A artista plástica Luísa Cunha, de 77 anos, premiada em 2021 com o Grande Prémio Fundação EDP Arte, morreu esta segunda-feira no Hospital de São José, em Lisboa, vítima de doença oncológica, disse à agência Lusa fonte próxima da família.
A artista tinha sido internada domingo à noite naquela unidade hospitalar, onde veio a morrer ao final da manhã de hoje, “após uma luta contra o cancro nos últimos anos”, segundo a mesma fonte da artista representada pela Galeria Miguel Nabinho.
A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, já veio reagir à sua morte, declarando que “é com profundo pesar que o Governo lamenta o falecimento de Luísa Cunha, uma das maiores referências da arte contemporânea portuguesa”.
É com profundo pesar que o Governo lamenta o falecimento de Luísa Cunha, uma das maiores referências da arte contemporânea portuguesa. Artista plástica multidisciplinar e multipremiada, inspirou várias gerações de criadores, deixando uma marca singular na cultura portuguesa.
— Margarida B Lopes (@margaridalopes) July 6, 2026
“Artista plástica multidisciplinar e multipremiada, inspirou várias gerações de criadores, deixando uma marca singular na cultura portuguesa”, conclui a ministra, numa publicação feita na rede social X.
Nascida em Lisboa em 1949, Luísa Cunha iniciou o seu percurso nas artes na década de 1990, depois de se ter licenciado em Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e de ter feito uma carreira no ensino, desde os anos de 1970.
A mudança de rumo levou-a ao curso de escultura no Ar.Co — Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa, que concluiu em 1994, e onde também lecionou.
Ao longo da carreira, expôs em Portugal e no estrangeiro, em instituições como a Fundação Calouste Gulbenkian e a Culturgest, em Lisboa, e o Museu de Serralves, no Porto.
As suas obras foram mostradas em museus e galerias de Espanha, França e Alemanha. Destaca-se a sua presença na Bienal de Sydney, na Austrália, em 2004, e no Museu de Arte Moderna do Luxemburgo (MUDAM), em 2007. Em 2021, foi a única artista portuguesa convidada para a Bienal de São Paulo, no Brasil.
Em 2023, o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Lisboa, realizou a primeira retrospetiva da obra de Luísa Cunha, na sequência da atribuição do Grande Prémio Fundação EDP.
O Centro de Artes Visuais, em Coimbra, acolheu a sua última exposição individual, “Há mais para além do que os olhos conseguem ver”, que esteve patente entre dezembro passado e março deste ano.
O seu trabalho encontra-se representado em coleções públicas e privadas, incluindo a Fundação de Serralves, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Coleção de Arte Contemporânea do Estado, a Fundação EDP, a Fundação PLMJ e diversas coleções institucionais e particulares em Portugal e no estrangeiro.
Em 2021, recebeu o Prémio AICA/MC, atribuído pela Associação Internacional de Críticos de Arte – Portugal e pelo Ministério da Cultura.
Luísa Cunha morreu um dia depois do encerramento da bienal Anozero de Coimbra, onde expôs as instalações sonoras “Words for Gardens”, na Estufa Fria do Jardim Botânico, e “Hello!”, no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova.