O mau tempo que assolou várias regiões em Portugal várias adiou, em fevereiro, a festa que melhor retrata Torres Vedras. O Carnaval de Torres Vedras foi travado por tempestades e foi substituído por “Uma Festa do Caraças”, promovida pela autarquia, entre o final de abril e início de maio. Agora, essa festa volta à cidade, depois de o Torreense ter vencido o Sporting e ganhar a primeira Taça de Portugal dos seus 109 anos de história, tornando-se o primeiro clube da Segunda Liga a conquistar a prova rainha do calendário.

Um lance humilhante que carimbou toda uma humilhação – e que fez história (a crónica do Sporting-Torreense da final da Taça de Portugal)

Torres Vedras vê agora a atual equipa a entrar para os livros da história do clube e o Torreense a entrar para os livros da história do futebol português. As lágrimas que inundaram esta tarde o Jamor de azul-grená chegaram à cidade mais carnavalesca do país, que o viu o clube local vestir a pele de tomba-gigantes. Junto ao Estádio Manuel Marques e à Câmara Municipal de Torres Vedras – onde o presidente da autarquia, Sérgio Galvão, recebeu os comandados de Luís Tralhão –, milhares de torreenses uniam-se a uma só voz para receber a mais valiosa das taças do seu museu.

Até agora, o palmarés do clube contava apenas com títulos de divisões secundárias, como os Campeonatos da Segunda Divisão B, da Terceira Divisão e, mais recentemente, a conquista da Liga 3 na época de 2021/2022. A nível nacional e no escalão sénior principal, o Torreense nunca tinha vencido nenhuma das grandes competições do futebol português. O ponto mais alto tinha sido, precisamente, a presença na final da Taça de Portugal de 1956, há 70 anos, que acabou por perder por 2-0, diante do FC Porto.

O comando da equipa esteve dividido em duas partes nesta temporada. Vítor Martins começou a época e esteve no cargo até ao fim de dezembro. Nos 20 jogos que fez, conseguiu nove vitórias, três empates e oito derrotas. Quando saiu, o Torreense estava no nono lugar da Segunda Liga. A direção escolheu então Luís Tralhão para o seu lugar. O treinador tinha ganho a Liga Revelação pela equipa de sub-23 do clube na época anterior. Tralhão assumiu a equipa principal e, além da conquista da Taça de Portugal, levou o Torreense até ao terceiro lugar da Segunda Liga, conseguindo o acesso ao playoff de subida ao primeiro escalão.

Ao longo da atual temporada, o jogador mais utilizado foi Ismail Seydi, com 42 jogos em todas as competições. Logo a seguir surge o lateral espanhol Javi Vázquez, com 41 partidas, seguido pelo defesa-central e capitão Stopira, autor do golo (112′) da vitória histórica, que fechou o ano com 40 presenças. Na Segunda Liga, o Torreense conseguiu marcar 46 golos. Kévin Zohi, um dos heróis azul-grená no Jamor, foi o melhor marcador da equipa na temporada com 10 golos, incluindo o que deu a madrugadora vantagem do Torreense diante do Sporting, logo aos quatro minutos.

Além de celebrar a conquista da Taça, a festa instalada este domingo em Torres Vedras poderá servir de apoio para o que se segue na temporada dos azul-grená. Um jogo, o da segunda mão do playoff de acesso à Primeira Liga 2026/2027, diante do Casa Pia, é o que resta para jogar ao Torreense, que empatou a zeros com os gansos na primeira mão. Na quinta-feira, o clube joga a oportunidade de voltar à Primeira Liga, mais de 30 anos depois.