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"O futebol é para todos". Seleção da Austrália faz vídeo em defesa da diversidade cultural no futebol

Os Socceroos fizeram um vídeo onde destacam as suas origens em diferentes países e dizem ser "o reflexo da Austrália moderna". Mensagem surge num contexto de aumento das políticas anti-imigração.

Equipa da Austrália
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▲Já antes do Mundial de 2022, realizado no Qatar, a equipa tinha abordado o histórico de direitos humanos do país anfitrião

Instagram da equipa da Austrália

▲Já antes do Mundial de 2022, realizado no Qatar, a equipa tinha abordado o histórico de direitos humanos do país anfitrião

Instagram da equipa da Austrália

A seleção australiana partilhou um vídeo onde destaca as origens diversas dos seus jogadores e sublinha que todos são australianos, utilizando o slogan “O futebol é para todos”. A publicação está a ser interpretada como um posicionamento político da equipa, num momento em que o partido de extrema-direita One Nation está em ascensão na Austrália e em que o Mundial de 2026 está a ser marcado pela política migratória nos EUA.

Publicado no Instagram, o vídeo de quase dois minutos começa com declarações dos jogadores da equipa a falar sobre as suas origens. Awer Mabil, avançado do Castellón, em Espanha, começa: “Nasci no campo de refugiados de Kakuma, no Quénia. Os meus pais são do Sudão do Sul”. O defesa Aziz Behich acrescenta: “A minha família emigrou do Chipre”.

Jackson Irvine, que já criticou a FIFA por dar um Prémio da Paz a Donald Trump, apresentou o tema principal do vídeo: “Não importa de onde vens, o futebol é para todos”. Este slogan é repetido por Jacob Italiano, Aiden O’Neill e Harry Souttar. “Os Socceroos [alcunha da seleção australiana] não são apenas uma equipa, são um reflexo da Austrália moderna”, continuou Irvine.

O capitão da equipa, Maty Ryan, e ainda Paul Okon-Engstler, Jordy Bos e Herrington falaram do orgulho em jogar pelos Socceroos. Para Mabil, “há muitas histórias por detrás da camisola, portanto ser um Socceroo tem muitos significados diferentes, mas um propósito comum: orgulhar o país”. Irvine conclui: “Temos orgulho das nossas origens e de quem representamos, e orgulho em representar a Austrália”.

Esta mensagem publicada é o resultado de encontros organizados pelo sindicato Professional Footballers Australia (PFA). O diretor executivo da PFA, Beau Busch, num comunicado divulgado no site, afirmou que os Socceroos destacam o impacto do multiculturalismo no país. “Numa altura em que alguns procuram dividir-nos e questionar a quem pertencemos, os Socceroos representam um poderoso lembrete de quem realmente somos como nação e como australianos“, assegurou.

No país, o partido político One Nation tem crescido exponencialmente, tendo conquistado o seu primeiro mandato na Câmara dos Representantes, relatou o The Guardian. Fundado em 1997, o One Nation foca-se sobretudo em medidas anti-imigração e tem desafiado os partidos tradicionais nas sondagens políticas.

Recentemente, a FIFA tem recebido críticas devido a polémicas com vistos. Na quarta-feira, um árbitro somali teve de regressar a casa por ser impedido de entrar nos EUA, alegadamente por ligações a organizações terroristas. Vários adeptos da Costa do Marfim também não tiveram os seus vistos autorizados.

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Os Socceroos terão o seu primeiro jogo no domingo, contra a Turquia, em Vancouver. Este não é o primeiro vídeo do género feito pela seleção australiana: antes do Mundial de 2022, realizado no Qatar, os Socceroos abordaram a situação dos direitos humanos no país anfitrião, criticando o tratamento dado pelo Qatar aos migrantes e membros da comunidade LGBTQ+.

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