A estreia de Stabat Mater, em novembro, numa revisitação do encenador Carlos J. Pessoa à prece poética e litúrgica de tradição católica, é “ponto alto” da programação de setembro a dezembro da companhia Teatro da Garagem, anunciada esta quinta-feira.

A interpretar a sequência composta no século XIII, que medita sobre a presença da Virgem Maria junto ao seu filho crucificado, estão Custódia Gallego e Célia Teixeira, num espetáculo a estrear-se em 12 de novembro e que “percorre diferentes formas da experiência da perda: cinco experiências limite onde uma atriz empresta corpo, voz e sentidos à dor”, descreve a apresentação da temporada do Teatro da Garagem.

Stabat Mater estará em cena até 22 de novembro, com récitas de quinta-feira a domingo, no Teatro Taborda, em Lisboa, sede da companhia.

A pergunta “Como habitamos o tempo?” atravessa a programação do Teatro da Garagem para os últimos quatro meses de 2026, com as suas propostas de teatro e música, prolongando “a reflexão sobre o tempo enquanto experiência comum”, observa o coletivo.

Entre “a lentidão, a memória, a espera, a perda e a urgência do presente”, a próxima temporada contempla uma segunda criação própria: Bli, espetáculo dirigido à infância e à juventude, a estrear-se em 10 de dezembro e que terá representações até 20 de dezembro, de quinta-feira a domingo.

Carolina Cunha Costa e Duarte Romão são os intérpretes que, mediante “situações cómicas, líricas e absurdas”, representam as duas personagens “responsáveis por transportar o público para a pressa, cujo objetivo consiste em provocar a sensação de falta de um tempo lento, estimulando a sensibilidade e a atenção à riqueza do mundo que nos rodeia”, frisa a companhia dirigida por Carlos J. Pessoa.

Também em diálogo com a reflexão sobre o tempo estão os espetáculos acolhidos pelo Teatro da Garagem, como Tempo morto, uma encenação e interpretação de Marta Almeida, que sobe a palco a 5 de setembro e propõe “desacelerar numa altura em que a produtividade se impõe como prova de existência”.

A 9 e 10 de outubro, o Taborda recebe Acontece Camões, de Paulo Filipe Monteiro, no qual encenador e convidados, um dos quais músico, “amplificam a poesia de Luís Vaz de Camões, assim como a de autores contemporâneos inspirados pela sua obra, como Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner Andresen, José Saramago ou E.M. de Melo e Castro”, acrescenta a companhia.

Segue-se Filhos de Alguém, em 16 e 17 de outubro, de Miguel Damião, com texto original de Nuno Costa Santos e João Pedro Porto, “um retrato poético e social dos que ficam à margem e dos que esperam por um futuro eternamente adiado”.

A 19.ª edição do já anunciado festival Try Better, que dá “apoio à criação emergente e serve de espaço de experimentação para novas vozes nas áreas do teatro, da dança e da performance”, consta também da programação para os últimos quatro meses de 2026.

A decorrer nos dias 26 e 27 de setembro, o certame apresenta quatro propostas selecionadas através de uma open call: Dis-far-ce, de Mariana Magalhães, Desafinada no coração, de Miriam Freitas, Maria D. não sobe montanhas, de Gustavo Antunes, e Paradoxo Molotof, de Bárbara Gomes, Joana Resende, Mariana Sardinha e Zé Alves.

Em novembro, será a vez da música, com o Taborda a receber o primeiro aniversário da Ovo Estrelado Records, editora criada por Ricardo Duarte, Tiago Castro e Ricardo Mariano, numa celebração que, no dia 26, propõe concertos pelos quatro artistas que assinam os outros tantos álbuns editados: Afonso Sêrro, Calcutá, Acid Acid e mais um quarto por desvendar.

Entre as peças em circulação, o Teatro da Garagem tem O rinoceronte, de Eugène Ionesco, numa encenação de Carlos J. Pessoa, que, nos dias 2 e 3 de outubro, estará no Teatro Vila Velha, em São Salvador da Baía, Brasil, com interpretações de Dai Ida, Pedro Lacerda, Rita Loureiro e Rui Maria Pêgo.

A 24 de outubro a peça chegará a Évora, integrada no Évora Teatro Fest.

O Teatro da Garagem foi fundado em 1989 e tem direção artística de Carlos J. Pessoa.