A mudança de ano trouxe uma nova vida a Miguel Oliveira no mundo do motociclismo. Com a porta fechada na Pramac e na Yamaha, que levou à consequente saída do MotoGP, o piloto de Almada teve de encontrar alternativas para o seu futuro. Foi aí que o Mundial de Superbike apareceu na sua vida. Assinou com a BMW e, na Austrália, os primeiros sinais começaram por ser animadores, com o Falcão a arrancar com dois top 10 (oitavo e sétimo), “falhando” apenas na corrida superpole (18.º). No regresso à montanha-russa de Portimão, Oliveira aproveitou o fervor do público português para subir de nível em relação à prestação de Phillip Island e subiu por três vezes ao pódio, terminando a três corridas algarvias no terceiro lugar. Esses resultados atiraram Miguel Oliveira para o quarto lugar do Mundial ao cabo de duas rondas, apenas atrás dos Ducati Nicolò Bulega e Iker Lecuona, bem como do Bimota Axel Bassani.
Este fim de semana foi a vez do português de 31 anos regressar a Assen, nos Países Baixos, para voltar a correr naquela que é considerada a “catedral do motociclismo”. Olhando para o passado, Miguel Oliveira tinha mostrado consistência e competitividade nas ocasiões em que correu no Circuito de Assen, embora o seu melhor resultado datasse de 2018, quando foi segundo em Moto2. Essa foi a única vez que subiu ao pódio na corrida neerlandesa, sendo que, no MotoGP, o seu melhor resultado foi o sexto lugar de 2021. Em 2025 não concluiu o Grande Prémio dos Países Baixos devido a uma queda sofrida na oitava volta. Ainda assim, esperava-se dificuldades para a M 1000 R em Assen, já que o traçado fluído e veloz estava longe de favorecer as característica da moto da BMW em comparação com as Ducati.
Que o diga Miguel Oliveira que, no primeiro dia deste Grande Prémio, sentiu muitas dificuldades para entrar no ritmo dos mais rápidos, fechando a primeira sessão de treinos livres no 12.º lugar. Quando procurava melhorar o seu registo, o Falcão caiu a cerca de dez minutos do final, não tendo voltado à pista. Na segunda sessão, Oliveira conseguiu adaptar-se às condições da pista e terminou à porta do top 10, no 11.º lugar. A abrir a jornada deste sábado, o português continuou a mostrar evolução no traçado de Assen e, na última sessão de treinos livres, foi quarto classificado, a menos de um décimo de entrar no pódio. Contudo, na qualificação, Miguel Oliveira não conseguiu ir além do 13.º lugar, a 1,160 segundos de Bulega, que voltou a conquistar a pole position.
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“Desde o arranque não me senti bem com a moto. Sofri muito para fazer com que a moto curvasse nestas curvas mais fluidas, sofri de chatter na curva 10, o que é muito raro. As duas rodas simplesmente desapareceram de baixo de mim. A queda foi pequena. Conseguimos dar alguns passos em frente, mas não foram passos substanciais para que me pudesse sentir bem em cima da moto. Há trabalho para fazer amanhã [sábado]. Temos margem para melhorar e vamos tentar ser mais competitivos. Sabíamos que Assen ia ser um bom desafio para nós. É sempre um bom indicador [o companheiro de equipa estar perto do topo], mas ao mesmo tempo preciso de encontrar o meu feeling e seguir o meu próprio caminho. Não coloco qualquer objetivo. Mais uma vez penso que estar no top 5 será um bom resultado, por isso vamos tentar atingi-lo. As condições climatéricas podem ser bastante traiçoeiras por isso temos de manter a calma e estar prontos”, explicou o almadense no final das sessões de sexta-feira.
A abrir a quinta linha da grelha de partida, o piloto português arrancou bem e subiu de imediato ao 12.º lugar, numa fase em que Lecuona ultrapassou Bulega na dianteira. Na volta seguinte foi a vez de Miguel Oliveira deixar para trás Yari Montella (Ducati) e Remy Gardner (Yamaha) para entrar nos dez primeiros. Já com Nicolò Bulega tranquilamente na liderança, o Falcão ultrapassou Tarran Mackenzie (Ducati) na curva 16, aproveitando, depois a luta entre as Yamaha de Andrea Locatelli e Xavi Vierge para se aproximar do top 6, já que Danilo Petrucci (BMW) foi penalizado por ter arrancado antes do sinal vermelho desaparecer. Ainda assim, a 14 voltas do fim, um erro de trajetória atirou Oliveira para o nono lugar, com Mackenzie a recuperar a posição.
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Pouco depois, a gestão dos pneus começou a fazer-se sentir e o português caiu para décimo depois de Lorenzo Baldassarri (Ducati) o ter ultrapassado, mas respondeu de pronto, obrigando o italiano a errar. Quando parecia estar a perder posições, Miguel continuou ao ataque e subiu ao oitavo lugar, ultrapassando, de uma assentada, Montella e Vierge. A sete voltas do fim, a chuva fez-se notar em Assen e, nessa condição, Oliveira atacou Locatelli para se colocar no sétimo posto, ao mesmo tempo que Lecuona aproveitou um deslize de Bulega para recuperar a liderança. Logo a seguir, o português voltou a errar e perdeu três posições de uma vez. Ainda assim, ultrapassou, uma vez mais, Vierge e Montella. Na frente, o líder do Mundial recuperou o primeiro lugar na antepenúltima volta e disparou para mais uma vitória neste campeonato. Na última volta, Miguel Oliveira ultrapassou Mackenzie com um grande mergulho e terminou no sétimo lugar, perfilando-se como o melhor piloto da BMW.
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