minimamente diminuídos por o administrador acumular funções”.
Numa nota final, Gonçalo Reis vincou que Rita Rato tinha sido nomeada por Carlos Moedas para o Museu do Aljube e que se mantém como quadro, apesar de deixar de ser diretora. Sobre a sua sucessora, Anabela Valente, garantiu que esta “não vem fazer nenhum jogo extremado” e pediu o “benefício da dúvida” na avaliação dos diretores agora nomeados. “Não desprezem o novo, não desprezem as pessoas qualificadas e capacitadas que aí vêm. Abram as cabeças às possibilidades.”
Quando foram anunciadas as mudanças à frente destes dois equipamentos, PS, PCP, Livre e BE manifestaram “dúvidas e preocupações sérias” sobre a decisão da EGEAC de não reconduzir Francisco Frazão e Rita Rato, questionando os critérios e as motivações do executivo municipal liderado por Moedas. Os socialistas propuseram, nomeadamente, que passe a ser obrigatória a “recondução dos diretores de equipamentos culturais municipais que tenham atingido os objetivos definidos para o respetivo mandato” e que “a substituição de diretores de equipamentos culturais municipais nunca possa ocorrer sem prévio procedimento concursal público, transparente e amplamente publicitado”. Esta terça-feira o assunto foi discutido pelos deputados municipais lisboetas após proposta do grupo municipal do PCP.