Todos os veículos comercializados em solo europeu são submetidos a crash-tests para determinar o nível de protecção que oferecem aos ocupantes, adultos ou crianças, durante embates frontais, laterais e traseiros. Melhor ou pior, os diferentes modelos à venda merecem avaliações dos profissionais do Euro NCAP, para diferenciar os menos dos mais seguros, mas este organismo de segurança europeu nunca, até aqui, se tinha visto obrigado a exigir uma reparação de defeitos de concepção ou produção. Isto até testar o MG 3, um pequeno utilitário chinês cujas fixações dos assentos expõem os ocupantes a riscos excessivos.

Durante o embate frontal descentrado, as calhas que deveriam fixar o banco do condutor ao chassi do MG 3 provaram não conseguir suportar as forças que lhes foram aplicadas e cederam. Isto permite ao banco rodar e deslocar-se repentinamente e de forma violenta para a frente vários centímetros (11,2 cm), submetendo o corpo do ocupante a esforços superiores e podendo até provocar danos ao embater na carroçaria.

Confrontada com as conclusões do Euro NCAP, a MG identificou a raiz da deficiência de construção e desenvolveu uma solução para proteger de forma eficaz os ocupantes em caso de embate. As calhas do assento e as respectivas fixações foram substituídas, garantindo que o banco e o respectivo ocupante continuam sentados, e no local original, durante um embate violento.

O grupo chinês SAIC, a que a MG pertence, introduziu as novas peças nos MG 3 fabricados a partir de Agosto de 2025, restando ainda reparar os milhares de unidades em circulação, vendidas anteriormente e equipadas com as fixações mais frágeis. Mas apesar de o construtor ter concebido umas peças novas, que instala nos carros defeituosos sem cobrar qualquer despesa, a realidade é que os proprietários não estão a responder tão positivamente ao recall como seria de prever, face à gravidade da situação e aos potenciais riscos.

Contactados os representantes da MG em Portugal, a responsável pelo Marketing e Comunicação, Alexandra Beny da Silva, declarou que já “foi iniciado o processo de informar os clientes sobre a necessidade de proceder à reparação gratuita dos seus veículos”. Avançou ainda que “mais de 20% dos clientes contactados já procederam à reparação”. Esta aparentemente boa reacção dos condutores portugueses bate a média dos restantes países, cujos utilizadores do MG 3 tendem a fazer “vista grossa” ao recall de segurança. Isto levou o Euro NCAP, numa medida sem precedentes, a emitir um comunicado em que chama a atenção para “a necessidade de instalar as novas fixações dos assentos assim que possível”.