Uma peça de carne de vitela panada, coberta por mozzarella derretida, fiambre e molho de tomate, servida numa travessa rústica acompanhada por batatas fritas crocantes. A Milanesa Napolitana assemelha-se visualmente a uma pizza, e o prato é na verdade uma pizza em que a base é de panado em vez de pão. O cheiro que se sente ao entrar no El Club de la Milanesa, em Midtown Miami, está entre o aroma típico de uma pizzaria e o de um restaurante de frango frito — aquele odor a fritadeira quente está lá. São estes os cheiros que remetem para a infância de Lionel Messi e é o sabor que se associa a esse aroma que levou o craque argentino a investir no restaurante que se especializou em confecionar o seu prato favorito.
Lucas Almiron é o gerente do El Club de la Milanesa na baixa de Miami. O restaurante é a primeira localização da marca nesta cidade da Flórida — há dezenas de restaurantes semelhantes em todo o território argentino. Almiron, natural de Mar del Plata e a trabalhar em Miami há dois anos, descreve o espaço como uma celebração dos sabores da sua terra natal. Segundo ele: “Esta é a comida típica da Argentina. A milanesa é carne de vaca ou frango, panada e depois frita, à qual adicionamos coberturas. É o mesmo conceito de uma pizza, mas usamos a milanesa na base”.
▲ Milanesa Napolitana, o prato favorito de Lionel Messi
O destaque do menu é, sem dúvida, a “Milanesa Napolitana”, mundialmente conhecida como o prato favorito de Lionel Messi. Almiron confirma esta ligação especial: “A favorita dele é uma das mais clássicas, a Napolitana, mas ele não gosta do fiambre”. Esta versão consiste em carne de vaca panada e frita, coberta com molho vermelho e mozzarella, sendo habitualmente finalizada com salsa fresca por cima. Embora a Napolitana comum inclua fiambre, a preferência pessoal do craque do Inter Miami sem esse ingrediente é algo que leva os clientes a pedirem essa alteração quando visitam o espaço.
Almiron explica que “a versatilidade do prato é fundamental para o seu sucesso ao longo dos anos”. Para além das bases tradicionais de carne de vaca ou frango, o restaurante oferece milanesas vegetarianas e opções sem glúten para responder a todas as necessidades alimentares. Os acompanhamentos típicos incluem “batatas fritas, puré de batata — que é o mais comum — e batata-doce”, proporcionando uma refeição farta. Como refere Almiron, a milanesa faz parte do quotidiano: “Na Argentina, todos os argentinos comem milanesas”.
A relação de Messi com a marca vai muito além do gosto pessoal; o jogador tornou-se oficialmente sócio e acionista d’O Club de la Milanesa. Este investimento estratégico do capitão do Inter Miami faz parte dos planos de expansão global da marca, que visa levar os sabores argentinos para a Europa e para o resto da América nos próximos anos. Para Almiron, ter o melhor jogador do mundo como parceiro é transformador: “O nome Messi atrai muita atenção. É bom para o negócio, sinto que temos mais clientes por causa disso”.
A “Marca Messi” é uma potência global incontestável, com a fortuna do atleta estimada em 850 milhões de dólares em 2026. Apenas em 2025, os seus ganhos atingiram aproximadamente 135 milhões de dólares, impulsionados por parcerias e negócios como este. Este peso financeiro traduz-se em movimento direto no restaurante de Miami, com Almiron a observar o efeito prático nas visitas: “Na verdade, temos tido muitas pessoas a perguntar sobre isso [a parceria]”. O “efeito Messi” transformou o local num ponto de visita obrigatório para os fãs.
Fora da sala de jantar, o restaurante mantém laços estreitos com o Inter Miami, incluindo uma presença constante no novo estádio do clube. Em cada dia de jogo, a marca garante presença com um posto de venda onde são comercializados três tipos de sanduíches especiais. A chegada de Messi a Miami alterou o panorama da cidade, tanto para o futebol como para a comunidade local. Almiron sente o impacto desta presença: “O Leo Messi é um dos maiores jogadores de futebol de sempre, é incrível. Todos os argentinos amam o Messi, assim como os não argentinos”.
Olhando para o futuro, o restaurante prepara-se para expandir para Weston e North Miami, continuando a apostar na “carne importada da Argentina, que é muito tenra”. Embora o foco seja o crescimento e a conquista do mercado americano, o espaço mantém a sua identidade argentina enraizada. Apesar da febre em torno de Messi, Almiron mantém a lealdade clubística quando questionado sobre a ligação ao Inter Miami. Com sinceridade, garante que só tem uma equipa: “O meu clube é o Boca Juniors, amo o Boca Juniors e mais nada”.
▲ Lucas Almiron, gerente do El Club de la Milanesa em Miami