Fernando Medina critica a forma como Pedro Nuno Santos regressou ao Parlamento, na semana passada, com disparos em várias direções, nomeadamente para quem, no PS, não tem “coragem” para avançar para a liderança e se “esconde atrás da porta”. O antigo ministro das Finanças não encaixa a tirada do ex-líder que critica pelo “mau regresso”, pouco focado “na política que interessa aos portugueses” e, noutra frente, garante ter “o mesmo grau de liberdade” de Duarte Cordeiro — que ao contrário de Medina, ficou de fora dos órgãos de direção do partido, recusando o convite do líder José Luís Carneiro.
No espaço de comentário que tem no canal Now, o socialista foi confrontado, na sexta-feira passada, com o momento tenso no PS na última semana. Considerou que só Pedro Nuno “pode fazer a interpretação autêntica” das palavras que disse, quando apontou ao taticismo de outros socialistas que não avançaram para a liderança a seu tempo, mas também disse que se trata de “um mau regresso. Um ex-líder que tem uma voz na sociedade poderia ter regressado para falar da política que interessa aos portugueses, do estado do país, do pacote laboral, do custo de vida, do que refletiu sobre os seus próprios erros e limitações na liderança do partido, mas não”. Uma análise crítica que não está isolada no PS, tal como o Observador escreveu no final da semana.
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Medina considera que Pedro Nuno “fica mais exposto a que se possa interpretar isto como ressentimento com o que se passou” na sua era no PS, ao procurar “ataques pessoais”. “A leitura que fez foi concentrar as atenções sobre si próprio e o interior do PS”, argumentou para logo a seguir considerar que este é um assunto que diz pouco aos portugueses. Aliás, Medina apontou mesmo para as sondagens recentes para dizer que a atual liderança “tem feito o seu papel” e “tem vindo a afirmar-se, aliás, em corte profundo com a liderança anterior. E isso tem sido bem recebido pelos portugueses, as sondagens mostram isso mesmo e o partido está pacificado nessa dimensão”, sublinhou na comparação direta entre as duas eras.
Outro ponto que marcou a semana socialista — e que acabou como alvo de Pedro Nuno — foi a decisão de Duarte Cordeiro manter-se fora dos órgãos de direção do partido para conservar “liberdade para discordar”. Ora, Fernando Medina, outro nome frequentemente apontado como uma possibilidade para o futuro do partido, aceitou ficar nesses mesmos órgãos. E agora garante: “Sinto-me exactamente com o mesmo grau de liberdade de Duarte Cordeiro para dizer o que penso. Digo-o nos órgãos próprios do partido e diretamente aos portugueses.”
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Quanto à ambição para o cargo de líder do PS, no futuro, Medina não descarta. Disse que “o papel das pessoas na política só faz sentido quando são relevantes para o país e úteis para resolver problemas. Se a política é simplesmente um palco de egos em que a única coisa que conta é se alguém nasceu com a grande vontade de ser alguma coisa, isso não é servir a comunidade”. O socialista disse ter “muito respeito” por Cordeiro e que é “uma pessoa muitíssimo importante do presente e do futuro do PS, que sempre falou com liberdade, mesmo quando integrava governos e secretariados do partido, e vai continuar a falar com liberdade fora.”
Lembra que também ele tem criticado o PS publicamente em alguns momentos e que “mal” é quando os partidos são “estruturas monolíticas, sem liberdade de pensamento e de melhoria, e quando se está só preocupado com movimentos táticos”. A semana foi especialmente agitada no PS, com declarações cruzadas de quase todos os socialistas apontados como possibilidade para uma futura liderança, numa altura em que o atual líder acaba de ser eleito para um mandato de dois anos — o PS volta a ter eleições internas ainda antes de novas legislativas no país.