A artista Beatriz Albuquerque apresenta-se em Nova Iorque, Estados Unidos, durante três noites consecutivas, a partir do próximo domingo, num projeto que desafia as normas sociais e inspira ações em prol da igualdade de género.

O projeto, denominado “UN-LANGUAGE 4 Gender Equality”, incluirá três performances da artista portuguesa, a decorrer entre domingo e terça-feira no The Tank, uma organização multidisciplinar sem fins lucrativos que apresenta artes emergentes em Manhattan.

“O que me tem inspirado ao longo desta residência é, sobretudo, a necessidade de criar espaços de encontro, empatia e transformação social através da arte. Um exemplo disso é o projeto ‘Arte em Ação’, do qual nasceu recentemente um livro de artista com o apoio da DGArtes [Direção-Geral das Artes], lançado na Livraria de Serralves, no qual criei um manifesto, diretrizes para trazer a ‘boa luta para a rua’, num projeto que procura chamar a atenção para a ideia de que somos todos humanos, incentivando a igualdade de género, raça e identidade“, explicou à Lusa Beatriz Albuquerque.

Na apresentação em Nova Iorque, que juntará ainda outros artistas como David Moscovich, Simone Federman e Nina Sobell, a comunicação decorrerá sem o uso de palavras, criando um código para o público interpretar, com o objetivo de transcender a linguagem convencional e os estereótipos de género.

Também Cameron Vanderscoff, Frederico Mendes, Graham I. Rabinowitsch e Naz Karagoz fazem parte do projeto.

Um microfone aberto e iluminado convidará os membros da plateia a participarem na apresentação.

“Quando fui convidada para esta residência artística, senti imediatamente vontade de explorar estas noções de igualdade e empoderamento, mas sem recorrer a uma linguagem verbal específica de qualquer país. Interessava-me criar quase uma linguagem universal — algo que, através do corpo, do som e da presença, pudesse chegar a todas as pessoas de forma direta e sensível”, disse Beatriz Albuquerque.

Durante esse processo, a artista trabalhou com associações em Nova Iorque, artistas e membros da comunidade local, desafiando quem quisesse a participar nessa reflexão coletiva no The Tank.

“Este projeto contou também com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, o que demonstra como instituições portuguesas reconhecem a importância e urgência destas questões no panorama contemporâneo’, acrescentou.

As doações arrecadadas com o programa serão destinadas à Global Justice Center, uma organização sem fins lucrativos de Nova Iorque.

Em relação a projetos futuros, Beatriz Albuquerque contou à Lusa que foi convidada para uma residência no Brasil, em Pernambuco, para desenvolver o tema “Arte em Ação” com as comunidades, com o resultado final a ser apresentado numa Bienal local.

Beatriz Albuquerque nasceu em 1979 e desenvolve diferentes práticas artísticas, do vídeo à fotografia, tendo já recebido o prémio da Bienal de Cerveira, o prémio Myers Art do Teachers College, da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, e o prémio Ambient Performance Serie, em Chicago.

No ano passado, apresentou o projeto “Wonder Memories — Peregrinos da Memória”, na Cooperativa Árvore, no Porto, depois de o ter levado a Lille-Roubaix-Tourcoing, em França, e a Nova Iorque.

Em “Wonder Memories — Peregrinos da Memória”, Beatriz Albuquerque trabalhou com comunidades migrantes, registando as suas histórias.