O líder socialista leva este domingo a votos a sua lista para a Comissão Política Nacional, o órgão de direção política nacional do partido, que será encabeçada por Teresa Almeida, a socialista que preside ao conselho diretivo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo. Na lista estarão vários ex-ministros do PS, mas Duarte Cordeiro acabou por desistir, nos últimos dias, de integrar este órgão.
Teresa Almeida é arquiteta e tem uma longa história com a liderança da CCDR‑LVT, onde já tinha estado entre 2010 e 2011, tendo voltado depois em 2019, e mantendo-se até hoje — pelo caminho o cargo de presidente passou a ser escolhido em eleições indiretas e nas últimas (janeiro deste ano), a socialista foi candidata única e eleita com 70% dos votos dos autarcas daquela área geográfica, depois de um acordo entre PS e PSD.
Entre 2005 e 2007 tinha já sido governadora civil de Setúbal e agora, apurou o Observador junto de fonte próxima do líder do PS, José Luís Carneiro convidou-a para ocupar este lugar simbólico no topo da lista à Comissão Política que é votada, por via eletrónica esta manhã. Na reunião em dia de aniversário do PS (53 anos), que se realiza no Hotel Altis em Lisboa, será também votada o grupo que Carneiro escolheu para a direção do PS, o secretariado nacional.
Na Comissão Política era já certa a vontade de Carneiro e a disponibilidade de alguns socialistas que estiveram nos governos de António Costa em integrar este órgão de direção, tais como Fernando Medina ou Duarte Cordeiro. No entanto, no final da semana passada, Cordeiro deu um passo atrás nesta disponibilidade e informou o líder que afinal não queria integrar a lista por “motivos profissionais”, disse a mesma fonte ao Observador.
Duarte Cordeiro é um dos nomes no PS sempre apontado para uma futura liderança, mas está afastado da política activa desde que o Governo de que fazia parte se demitiu. Na altura, o então ministro do Ambiente e Ação Climática foi alvo de buscas no âmbito da operação Influencer e acabou por se distanciar da vida política, dedicando-se a uma consultora da área do ambiente.
Ainda assim, mantém um espaço de comentário semanal no canal Now, onde já fez reparos à atual direção do partido — a mais recente sobre a posição nos juízes do Tribunal Constitucional. O socialista liderou a distrital do PS em Lisboa (a maior do país) durante seis anos e mantém forte influência na estrutura do partido, sendo apontado como uma reserva de peso para a liderança. Mas este passo atrás mostra que a sua posição é, agora, mais recuada para uma eventual futura investida.
Cordeiro foi uma das vozes, juntamente com Medina, Mariana Vieira da Silva e Ana Catarina Mendes, que criticaram a pressa de Carneiro em avançar para a liderança após a derrota eleitoral do ano passado e da saída de Pedro Nuno Santos. E no último congresso acompanhou a moção crítica da linha de Carneiro que foi apresentada por dois elementos que lhe são próximos: Pedro Costa e Miguel Costa Matos.
Delgado Alves coordena proposta para reforma da Justiça e Mendonça Mendes prepara uma espécie de agenda para a década
José Luís Carneiro prossegue este domingo a reorganização interna do partido, depois de novas diretas e do Congresso de Viseu, com a eleição da sua primeira lista à Comissão Política Nacional — até agora ainda convivia com a que tinha herdado da era de Pedro Nuno Santos.
Na lista que vai a votos durante a manhã vão estar nomes como os ex-governantes Medina, Ana Catarina Mendes, Mariana Vieira da Silva ou António Mendonça Mendes. Este último será ainda conselheiro de Carneiro para os assuntos económicos e financeiros, de acordo com a mesma fonte do partido, e também vai coordenar os trabalhos para a preparação de uma estratégia para o país — uma espécie de Agenda para Década, o plano estratégico definido por Costa antes de ser primeiro-ministro e que era coordenado por Mário Centeno, que foi, depois, o seu ministro das Finanças.
A ideia do líder é articular elementos das várias frentes do partido (secretariado, comissão política e direção parlamentar) de forma a envolver todos na vida diária do PS. É o caso, por exemplo, do deputado Pedro Delgado Alves que, embora não esteja no secretariado, vai estar na lista para a Comissão Política e ao mesmo tempo vai coordenar os trabalhos para a proposta da reforma da Justiça — que, no Congresso, Carneiro prometeu apresentar até maio.
No secretariado de Carneiro, que é o órgão de direção mais restrito, vai deixar de estar Luís Parreirão, que era o responsável pela organização — passa para a comissão política e para a direção do gabinete de estudos do PS. O secretariado para a organização passa para o chefe de gabinete de Carneiro, Luís Soares que, por sua vez, será ajudado na função pelo deputado e presidente do PS-Faro, Luís Graça.
Da direção de Carneiro deixa de fazer parte Pedro Costa — Assis, Sousa Pinto e Ana Catarina Mendes também se tinham mostrado já indisponíveis — e entram nomes como o deputado Miguel Cabrita, Ana Mendes Godinho, Fátima Fonseca (antiga secretária de Estado da Administração Pública) e também Sérgio Ávila, antigo deputado e secretário regional dos Açores que será o conselheiro do líder para matérias orçamentais. André Moz Caldas e Filipe Costa mantêm-se no secretariado, bem como João Torres ou Maria Antónia Almeida Santos, que manterá responsabilidades na área da saúde (partilhadas com Mariana Vieira da Silva, que tem esta incumbência na bancada parlamentar do PS).
Uma tentativa de mostrar dinâmica no partido e de reforçar a imagem de integração de várias frentes socialistas em torno do mesmo objetivo. José Luís Carneiro sabe que tem pela frente a dura travessia da oposição, mas as sondagens recentes — que colocam o PS de novo na frente das intenções de voto e o próprio líder como preferido para chefiar o Governo — trouxeram um tímido alento à sua liderança.