O Fundo Ambiental vai apoiar com um milhão de euros projetos que contribuam para o restauro ecológico de pradarias marinhas, no âmbito do programa Floresta Azul, anunciou esta terça-feira o Ministério do Ambiente e Energia.

O programa Floresta Azul, cuja criação foi aprovada pelo Governo no ano passado, destina-se a intervenções em áreas protegidas costeiras, estuarinas e lagunares, onde há pradarias marinhas, como o Parque Natural da Ria Formosa, a Reserva Natural do Estuário do Sado ou as áreas classificadas da Rede Natura 2000.

Segundo informação divulgada pelo Ministério em comunicado, podem candidatar-se aos apoios instituições de Ensino Superior, Centros de Investigação e “outras entidades sem fins lucrativos, de reconhecido mérito técnico, científico e/ou comunitário, com atividade comprovada na área da conservação e restauro ecológico de pradarias marinhas”.

Entre outras ações pode ser financiado o mapeamento de áreas de pradarias marinhas importantes, intervenções físicas de restauro, criação de áreas de viveiros ou análise da capacidade de sequestro de carbono.

O comunicado sublinha que as pradarias marinhas são “ecossistemas de elevada relevância ecológica”, que sequestram carbono, mantêm a biodiversidade marinha, garantem a estabilização sedimentar e a protegem a zona costeira.

“O Programa Floresta Azul representa uma aposta vital na recuperação dos ecossistemas marinhos e no uso sustentável dos recursos naturais envolvendo as universidades e as comunidades locais”, afirma, citada no comunicado, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho. A iniciativa integra o Plano Nacional de Restauro da Natureza que está em fase de conclusão.

A criação do programa Floresta Azul – Restauro Ecológico de Pradarias Marinhas foi aprovada em finais do ano passado, com autorização para o Fundo Ambiental assumir o encargo de dois milhões de euros para os anos de 2026 e 2027, um milhão de euros em cada ano relativo a ações previstas no programa Floresta Azul.

Segundo o diploma então aprovado existem “vários estudos que alertam para uma regressão” da área de distribuição das pradarias, “que coloca em risco a produtividade dos ecossistemas marinhos”, com impactos negativos na pesca e outras atividades económicas ligadas ao mar.

“A sua degradação, resultante de pressões antrópicas e do impacto das alterações climáticas, exige uma resposta coordenada, baseada na ciência e alinhada com os compromissos nacionais e internacionais em matéria de biodiversidade e ação climática”, referia o diploma.

As pradarias marinhas são constituídas não por algas, mas por plantas com raízes, como as existentes em terra.