491 dias depois de ter deixado o V. Guimarães para assinar pelo Sporting, Rui Borges continua a ser o homem que os responsáveis leoninos consideram ideal para liderar a equipa de futebol. Estávamos a 26 de abril de 2024 quando o transmontano foi escolhido para substituir João Pereira e dar seguimento ao trabalho desenvolvido por Ruben Amorim ao longo desta década. Agora, no Dia do Trabalhador de 2026, Borges renovou até 2028 e dobrou praticamente o seu ordenado depois de ter levado os leões ao primeiro bicampeonato em 71 anos e à dobradinha, com a conquista da Taça de Portugal. Apesar do sucesso imediato, a época atual está longe de correr bem no que respeita a títulos, ainda que os verdes e brancos possam revalidar o troféu conquistado no Jamor. O grande feito foi a presença no top 8 da fase de liga da Liga dos Campeões, bem como a chegada aos quartos de final.

O primeiro dia do resto da vida de Rui e da terceira versão do novo leão: Varandas garante que “15 dias não são preponderantes numa decisão”

Contratado aos vimaranenses por 4,1 milhões de euros, Rui Borges começou por assinar contrato até 30 de junho deste ano, mas a conquista do último Campeonato Nacional levou à renovação automática por mais um ano, até junho de 2027. Apesar do período menos bom vivido no mês de abril, em que o Sporting venceu apenas dois jogos e despediu-se da Taça e da Champions, para lá de ter perdido o lugar de acesso à prova milionária para o rival Benfica, Frederico Varandas optou por manter a base do projeto construída nos últimos 16 meses, até porque a renovação já estava a ser trabalhada desde dezembro, tendo sido consumada depois das eleições, realizadas a meio de março. Certo é que, em época e meia, Rui Borges conquistou dois troféus e venceu 52 dos 81 jogos em que comandou os leões, tendo empatado e perdido apenas dez, seis deles na Liga dos Campeões.

Depois de o presidente ter falado aos jornalistas durante cerca de meia-hora, o treinador falou da renovação, mostrando-se “agradecido” e “orgulhoso” pelo voto de confiança. “A palavra ‘trabalho’ define esta equipa técnica. É sinal que o trabalho é reconhecido, o que nos deixa muito felizes. É o continuar de um compromisso, de um rigor e de uma ambição enorme de trabalhar neste grande clube. Queremos marcar a história do Sporting com troféus. Não peço nada, nunca me queixei de nada. Sou muito feliz e vou continuar a ser feliz no Sporting. O dia a dia é muito honesto, limpo e, acima de tudo, muito feliz. Proponho-me a trabalhar cada vez mais e melhor, com respeito e uma ambição enorme, exatamente igual à que trazia no primeiro dia. Aprendemos com tudo, com coisas boas e menos boas. Compete-nos trabalhar imenso e felizes, porque estamos onde queremos, por mérito do nosso trabalho e de todo o nosso caminho. Somos uns felizardos. No primeiro dia ninguém acreditava que íamos estar a renovar contrato com o Sporting, nem os meus adjuntos”, começou por dizer Borges.

Com um relógio diferente — “mas é Casio” —, o transmontano garantiu aos jornalistas que a sua equipa continua “focada” no segundo lugar, objetivo pelo qual vai lutar até ao final da época. “O Sporting, independentemente de qualquer treinador, será sempre uma grande equipa e terá sempre profissionais muito competentes a honrarem a camisola que vestem. Timing? Não há timing. Há sim uma avaliação do que é o trabalho. Os elementos da estrutura são tão ou mais importantes que o treinador do Sporting. Temos todos o foco no mesmo ponto e no mesmo caminho. Na minha cabeça está o jogo com o V. Guimarães. Queremos focar-nos no acesso à Liga dos Campeões e, no final da época, na luta por mais um troféu. A próxima época já está a ser preparada. Nada é feito ao acaso e os últimos anos do Sporting assim o dizem: têm um rumo, um propósito e um crescimento sustentável. Assim continuará a ser”, antecipou.

“A equipa evoluiu no início desta época, em termos táticos e de dinâmicas. Claramente que o Sporting era a melhor equipa a jogar futebol no início da época. Melhorámos bastante e vamos continuar a melhorar. Estamos muito diferentes desde o dia um e até ao dia de hoje. Temos de saber lidar com tanta coisa e tanta variável no nosso dia a dia. É isso que, acima de tudo, nos faz crescer ao longo do tempo”, concluiu Rui Borges antes de voltar a cumprimentar Frederico Varandas e os restantes elementos da estrutura sportinguista.