Associações de estudantes do ensino básico e secundário manifestaram esta segunda-feira desconfiança dos resultados das classificações dos exames nacionais e afirmaram que nenhum aluno pode ter certeza se precisa ou não de ir à 2.ª fase.
“Nenhum aluno tem todas as condições” para saber se precisa de se inscrever na 2.ª fase de exames, disse à Lusa o presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária Anselmo de Andrade, em Almada, Daniel da Silva.
Daniel da Silva, 18 anos, aluno do 12.º ano, disse que “as notas que foram lançadas, muito provavelmente estão erradas”, pelo que os alunos “não têm sobre si toda a informação que necessitam para se inscrever na 2.ª fase”.
O estudante era um de mais de 30 alunos dos distritos de Lisboa e de Setúbal, incluindo estudantes do 12.º ano, 11.º ano e 9.º ano, que pelas 15h30 estavam concentrados em frente ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), em Lisboa, para manifestar o seu “descontentamento para com este governo e a sua política e para exigir uma escola pública de qualidade”.
Os manifestantes afirmaram desconfiar do processo de classificação e de reapreciação devido aos problemas técnicos ocorridos com as classificações.
A Associação de Estudantes da Escola Artística de Dança do Conservatório Nacional, em conjunto com o movimento Voz aos Estudantes, a Associação de Estudantes da Escola Básica e Secundária Michel Giacometti e outras associações estudantis, promoveu o encontro desta segunda-feira.
Mais cedo, numa conferência de imprensa no MECI, em Lisboa, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, disse que aos alunos que não disponham de toda a informação necessária para decidir se devem ir à 2.ª fase dos exames nacionais [que começa na terça-feira], será dada a possibilidade de fazer exame numa época especial, a realizar no início de setembro, podendo assim concorrer à 2.ª fase do concurso de acesso ao ensino superior.
Em causa pode estar um pedido de reapreciação de prova cujo resultado não chega a tempo.
Representante de diretores de escolas diz que ainda há alunos com notas por atribuir
As escolas só na sexta-feira à noite começaram a receber os ficheiros com as classificações das mais de 300.000 provas, das quais 1.400 tinham a indicação de suspensos [sem nota] devido a exames enviados tardiamente pelas escolas, folhas de resposta incompletas ou informações em falta, segundo o Júri Nacional de Exames.
Pela primeira vez este ano, os exames nacionais do ensino secundário, realizados por 166 mil alunos, foram corrigidos em formato digital, mas o processo registou falhas técnicas desde o início, obrigando o Ministério da Educação a adiar os prazos inicialmente previstos.
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