Uma final da Taça de Portugal é sempre um marco histórico na carreira de qualquer árbitro, uma final em que até os equipamentos da equipa de arbitragem funcionavam como várias décadas do setor no futebol português ainda mais. António Nobre, da Associação de Futebol de Leiria, teve esse “privilégio” aos 37 anos, num encontro de tal forma especial que, ao contrário do que acontece ao longo de toda a temporada, teve direito também a conferência de antevisão como ambos os treinadores e capitães. Aí, o juiz internacional assumiu a importância do momento no Jamor, apontando para um jogo que fosse uma festa do futebol.
“É o sonho de qualquer árbitro, até ao nível nacional e internacional, que é o meu caso. É muito apetecível. É a festa da Taça. Ouvimos os nossos pais e avós a falar dela e é com muito orgulho e satisfação que recebemos esta nomeação. Mas também é uma nomeação que nos traz muita responsabilidade. Vamos tentar defender e representar todos os árbitros que gostariam de estar aqui e não conseguem, porque só vem um de cada vez”, apontara António Nobre. “A melhor defesa que nós, enquanto arbitragem, podemos fazer é ter boas exibições e trabalhar para ser melhores no dia seguinte. É um cliché do futebol mas muito válido para nós. Preparação? Foi a mesma que sempre. A preparação técnica e tática como todos os outros jogos, que se resume aos verdes contra os grenás. É muito básico. Acho que isso ajuda os árbitros, no geral, a tirar a conotação clubística: joga uma equipa que veste de verde contra uma equipa que veste de grená. E a equipa de preto, azul ou amarelo estará motivada para tomar as melhores decisões para o jogo”, explicara.
[Ouça aqui a análise do ex-árbitro Pedro Henriques no Sem Falta da Rádio Observador]
O árbitro passava ao lado do facto de não haver dois “grandes” do futebol português na decisão mas também isso acabou por ser um fator para um encontro genericamente calmo até ao prolongamento, altura em que os ânimos foram aquecendo em busca de um resultado que evitasse o desempate por grandes penalidades. Assim, entre as habituais faltas, cantos ou lançamentos que foram protestados pelos dois lados, o único caso acabou por ser o golo anulado a Geny Catamo poucos minutos depois do 1-1, confirmado depois pelo VAR. No entanto, ainda na primeira parte, tinha ficado também um lance em que Zohi caiu entre Gonçalo Inácio e Eduardo Quaresma quando seguia para a baliza de Rui Silva, ficando dúvidas sobre a infração em si e sobre o cartão amarelo a Gonçalo Inácio quando o avançado poderia ficar isolado passando em velocidade.
[Clique nas imagens para ver os casos do Sporting-Torreense em vídeo]
Já no prolongamento, os lances que suscitaram maior polémica surgiram na área do Sporting. Logo no início do tempo extra, Diadie marcou mas o golo acabaria por ser anulado por fora de jogo, com os jogadores da formação de Torres Vedras a pedirem antes uma mão de Daniel Bragança. O VAR não viu qualquer infração, o lance acabou mesmo anulado por posição irregular. Mais tarde, já na segunda parte, Maxi Araújo fez falta sobre Seydi na área, viu vermelho direto e Stopira acabou por transformar a grande penalidade que deu o histórico triunfo na final da Taça de Portugal ao Torreense a sete minutos dos 120′.