A Volkswagen resolveu reduzir os custos na sua fábrica polaca, em Poznań, de onde saem os furgões comerciais. A estratégia seguida passou por cortar na despesa e, simultaneamente, ser mais amigo da natureza e dos animais, com os responsáveis alemães a despedir os jardineiros e a desfazer-se dos corta-relva e roçadoras, adquirindo para o seu lugar um rebanho com 100 ovelhas. Além dos salários, poupa-se igualmente no combustível e no ruído.
Se está a pensar que uma ovelha nunca terá o rendimento similar a um corta-relva, para mais controlado por um profissional, talvez seja melhor rever a sua posição, uma vez que um destes ovinos adultos come por dia cerca de 4% do seu peso em erva, ou seja, cerca de 4kg. Multiplicado pelo numeroso rebanho, significa que 400kg de erva são transformados diariamente, pelo aparelho digestivo do animal, em fertilizante.
A área onde as ovelhas são chamadas a comer este mundo e o outro fica sob a zona de painéis fotovoltaicos, nada menos do que 31.000, que geram 18,3 MW de energia para reduzir a factura da fábrica, uma vez que tal representa cerca de 25% da electricidade consumida. E, dada a curta distância entre os painéis solares e o solo, será certamente mais fácil às ovelhas realizar a tarefa do que aos jardineiros seus antecessores, que se veriam obrigados a trabalhar demasiado dobrados.
Esta troca de homens por ovelhas da VW acontece, curiosamente, num período em que muitos outros construtores automóveis visam substituir — e alguns já estão a fazê-lo — trabalhadores por robôs humanóides. Também neste caso, o objectivo é colocar as “máquinas” a desempenhar funções que implicam posições ergonomicamente cansativas ou difíceis de manter durante muito tempo para os humanos. É fácil imaginar uma série de funções que serão mais rápidas de realizar por robôs que, recorrendo a câmaras de grande definição associadas à inteligência artificial, conseguem analisar folgas entre peças mais rapidamente e com maior rigor do que o olho humano.
As ovelhas não vão estar sozinhas em Poznań, pois, para além do pastor e muito provavelmente de um cão, uma equipa de investigadores de uma universidade local vai vaguear atrás do rebanho. Estes pretendem analisar o efeito que os ovídeos vão causar na qualidade do solo, na biodiversidade e até para confirmar se a sombra dos painéis pode reduzir o stress nos animais durante o tempo quente e o sol intenso.