Volta à Polónia, a prova que viu “nascer” o lado vitorioso de João Almeida. Depois de se ter mostrado ao mundo do ciclismo na Volta a Itália de 2020, o português da UAE Team Emirates-XRG teve de esperar praticamente um ano para vencer pela primeira vez no WorldTour. Já na condição de campeão nacional de contrarrelógio, o Bota Lume deslocou-se ao leste europeu como líder da então Deceuninck-Quick Step e começou por se destacar logo ao segundo dia, batendo Diego Ulissi ao sprint em Przemysl. A partir daí assumiu a liderança que não mais perdeu e juntou-lhe mais um triunfo, em Bukovina Resort. Volvidos cinco anos, muito mudou na vida de Almeida, mas o objetivo no regresso à Polónia era o mesmo: encontrar o melhor nível.

Um azar nunca vem só, que o diga João Almeida: português envolveu-se em queda massiva que neutralizou corrida e despediu-se da geral

As três primeiras etapas desta edição não trouxeram grandes dificuldades ao português que, ainda assim, teve de lutar para se posicionar bem no pelotão, algo que foi evidente na fase decisiva de cada uma das tiradas. Não perdeu tempo e partiu para a primeira etapa de montanha a 30 segundos de Jonathan Milan (Lidl-Trek). Com a liderança perfeitamente ao seu alcance, o dia acabou por decorrer debaixo de chuva e voltou a trazer à tona a versão 2026 de Almeida, que teima em descambar perante os azares. A 42 quilómetros da meta, uma curva em descida, feita a alta velocidade, atirou ao chão metade do pelotão, incluindo João Almeida, que fechava na frente o comboio da Emirates. O português levantou-se a coxear, precisou de alguns minutos para recuperar junto ao raile e acabou por seguir na altura em que a etapa foi neutralizada e encurtada.

“Claro que me sinto mal, não foi um bom dia. Sinto alguma dor no joelho e no tornozelo, mas acho que vai ficar tudo bem. Provavelmente não há fraturas, são só escoriações… É o que é. O asfalto estava praticamente como gelo. Estava super escorregadio, não havia nada a fazer. Além disso, a velocidade era elevada e acabámos por cair uns atrás dos outros, sem conseguir evitar. Sexta-feira? Sim, espero poder estar na linha de partida”, partilhou Almeida ao portal polaco Naszosie.pl. O dorsal um ainda acabou a quarta etapa, mas nos últimos lugares e a 16 minutos do vencedor.

Contudo, como se perspetivava, João Almeida já não marcou presença na partida da etapa desta sexta-feira. “Infelizmente, Benoît Cosnefroy e Juan Sebastián Molano foram obrigados a abandonar a prova na sequência da queda de ontem [quinta-feira]. Esta manhã, João Almeida não vai alinhar na partida, depois de ter caído no mesmo incidente. Temos o prazer de informar que não há fraturas e que os três vão agora regressar a casa para descansarem com vista às próximas corridas. Rápidas melhoras, rapazes!”, escreveu a Emirates nas redes sociais. Se, no caso do francês e do colombiano, não estão previstas mais corridas na presente temporada, até porque a recuperação deverá ser demorada, o mesmo não se pode dizer do português, que está na startlist da Volta a Espanha, que começa dentro de… 15 dias. Até ordem em contrário, João Almeida vai correr ao lado de Tadej Pogacar, iniciando a preparação nos próximos dias a fim de estar em condições de marcar presença no Mónaco.

A notícia mais esperada e desejada está confirmada: Pogacar regressa à Vuelta sete anos depois (e junta-se a João Almeida e Ivo Oliveira)