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Das cerca de 18.758 camas previstas para fixar estudantes no ensino superior, apenas 27% (5.014) estão efetivamente prontas a utilizar. A dois meses da data-limite para a conclusão das obras do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior (PNAES), são cerca de 60% os projetos que continuam por concluir.
Segundo dados atualizados a 24 de junho, avançados esta segunda-feira pelo Público, das 134 empreitadas previstas no plano financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), apenas 53 foram finalizadas. As restantes 81 continuam em curso, estando 72 em fase ativa de execução. Entre estas últimas, 31 destinam-se à construção de raiz de novas residências, 24 à adaptação de edifícios e 17 à requalificação de infraestruturas já em funcionamento — existindo ainda nove intervenções a decorrer em prédios parcialmente ocupados. Até ao momento, os trabalhos concluídos tiveram um custo de cerca de 129 milhões de euros, de um investimento global contratualizado em quase 467 milhões de euros.
Os atrasos em algumas obras foram justificados pela Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR com base em três fatores: as fortes tempestades do início do ano, a escassez de mão de obra e problemas logísticos na ligação a infraestruturas, como a rede elétrica.
No entanto, o presidente da Federação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico, Diogo Machado, garante que as obras do PNAES estarão concluídas dentro do prazo. “Daquilo que tenho falado com alguns presidentes das instituições politécnicas, acreditamos que, em setembro, as residências estarão prontas para os estudantes”, afirmou Diogo Machado ao jornal Público.
Para muitos dos jovens universitários, recorrer ao mercado de arrendamento continua a ser inevitável, mesmo com os avanços no alojamento público. Segundo as estatísticas de julho do Observatório do Alojamento Estudantil, citadas pelo Público, disponíveis no portal do PNAES, o custo médio de um quarto subiu para 423 euros — uma subida anual de oito euros e um aumento de 30 euros face a julho de 2024.
Depois, há os contrastes da geografia: Lisboa continua no topo das rendas mais elevadas, exigindo em média 500 euros por mês, seguida de perto pela cidade do Porto, com 450 euros. Já em cidades como Faro e Setúbal o encargo médio cifra-se nos 400 euros, descendo para a casa dos 350 euros em Aveiro e Braga.
Novo modelo de ação social avaliado anualmente durante os primeiros cinco anos
No plano dos apoios, o novo modelo de ação social prevê um apoio de 160 euros aos estudantes bolseiros deslocados com vaga em residência pública. O diploma introduz ainda mais flexibilidade, devendo ser confirmado se entra em vigor no ano letivo de 2026/27: mantendo-se a prioridade de entrada nas residências, os bolseiros já não perdem os 160 euros caso optem por arrendar um quarto no privado. E quem ficar de fora por falta de vaga em residências oficiais receberá uma bolsa cujo valor será ajustado aos preços praticados no mercado de arrendamento da cidade onde frequenta o ensino superior.
Diogo Machado alerta, contudo, para eventuais riscos destas novas regras. Ao permitir que os estudantes escolham o privado sem perder o apoio, o dirigente avisa que as instituições poderão ter dificuldade em preencher as suas residências. Além disso, prevê um impacto negativo nos preços: com mais alunos a recorrer ao mercado privado, diz saber que os senhorios, “sabendo desses apoios, irão inflacionar os preços”.