O dia que era — e foi — de festa terminou em pesadelo. Sem novidades no onze inicial, Rui Borges tinha deixado o aviso ainda na flash-interview de pré-jogo da RTP, repetindo aquilo que já tinha dito na véspera: estava ansioso e a ansiedade podia tomar conta dos seus jogadores. “Temos de perceber que o Torreense tem mérito e qualidade para estar aqui. Temos que olhar para o Torreense como a grande equipa que é”, acrescentou o treinador. E foi isso que acabou por acontecer. Os leões entraram bastante mal na final, tendo começado praticamente a perder, e demoraram a reagir. Depois de terminarem a primeira parte por cima, Luis Suárez conseguiu empatar e, a partir daí, voltou a assistir-se a um decréscimo do Sporting, com as substituições de Borges a acrescentarem pouco à equipa. No prolongamento, o penálti de Maxi Araújo acabou por ser decisivo, com a equipa de Alvalade a mostrar, uma vez mais, incapacidade de reagir (1-2, a.p.).
Recuando aos minutos que antecederam o jogo, o transmontano tinha referido à RTP que os jogadores estavam com a energia suficiente, ressalvando que “não há nada melhor do que acabar a época a disputar um troféu”. “Eles são merecedores disso, mas têm de o demonstrar hoje. Senti que a equipa e os jogadores estão ligados em termos de exigência”, disse, antes de referir que a equipa estava totalmente focada no jogo e que queria dar uma prenda de despedida a Quenda e Morita. Quanto à análise da época, Borges deixou esse momento para o final do jogo, que acabou por ser de má memória, apesar de os leões até terem carimbado, este domingo, a fase de liga da Liga dos Campeões. É a segunda vez que o técnico consegue levar o Sporting à Champions.
A participar pela segunda vez na final da Taça de Portugal, depois de ter vencido o Benfica há um ano, Rui Borges até aparentou lidar bem com o nervosismo junto ao relvado, “mostrando-se” somente na segunda parte. Depois de um mau corte de Diomande que quase resultou no golo de André Simões no fim do tempo regulamentar, os adeptos assobiaram a equipa, o treinador não gostou e fez um sinal de protesto na direção das bancadas. Já no final do jogo, a massa associativa verde e branca voltou a contestar a equipa quando esta subiu à tribuna para receber as medalhas de finalista vencido, com Rui Borges a assumir a primeira posição na caminhada pela escadaria, assumindo a culpa perante os adeptos.
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— sport tv (@sporttvportugal) May 24, 2026
“Não conseguimos finalizar. Não fomos capazes e eles, em dois lances, foram felizes naquilo que sabíamos que eram bons: as bolas paradas, os lances estudados. É uma equipa muito competitiva defensivamente e nunca conseguimos ter consistência. Pouca energia? Penso que sim, até pelo próprio desenrolar do jogo, que nos levou a ficar com esse cansaço mental. Andámos sempre a reagir e nunca fomos proativos. Andámos a reagir a tudo e, quando assim é, por vezes não corre bem. Foi o caso. O adversário é um justo vencedor. Fiz as substituições ainda com algum tempo. Mesmo as que fiz no fim da segunda parte tiveram mais 40 minutos e não deram a energia que esperávamos. Na fase final, foi um bocadinho no desespero. Metemos mais homens na área e estávamos a chegar ao último terço, com eles a defender com uma linha de seis/sete homens, competentes no jogo aéreo. Dou mérito ao adversário, que defendeu muito bem a área”, começou por dizer Rui Borges na flash-interview da RTP.
“Época? Muito sinceramente, acaba por deixar um sentimento de grande tristeza para todos nós, por tudo o que foram [os jogadores] capazes de fazer ao longo da época… Demonstraram muita qualidade e chegam ao fim sem conquistas. Temos de ter essa responsabilidade. Não conseguimos dar troféus ao clube e aos adeptos, que é o que o clube exige. Próxima época? Não olho para isso. A desconfiança existe desde o início, é natural. Para mim, enquanto treinador, é olhar para a próxima época e ver como posso crescer para tornar o Sporting ainda mais forte. Mexidas no plantel? Isso vai ditar o mercado. Com o tempo vamos perceber o que temos para a próxima época”, concluiu, antes de assumir a “responsabilidade” à sport tv: “Uma equipa como o Sporting quer ganhar, quer conquistas, quer troféus e, infelizmente, não conseguimos. Estamos tão tristes como os adeptos”.