China, Japão, Miami. Um, dois, três. Kimi Antonelli venceu três corridas consecutivas no Campeonato do Mundo de Fórmula 1, três das quatro já cumpridas, e tornou-se o mais jovem de sempre a liderar a classificação geral da prova. Este domingo, no Canadá, o italiano procurava meter a quarta — e assumir definitivamente que a Mercedes dificilmente terá concorrência nos lugares cimeiros.

Três semanas depois do último Grande Prémio de Miami, o primeiro a ter as mudanças às mudanças de regulamento que a Fórmula 1 implementou no início da temporada, o circo mudava-se para o Canadá. Este sábado contou desde logo com alguma polémica à volta da Mercedes, já que Kimi Antonelli e George Russell tocaram-se durante a corrida e o momento gerou uma discussão via rádio com os engenheiros antes de o britânico ganhar a tirada — e carimbar a pole-position, sendo que Lando Norris intrometeu-se entre os dois e ficou com o segundo lugar.

Russell vence corrida sprint no GP do Canadá após dura batalha com Antonelli

Ainda assim, e mesmo com a Mercedes a roubar as manchetes no que diz respeito aos triunfos, o protagonista da Fórmula 1 continua a ser apenas um: Max Verstappen. Apesar de ter conseguido forçar as tais alterações às alterações das regras, o neerlandês da Red Bull continua descontente com os novos carros, continua a abrir a porta a uma saída da marca austríaca ou até do próprio Campeonato do Mundo e continua a deixar bem claro que está completamente perdido.

“Gostaria de ficar com a Red Bull para o resto da minha carreira, sempre disse isso, mas não tenho de fechar todas as opções já hoje ou amanhã. Seja aqui ou noutro lado há muito mais em jogo do que apenas o contrato da Fórmula 1. Estou em conversações com a Red Bull sobre outros projetos também, não devemos dramatizar demasiado. Não faço ideia do que se está a passar, não tenho muitas palavras. Tudo é tão confuso. Também não gostei da alteração da afinação que fizemos. Acho que a corrida vai ser um caos, independentemente da meteorologia”, disse Verstappen, que arrancava apenas a partir do sexto lugar.

Assim, no Circuit Gilles Villeneuve de Montreal, o tempo fresco dificultou o aquecimento dos pneus e obrigou a uma segunda volta de formação. George Russell e Kimi Antonelli, seguidos na primeira linha da grelha, arrancaram mal e permitiram a ultrapassagem de Lando Norris, que saiu do terceiro lugar. Ainda assim, depressa se percebeu que não seria o dia da McLaren: Norris foi rapidamente chamado à box para trocar de pneus intermédios para médios, assim como Oscar Piastri, e Antonelli assumiu a liderança. Mais atrás, Max Verstappen aproveitou, superou Lewis Hamilton e entrou no pódio.

O ritmo da Mercedes não tinha paralelo e os dois pilotos iam trocando a liderança entre si à medida que a corrida avançava, com várias ultrapassagens e uma luta em pista que parecia totalmente permitida pela equipa. Ao mesmo tempo, Lando Norris voltava a ser mordido pelo azar e, numa altura em que ia escalando posições, foi novamente obrigado a parar devido a problemas de fiabilidade no McLaren. A luta entre Russell e Antonelli, porém, era mesmo a manchete da corrida: e obrigava a lembrar a entrevistas deste sábado de Toto Wolff, team principal da Mercedes, onde explicou que os dois pilotos concordaram com a maneira como iam combater-se depois da discussão da sprint.

“Reunimos com eles e dissemos: ‘Como queremos correr? Vamos correr contra o outro carro, como se não fossem da mesma equipa?’. Para mim está ótimo. Ou querem deixar espaço, algo que eu não esperaria porque fundamentalmente estão a correr para ganhar e ganhar um Campeonato, ou estão a jogar de forma super tranquila, só a ultrapassar nas retas e nas travagens. Concordámos que confiamos neles. Sabem como pressionar, mas em todo o caso nenhum dos dois espera que o outro ceda espaço, porque isso é muito importante. É bom conhecer as regras. O Max teria deixado espaço ali? Não. O Max teria aberto a porta ou deixado espaço suficiente na curva 1? Não. Então, como quermos fazer isto? Acho importante que eles decidam como querem competir entre si e, consequentemente, o resultado”, disse o austríaco à Sky Sports.

Uma declaração que ficou explicada na volta 31. Numa altura em que liderava a corrida, George Russell saiu a direito numa curva e parou logo a seguir, aparentemente devido a um problema na caixa de velocidades, motivando o safety-car virtual e deixando Kimi Antonelli com a vitória nas mãos. Max Verstappen assumiu o segundo lugar, seguido de Lewis Hamilton, e Charles Leclerc não demorou a ultrapassar Isack Hadjar para se aproximar do colega de equipa. Ao mesmo tempo, Lando Norris abandonou e Franco Colapinto ia assinando uma prestação impressionante, levando o Alpine de 10.º a sexto.

Max Verstappen e Lewis Hamilton protagonizaram a ponta final da corrida com uma luta que fez lembrar outros tempos e o britânico acabou mesmo por conseguir ultrapassar o neerlandês já dentro nas últimas dez voltas. No fim, num domingo com seis abandonos, Kimi Antonelli aproveitou o abandono de George Russell e venceu o Grande Prémio do Canadá para somar o quarto triunfo seguido, alargando ainda mais a vantagem na liderança do Campeonato do Mundo e tornando-se o primeiro de sempre a ganhar as primeiras quatro etapas da carreira de forma consecutiva. Hamilton e Verstappen completaram o pódio, com o piloto da Red Bull a alcançar o primeiro pódio e o melhor resultado do ano, e Franco Colapinto carimbou a sua melhor prestação ao ficar mesmo no sexto lugar.