O tenor Rui Taveira, 68 anos, morreu na passada quarta-feira de manhã, no Porto, disse à agência Lusa fonte da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE), onde lecionou.

“É com profundo pesar que a ESMAE comunica a partida de Rui Taveira (professor aposentado da ESMAE), uma figura incontornável e de referência absoluta no panorama do canto lírico e da pedagogia do canto em Portugal”, lê-se num comunicado da escola superior portuense.

A ESMAE sublinha o “percurso académico e artístico de grande distinção” de Rui Taveira, que “marcou profundamente os palcos nacionais e internacionais através da sua voz e entrega cénica como intérprete”.

Taveira foi um dos fundadores do grupo de música antiga Foral. Além da ESMAE, o tenor deu aulas no Conservatório de Música do Porto, tendo iniciado o seu percurso artístico no Coral de Letras da Universidade do Porto, sob a direção do maestro José Luís Borges Coelho (1940-2025).

A discografia do tenor encontra-se distribuída pelas etiquetas Movieplay Portuguesa, Numérica e Strauss, além de registos para emissoras de rádio europeias de Áustria, Alemanha e para as portuguesas RTP e RDP.

Entre as suas gravações contam-se as Nove Canções de António Ramos Rosa, para canto e piano, de António Pinho Vargas.

Rui Taveira diplomou-se em Canto, em 1984, pelo Conservatório de Música do Porto, na classe de Fernanda Correia.

Em 1988, concluiu o mestrado em Canto de Concerto (Lied e Oratória) na Hochschule für Musik, em Munique, sob orientação de Ernst Haefliger, tendo também frequentado o curso de Ópera com o encenador Peter Kertz.

O tenor colaborou com o Teatro Nacional de S. Carlos, o Coro da Sé do Porto e o Círculo Portuense de Ópera, tendo desempenhado os principais papéis em encenações de óperas como Flauta Mágica, Cosi Fan Tutte, Finta Giardiniera, Matrimónio Secreto, D. Giovanni, Guerras de Alecrim e Manjerona, Barbeiro de Sevilha, Amahal e os visitantes da noite, La Spinalba, Boris Godunov, Bodas de Fígaro, Hansel und Gretel, Viúva Alegre, Espadachim do Outeiro e Jeanne d’Are au bücher, atravessando cerca de três séculos do repertório, do Barroco à contemporaneidade, interpretando compositores como Francisco António de Almeida, Mozart e Rossini, Mussorgsky, Humperdinck e Lehár, Gian Carlo Menotti e Arthur Honnegger.

Como concertista apresentou-se no Centro Cultural de Belém, Fundação Calouste Gulbenkian e Culturgest, em Lisboa, e cantou com várias orquestras nacionais, entre as quais a Orquestra do Norte e a Orquestra Filarmónica das Beiras.

Ao longo da carreira participou em vários festivais, como os portugueses dos Capuchos, em Almada, do Estoril, da Madeira, dos Açores, de Leiria, de Guimarães, da Póvoa de Varzim, do Algarve, e no Festival dos Cem Dias, em 1998, em Lisboa, entre outros.

Rui Taveira atuou igualmente em festivais internacionais como o de Utreque, nos Países Baixos, de Davos e de Shaafhausen, na Suíça, o Carrefour des Littératures, em Bordéus, e no de Bilbau, em Espanha.

“Para quem teve o privilégio de privar com Rui Taveira, ficará para sempre marcada a memória do seu enorme talento, da sua dedicação incansável ao ensino e das suas excecionais qualidades artísticas e humanas”, afirma a ESMAE, auspiciando “que a memória do professor Rui Taveira continue a ecoar no talento de cada aluno que moldou com mestria e no brilho dos músicos que formou”.

A ESMAE informa que as exéquias terão lugar esta quinta-feira a partir das 16h00, no Tanatório de Matosinhos, e o funeral está previsto para sexta-feira, pelas 11h00.