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Mais de 30 professores da Bolsa de Reapreciação constituída pelo MetaPROF vão a partir desta segunda-feira estar nas escolas a prestar apoio direto aos alunos que peçam revisão dos exames nacionais de acesso ao Ensino Superior, indicou o movimento.

Em comunicado, este movimento cívico conta que tem recebido, nos últimos dias, centenas de mensagens de estudantes e encarregados de educação, reunindo já largas centenas de testemunhos de pedidos de ajuda relacionados com os processos de reapreciação e com a inscrição na segunda fase dos exames nacionais, pelo que sugere que os estudantes exijam o acesso à prova integral e à classificação detalhada, item a item.

“Neste momento, o MetaPROF conta com 32 professores na sua Bolsa de Reapreciação — professores que, entre muitos outros, estarão amanhã [segunda-feira], eles próprios, nas suas escolas, a prestar apoio direto aos seus alunos”, refere o movimento.

A bolsa de reapreciação foi constituída, esclarece o movimento, “em tempo recorde, sem qualquer subsídio, sem apoio institucional de qualquer espécie e sem o reconhecimento das entidades tutelares”.

“É uma resposta da comunidade docente, numa genuína entrega ao serviço público, à incompetência generalizada revelada pelo Ministério da Educação ao longo de todo este processo”, sublinha.

O MetaPROF reitera o pedido de que esta segunda-feira, dia em que abrem as candidaturas ao Ensino Superior, todos os estudantes e respetivas famílias se dirijam às suas escolas e exijam o acesso à prova, um pedido que considera “mais urgente do que nunca”.

O movimento conta que no domingo o EduQA admitiu um “erro de exportação” informático que considera “grave na primeira remessa de notas enviada na sexta-feira”.

“Pior: há relatos dramáticos de professores que receberam ordens para classificar exames aos quais faltavam páginas digitalizadas, originando alterações aberrantes de notas, após a descoberta de folhas perdidas no sistema. Instala-se, assim, uma quebra total de confiança na integridade das pautas”, refere.

Aos alunos que viram as suas notas na sexta-feira ou no sábado, o MetaPROF sugere que voltem a consultar as pautas esta segunda-feira de manhã. “Nenhum resultado pode ser dado como seguro”, sublinha.

E, “da mesma forma, os alunos cujas pautas apresentavam o código de suspensão (-3) — que o EduQA assume afetar 1.400 provas — entram hoje sem saber com o que contar, restando pouquíssimas horas para o fecho das inscrições da 2.ª fase”, acrescenta.

“Estamos convictos de que encontrarão, nas nossas escolas, professores, diretores de turma e equipas diretivas preparados para responder a estes pedidos, colmatando, desta forma, a incompetência generalizada de que temos sido testemunhas por parte do Ministério da Educação”, refere o movimento, salvaguardando que o seu espaço de reapreciação se mantém aberto como complemento a este processo, sem nunca se substituir ao trabalho que cada agrupamento de escolas vai fazer.

As 1.400 notas em “suspenso”, as “desculpas” e as garantias. Como o Ministério da Educação está a resolver o caos nos exames?

Na noite de domingo, depois de uma semana envolta em polémica por atrasos na divulgação das notas, o Ministério da Educação informou que o ministro, Fernando Alexandre, e o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, dariam às 12h desta segunda-feira uma conferência de imprensa sobre os exames.

A correção generalizada dos exames em formato digital, depois de uma experiência piloto no passado ano letivo, teve problemas, obrigando o Ministério a adiar os prazos inicialmente previstos.

As escolas só na sexta-feira à noite começaram a receber os ficheiros com as classificações das provas, e mesmo assim com mais de mil com a indicação de suspensos.