A 13 de outubro de 2025, num Estádio Nacional da Praia completamente lotado, Stopira marcou o último golo da vitória de Cabo Verde contra Essuatíni que levou os africanos pela primeira vez a um Campeonato do Mundo. A 24 de maio de 2026, num Estádio Nacional do Jamor completamente lotado, Stopira marcou o golo que deu a vitória ao Torreense contra o Sporting e que garantiu a conquista histórica da Taça de Portugal.

Um lance humilhante que carimbou toda uma humilhação – e que fez história (a crónica do Sporting-Torreense da final da Taça de Portugal)

Aos 38 anos, o central cabo-verdiano está a viver o melhor ano da carreira: liderou Cabo Verde até ao inédito apuramento para o Mundial 2026, capitaneou o Torreense na conquista da Taça de Portugal contra o Sporting e continua a correr atrás do sonho da subida à Primeira Liga, sendo que a equipa do Oeste está a meio do playoff com o Casa Pia. Entre tudo isso, já sabe que está convocado para o Campeonato do Mundo — numa chamada feita pessoalmente pelo selecionador Bubista enquanto o jogador estava no balneário, acompanhado por colegas e equipa técnica, com o vídeo a tornar-se viral nos últimos dias.

Nascido em Cabo Verde em maio de 1988, Ianique dos Santos Tavares, Stopira no mundo do futebol, deu os primeiros passos no Sporting da Praia antes de viajar pela primeira vez para Portugal, em 2008, para representar o Santa Clara. Esteve na equipa B do Deportivo e ainda esteve um ano no Feirense antes de fazer as malas para rumar à Hungria, onde jogou no Videoton durante seis temporadas. Passou também pelos húngaros do Vidi e do Fehervár antes de voltar a Cabo Verde para atuar no Boavista da Praia. Em 2024, decidiu dar mais uma oportunidade a Portugal e assinar pelo Torreense. Dois anos depois, dificilmente irá achar que não foi a decisão correta.

Titular no eixo defensivo de Luís Tralhão para a final da Taça de Portugal, Stopira assumiu a grande penalidade decisiva já no prolongamento, depois de Maxi Araújo fazer falta sobre Ismail Seydi e ser expulso, e não deu qualquer hipótese a Rui Silva. Correu, tirou a camisola, voltou a vesti-la e foi engolido por colegas, equipa técnica e staff — numa espécie de reedição do que aconteceu em outubro, na Praia, quando marcou o último golo de Cabo Verde contra Essuatíni. Com a braçadeira no braço direito, recebeu a Taça de Portugal e elevou-a na Tribuna de Honra do Estádio Nacional do Jamor para carimbar a primeira conquista de uma equipa da Segunda Liga na segunda competição nacional.

“Estou sem palavras. Quero agradecer ao povo de Torres Vedras, foi uma longa época, uma longa caminhada. Merecemos este título e a nossa época ainda não acabou. Queremos fazer a época perfeita. O Sporting é das melhores equipas da Europa. Mostrámos que podemos competir de igual para igual. Merecemos este título. Demos a cara e este prémio de homem do jogo é para a equipa, para o mister e para Torres Vedras. Isto é uma loucura! Agora é desfrutar, amanhã descansar e pensar no Casa Pia. Isto é para homens, até o fim!”, disse o central cabo-verdiano à RTP, naturalmente eleito o Homem do Jogo, já depois de receber o troféu.

“Isto é trabalho. Como disse sempre, fazemos por merecer. Esta equipa fez muito por merecer. Desde o início lutámos unidos como uma equipa e mostrámos isso perante uma grande equipa como é o Sporting. Não baixámos os braços, acreditámos e, por fim, fomos abençoados. Estou muito feliz pela vitória. Não há descanso. São duas finais e vamos dar tudo até ao fim. Já falta só mais um contra o Casa Pia e vamos na luta. Até ao fim tentar subir de divisão. Obrigado a todo este povo pelo apoio. Estamos juntos. Obrigado a todo o Cabo Verde ainda. Sou predestinado, abençoado por Deus e também acredito sempre no trabalho. Quem me conhece sabe que não me rendo. Vou sempre à luta. Esta vitória é por todos e pelo meu povo”, acrescentou.