Foi um hino ao hóquei em patins e terminou com um resultado um tanto ou quanto surpreendente. As meias-finais do Campeonato Nacional da modalidade arrancaram com um duelo escaldante entre FC Porto e Sporting, os atuais campeões da Europa e do mundo, respetivamente. O jogo acabou por ter de tudo um pouco e, no final, terminou com a vitória dos leões, que conseguiram aproveitar melhor os momentos em superioridade numérica, tendo marcado três golos no Dragão Arena nessa condição, em que a equipa de Edo Bosch se tem mostrado praticamente irrepreensível no decorrer da temporada, depois de as regras do cartão azul terem sido alteradas. Por outro lado, esta foi a primeira vitória do Sporting em casa do FC Porto desde 2023, numa modalidade em que o fator casa tende a valer mais do que em todas as outras.

Os artistas que mandam no mundo fizeram a primeira grande diferença: Sporting aproveita superioridade para golear no Dragão Arena

“Não podemos ficar com excesso de confiança pelo que foi o resultado do primeiro jogo. O segundo jogo é independente do primeiro. Temos a confiança de estar a ganhar 1-0 [em jogos], mas estamos preparados, acima de tudo, para voltar a vencer. Trabalhámos muito bem o powerplay, fomos praticamente perfeitos. Sabíamos as zonas em que tínhamos de parar e construir o nosso jogo, também fomos certeiros nas transições e, depois, acabámos por aproveitar bem as nossas ocasiões. Estamos preparados para um FC Porto agressivo e muito comprometido. Cá estaremos para dar uma resposta à altura. Esta equipa tem o condão de crescer nos jogos grandes. Ainda assim, não podemos ‘embandeirar em arco’, porque isso, por si só, não nos vai garantir uma vitória. Esperemos que a nossa inspiração e atitude se mantenham e contamos, também, com os adeptos para comparecerem”, perspetivou Rafa Bessa.

“Temos de juntar as duas coisas, cabeça e coração. No ADN do clube também está muito coração, muita alma. No powerplay jogámos com muito coração e pouca cabeça pois tínhamos de ter mais estabilidade emocional para lhes fazermos o que eles nos fizeram. Amanhã [sábado] vai ter de haver de tudo. Vamos para uma batalha e vamos ter de meter tudo no jogo, fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para trazermos um resultado positivo. E um resultado positivo é a vitória. Vamos com esse intuito. Vamos ter de entrar com níveis de superação muito elevados. Vamos ter de entrar com a nossa qualidade também, obviamente, e com muita confiança. Temos de ter confiança porque esta é uma equipa com muita qualidade. É uma confiança coletiva que tem de transbordar e de chegar ao nosso adversário. Vai ser um jogo que vai exigir muita atitude, muita superação e muito espírito de sacrifício”, assumiu Paulo Freitas.

Para o segundo clássico da meia-final, Bosch voltou a deixar de fora Roc Pujadas e Santiago Honorio, repetindo o cinco inicial do Dragão Arena, com Xano Edo, Rafa Bessa, Danilo Rampulla, Facundo Navarro e Nolito Romero. Já Paulo Freitas contou com uma grande novidade, com Hélder Nunes a voltar depois de dois jogos de ausência. No cinco, a única novidade foi a entrada de Edu Lamas por troca com Telmo Pinto, com o internacional espanhol a juntar-se a Xavi Malián, Rafa Costa, Carlo di Benedetto e Gonçalo Alves. Antes do apito inicial, houve um momento de homenagem a Henrique Magalhães, que chegou este sábado aos 300 jogos pelo Sporting, clube que vai deixar no final da época para regressar ao Valongo, emblema pelo qual se sagrou campeão.

A primeira parte até começou com Nolito a ver o amarelo, aparentemente por protestos (1′), mas foi pautada pelo equilíbrio, animando próximo do intervalo, altura em que Facundo Bridge recebeu de Romero e, de meia-distância, inaugurou o marcador com um remate que até ia para a tabela, mas que acabou desviado por Hélder (19′). No minuto seguinte, Romero ultrapassou o português, colocou a bola por entre as pernas de Pol Manrubia e, isolado, atirou para defesa de Malián, acabando por ser travado em falta por Telmo. Na cobrança, Rampulla atirou diretamente e colocou a bola fora do alcance do catalão (20′).

Na etapa complementar, o jogo acabou por abrir, com as equipas a colecionarem várias tentativas perigosas. Já dentro dos últimos dez minutos, Gonzalo Romero e Telmo Pinto viram o azul no mesmo momento e, com a pista aberta, Henrique Magalhães e Facundo Navarro voltaram a esbarrar em Xavi Malián (44′). Paulo Freitas parou o jogo a 2.39 minutos do fim, numa altura em que as duas equipas tinham nove faltas. À entrada para o último minuto, Malián colocou a bola fora quando tentava enviá-la para o ataque fazendo a décima falta, que também lhe valeu o amarelo (49′). Na cobrança do livre direto, Nolito partiu para a finta, mas acertou no ferro (50′). Sem o espanhol na baliza e com Hélder Nunes como quinto jogador, Rafa Bessa recuperou uma bola, mas atirou ao lado da baliza deserta e, na última jogada, Hélder atirou ao lado (2-0).

Com este triunfo, o Sporting colocou-se em posição privilegiada nesta meia-final, precisando agora de vencer “apenas” um dos três jogos que faltam para se apurar para a final. Olhando aos últimos 15 jogos frente ao FC Porto, os leões somaram o nono triunfo (12.º se contarmos com as vitórias nos penáltis), contra um empate e duas vitórias dos dragões no tempo regulamentar. O emblema portista não perdia dois jogos consecutivos no playoff desde 2020/21, altura em que os verdes e brancos levaram a melhor na final para conquistarem o título, nem ficava em branco desde 2022/23, no jogo 1 com o Benfica. Olhando a esta série, a equipa de Paulo Freitas leva três partes sem conseguir marcar (74 minutos), período em que o Sporting marcou sete golos (estava 3-2 ao intervalo no jogo 1).