Compositor, arquiteto, artista plástico e poeta, José Luís Tinoco nasceu em Leiria e morreu em abril, aos 93 anos. Hoje, o município de Leiria anunciou para domingo uma homenagem à vida e obra do artista, intitulada José Luís Tinoco – Uma obra que permanece.

O objetivo é recordar a “personalidade incontornável da cultura portuguesa e profundamente ligada a Leiria”, com vários momentos na Villa Portela, cruzando memória, música e património cultural para “assinalar e perpetuar o legado cultural, artístico e literário de José Luís Tinoco”, explicou a autarquia em comunicado.

A programação tem início às 17:30, com a atribuição do nome de José Luís Tinoco ao espaço da biblioteca do Centro de Artes Villa Portela, “reconhecimento simbólico da relevância da sua ação cultural e do contributo que deixou à comunidade”.

Também aí será inaugurada uma exposição que reúne obras e elementos representativos da sua produção criativa e artística.

A tarde inclui o lançamento da segunda edição da obra Perseguição dos dias, primeiro e único livro de poesia lançado em 2023 por José Luís Tinoco.

Será ainda apresentada a nova edição do Roteiro Musical de Leiria, iniciativa da Leiria Cidade Criativa da Música, que passa a integrar o compositor Luís Tinoco, filho de José Luís Tinoco.

A homenagem termina às 18:30, com o concerto Jazz para José Luís Tinoco, momento “especialmente concebido para evocar a memória do homenageado através da expressividade e liberdade criativa do jazz”.

O espetáculo reunirá os músicos Bernardo Tinoco (saxofone), neto do homenageado, Carlos Azevedo (piano), Ricardo Marques (contrabaixo) e João Sousa (bateria).

José Luís Tinoco nasceu em Leiria, em 27 de dezembro de 1932, num meio cultural privilegiado, como reconhecia, raro para a época. O pai era reitor do liceu, diretor do Círculo de Cultura Musical e do Museu da Cidade. A mãe, Maria Carlota Tinoco, foi pianista, pedagoga e concertista.

A marca de José Luís Tinoco estendeu-se à música, à arquitetura, à ilustração, ao cartoon, à fotoanimação, aos figurinos e cenários para teatro, ópera e bailado, ao design e às artes gráficas.

Concebeu mobiliário, espaços interiores, desenhou capas para livros de autores como Alfred Jarry e José Rodrigues Miguéis, assinou emissões filatélicas dos CTT.

Na década de 1980, lançou as bases para o Levantamento da Arte Portuguesa Contemporânea, que dirigiu para a então Secretaria de Estado da Cultura.