Os descontos dos passes para idosos em Gaia voltaram a gerar discórdia entre a liderança e o PS, que viu esta terça-feira uma proposta chumbada com a qual o executivo PSD/CDS-PP/IL até admite concordar, mas não agora.

Na reunião pública desta terça-feira, o PS apresentou uma proposta que já tinha feito no passado para alargar o leque de beneficiários do Cartão Gaia Amiga, passando de idosos com rendimentos até 750 euros para o patamar dos 1.000 euros.

Segundo o vereador socialista João Paulo Correia, a mesma proposta já tinha sido retirada no passado por três vezes, com a promessa de voltar à ordem de trabalhos por ordem do presidente da Câmara, Luís Filipe Menezes, o que não aconteceu até agora.

“Ainda não foi agendada a proposta porque ainda não concluímos o impacto financeiro que esta medida pode vir a ter para o município”, justificou o vice-presidente Firmino Pereira, que presidiu à reunião, sugerindo que a proposta fosse retirada para ser colocada a votação em setembro, aí com hipótese de viabilização.

Instados a retirar a proposta, uma vez que seria chumbada pelo executivo PSD/CDS-PP/IL e pelo vereador ex-Chega António Barbosa, os vereadores socialistas mantiveram-na.

“Não vamos retirar a proposta porque é a terceira vez que retiramos a proposta”, frisou João Paulo Correia, falando em “jogo pouco leal”, sendo que uma das vezes em que a proposta foi adiada foi na reunião de 2 de junho, como noticiou à data a Lusa.

Com o chumbo do executivo, o vice-presidente leu uma declaração de voto em que justifica que “a rejeição desta proposta não significa que o âmbito não seja alargado no futuro”, mas sim “ponderação, rigor de quem tem de governar”, apontou.

No dia 7, o presidente da autarquia, Luís Filipe Menezes, disse que quer alargar os descontos nos passes a todos os idosos até final do mandato, em 2029, avançando proximamente para quem tem rendimentos até ao salário mínimo.

“Penso que temos a prazo não muito longo a possibilidade de passar dos 750 euros [valor limite atual de rendimentos para obter descontos] para o valor plafonado pelo salário mínimo [920 euros]”, disse então o presidente eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL aos jornalistas.

Este passe é direcionado a reformados ou pensionistas residentes no concelho com mais de 65 anos com rendimentos até 750 euros e a beneficiários do Complemento Solidário para Idosos (CSI) também com 65 anos ou mais.

A Câmara de Gaia comparticipa atualmente os aderentes ao cartão Gaia Amiga com 25 dos 30 euros do passe metropolitano da 3.ª idade, e os beneficiários do CSI têm viagens gratuitas na rede Andante municipal, segundo a informação disponível no site da autarquia.

De acordo com um documento que já tinha ido à anterior reunião de câmara, a dotação do programa foi alargada dos 700 mil euros iniciais para quatro milhões de euros, após um mês de avaliação.

Em dezembro do ano passado, o presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, anunciou que o programa de apoio aos passes dos idosos então em vigor estava a ser reavaliado e seria retomado em 2026, levando o PS a falar num “corte” a 9.000 beneficiários.

Depois de alguma polémica, em fevereiro a autarquia anunciou a criação do cartão Gaia Amiga, direcionado a pensionistas com mais de 65 anos e beneficiários do CSI, dando acesso aos descontos nos transportes públicos.

O cartão Gaia Amiga dá também “gratuidade ou redução de custos em determinados serviços” e “acesso a iniciativas e vantagens disponibilizadas pelo Município ou entidades parceiras”, segundo a informação disponível no site da autarquia gaiense.