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Pois claro que não se fala de outra coisa desta vitória improvável, Lula da Silva, na segunda volta das presidenciais. Nunca aconteceu alguém que tivesse perdido na primeira volta e ter conseguido esta virada. Virou o marcador. Em Portugal, quer na primeira volta, quer na segunda, Lula foi sempre vencedor, com uma distinção muito grande de Lisboa e o Porto a dar a vitória a Lula e o consulado em Faro com o maior voto para Bolsonaro. Agora, como é que é a comunidade brasileira em Portugal? Este fim de semana, o Público tem um artigo com seis gráficos que ajudam a explicar quem são os brasileiros que votam. Não estamos a falar da comunidade toda, mas daqueles que votam. E esse é o primeiro dado importante. A comunidade brasileira em Portugal ronda o meio milhão. Agora, brasileiros em condições de votar para as eleições no Brasil são 134.797.

Sim, são nem metade.

Nem metade, é mesmo impressionante. Ainda assim, é o segundo maior número de votantes fora do Brasil. Estão em Portugal, só atrás dos Estados Unidos, onde há mais brasileiros que contribuíram para os resultados eleitorais que ficamos a conhecer esta noite. Ora bem, quem são estas pessoas? Estes gráficos dizem-nos, para já, que são 57% de mulheres e 43% de homens. Fazendo aqui umas contas, porque os números estão aqui mais distribuídos, mas 63% têm o ensino médio ou superior completo, é uma grande maioria dos eleitores. Só 5% é que têm o ensino fundamental incompleto. Calculo que estejamos a falar de qualquer coisa como o nosso primeiro ciclo, o ensino básico. 5% têm o primeiro ciclo, o ensino básico incompleto, mas todos dizem que leem ou escrevem, pelo menos isso. Em relação à idade dos votantes, e atenção que no Brasil é possível votar a partir dos 16 anos, é opcional a partir dos 16, obrigatório a partir dos 18. A partir dos 70 também deixa de ser obrigatório o voto no Brasil. Mas dentro deste grupo, deste universo dos votantes, entre os 16 anos e os 70, a maioria está, obviamente, na idade ativa, quase 30% estão na faixa dos 30 anos, é onde se encontram mais, mas a distribuição é muito igual a partir dos 30 até aos 49. Estamos aqui, portanto, naquela idade ativa. Podemos chamar de idade ativa. Depois, não sei se isto interessa para quem gosta mais de sondagens, a maioria da comunidade brasileira votante, 59% são solteiros, 34% são casados. Aqui não sabemos bem.

Fica em balanço.

Está aqui tudo. Dá para fazer um belo jogo de futebol entre solteiros e casados.

Exatamente.

Mas ficamos aqui com o retrato interessante daquilo que são os eleitores e a diferença que há entre a enorme comunidade brasileira em Portugal e os que contribuíram para a eleição do Lula.

Deve haver aí uns procedimentos burocráticos que é preciso realizar para votar no exterior. Muito bem, olha, uma situação completamente diferente, uma fábrica de cimento, a Cimpor, de Alhandra, que é aqui às portas de Lisboa. Passamos a caminho de Vila Franca de Xira, encontramos logo ali ao lado da autoestrada.

É impossível não dar por ela.

E que entrou para o livro dos recordes do Guinness como a fábrica de cimento mais antiga no mundo em funcionamento ainda. Haverá muitas que foram descontinuadas, mais antigas, mas este centro de produção ali no Conselho de Vila Franca de Xira tem esta distinção. Isto foi assinalado na semana passada numa cerimônia oficial no museu da própria unidade. A história desta fábrica leva-nos até ao final do século XIX, quando as primeiras instalações começaram a ser erguidas em 1890. Em 1890 já se fazia fábrica de cimento. É impressionante. A atividade industrial começou poucos anos depois, por volta de 1894, portanto, quatro anos aqui para a construir, muito mais rápido que o aeroporto de Lisboa, que já vai há mais de 50 anos.

E uma parte.

E uma parte, claro, digo eu. E isto foi há mais de um século. E tornou-se, de facto, logo uma peça fundamental no processo de modernização e desenvolvimento da economia portuguesa. E ao longo de mais de 130 anos de laboração contínua, nunca parou este complexo industrial, mesmo passando pelas várias transformações tecnológicas e econômicas que nós imaginamos que uma fábrica feita no final do século XIX passou para chegar até os dias de hoje, sem nunca interromper a sua produção. Até porque parece que é muito caro neste tipo de instalações fabris, não percebo nada, mas é o que dizem, parar e retomar depois a atividade, que funciona 24 horas.

Lembro-me com os protestos na Marinha Grande em relação ao vidro, era dramático parar.

Parar. Os fornos, claro.

Os fornos arrefecerem e ser muito difícil depois retomar.

Depois retomar e o tempo que isso leva e por aí fora, e questões tecnológicas também. Aqui haverá também o mesmo tipo de questões, de dificuldade. A nível global, se quisermos aqui a história do cimento moderno, começou no Reino Unido, no início do século XIX. Em 1824, foi um britânico, Joseph Aspdin.

Há dois séculos.

Há dois séculos, exatamente. Fez agora dois séculos que inventou e patenteou o cimento Portland, do tipo Portland. Depois o cimento também tem várias qualidades e várias características.

É como o vinho.

É como o vinho. Exatamente. Como várias coisas.

Com muitas castas.

As primeiras unidades fabris britânicas surgiram nessa época, portanto, ali no início, ainda se quisermos, do século XIX, e a partir daí abriram caminho para a industrialização do setor em todo o mundo. Como sabemos agora, então, passados cerca de 50 anos, 70 anos, chegaram então a Portugal. Nessa altura, esta unidade de Alhandra é hoje um dos pilares mais importantes do grupo Cimpor, que é uma das principais produtoras de cimento em toda a Península Ibérica. Emprega neste momento 150 pessoas de forma direta e tem uma capacidade instalada para produzir cerca de 2,8 milhões de toneladas de cimento por ano. E agora está no Guinness, então, a fábrica de cimento em todo o mundo mais antiga que continua a trabalhar.

Em funcionamento.