O EduQA nega que tenha sido cometido um erro na formulação de uma pergunta que surgiu no enunciado do exame de segunda fase de Matemática A, depois de a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) ter apontado para um “erro formal” na questão 5.
Em comunicado enviado às redações dos órgãos de comunicação social, o presidente do EduQA Luís Pereira dos Santos sustenta que os alunos compreendem o que lhes é solicitado no item mas que, se houver alguma interpretação de um estudante semelhante à feita pela SPM, tal será “devidamente apreciada no âmbito dos mecanismos de supervisão da classificação”.
Esta quinta-feira, a SPM alertou para uma “formulação deficiente na questão 5 do exame de Matemática A (2.ª fase)”, onde se lê: “Considere todos os números naturais com cinco algarismos diferentes. Determine quantos destes números são múltiplos de 5 e maiores do que 50.000.”
De acordo com a SPM, “tal como está formulado, em português corrente significa que se pretende considerar todos os números naturais com um número arbitrário de algarismos, mas entre os quais há cinco diferentes; esta formulação, que não exprime certamente a intenção dos autores do enunciado, não é, assim, obviamente, compatível com os passos apresentados nos critérios específicos de classificação”.
“As etapas indicadas nesse documento seriam adequadas se a primeira frase da questão estivesse formulada de modo a definir outro conjunto de números, finito, como por exemplo: ‘Considere todos os números naturais de cinco algarismos, todos diferentes’ ou ainda, se a questão fosse simplesmente: ‘Quantos números naturais de cinco algarismos, todos diferentes, são múltiplos de 5 e maiores que 50.000?’”, sustenta a SPM.
Segundo a mesma sociedade, “existem infinitos números que satisfazem os requisitos definidos”: “Por exemplo, o número 890890121212980211802920 é múltiplo de 5, é superior a 50.000 e é um número natural com cinco algarismos diferentes.”
Mas esta sexta-feira, o EduQA defende que a formulação da pergunta “assenta em convenções de comunicação habitualmente utilizadas em provas de Matemática e pressupõe um nível de familiaridade compatível com o percurso escolar dos alunos sujeitos a este exame”. Em comunicado, o presidente Luís Pereira dos Santos afirma que “a questão essencial é determinar se um falante competente de português compreende, de forma inequívoca, o que lhe é solicitado no item, e não se é possível conceber interpretações alternativas particularmente criativas ou inesperadas”.
“Entende o EduQA que o enunciado do item 5. da prova de Matemática A da 2.ª fase satisfaz plenamente o primeiro destes critérios, não se identificando, por conseguinte, fundamento para qualquer medida corretiva“, lê-se na nota.
Além disso, o EduQA diz que as opções expostas pela SPM também “não estão isentas de ambiguidades”: “‘Considere todos os números naturais de cinco algarismos, todos diferentes.’ A ambiguidade desta formulação é patente: o qualificativo “todos diferentes” refere-se aos números naturais ou aos cinco algarismos? Qualquer das duas interpretações é gramaticalmente correta.”
“Por outro lado, o enunciado original não indica, nem explícita nem implicitamente, que seja permitida a repetição dos algarismos. Tal possibilidade, a admitir-se, teria de ser expressamente referida. Assim, também por esta razão, o exemplo apresentado pela SPM não se revela pertinente para o caso em análise, estando limitado o número de algarismos a apenas cinco, como se pretende no enunciado”, indica o EduQA.
Contudo, “como é prática habitual nos processos de classificação e supervisão das provas de avaliação externa, caso algum aluno tenha apresentado uma interpretação cientificamente correta e fundamentada do enunciado, incluindo a interpretação sugerida pela SPM, essa situação será devidamente apreciada no âmbito dos mecanismos de supervisão da classificação, garantindo-se a equidade e a justiça do processo avaliativo”.
A segunda fase dos exames nacionais termina esta sexta-feira.
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